quinta-feira, 30 de julho de 2009

Na BR 116, Quase em Registro

- Vai pra onde, dona?

- Como "pra onde", garoto? Nem precisa ligar o carro, já que você já tá no acostamento mesmo. O programa custa R$ 20.

- Eita, como assim?

- Ué. Eu sou puta de beira de estrada.

- Achei que nunca fosse ouvir uma frase dessas pessoalmente. Aliás, tirando os filmes do cinema nacional, achei que nunca fosse ouvir essa frase em lugar nenhum.

- Como?

- Nada. Nada. É que eu estava passando, vi você estender a mão e achei que queria carona. Como estou faz mais de 5 horas dirigindo sozinho e estranhamente meu CD player quebrou na primeira hora de viagem e está tocando Fly by Night há tempos, achei que seria bom dar carona para alguém para me distrair.

- Se quer se distrair, são R$ 20.

- Mas eu não quero transar. Aliás, a senhora não está um pouco sambada para ser puta?

- Ué. Você dirige mal para a porra e está aí, querendo "dar carona".

- Como você sabe que eu dirijo mal? Ainda nem dei partida no carro.

- Eu vi quando você entrou na reta. Você cortou um caminhão, quase bateu em uma Fiorino e quase te acertaram a traseira quando embicou para "me dar carona".

- É que eu estava tentando desligar a porcaria do CD ou tirar o disco. 

- Fly by Night é de matar mesmo, não?

- A senhora conhece Rush?

- Olha aí, já está puxando assunto. Você quer uma puta ou uma analista?

- Eu não quero nem um nem outro. Só queria dar uma carona e me distrair. Mas se...

- Para se distrair, custa R$ 20. Mas eu vou avisando que, comigo, só com camisinha.

- Olha, esquece. Desce do carro que eu vou embora com o maldito Rush tocando Fly by Night.

- Para onde você vai?

- São Paulo.

- Vai passar pela Lapa?

- Não sei. Não é muito meu caminho.

- Bom, porque já que estou aqui mesmo e o meu expediente está acabando, você poderia me levar lá, até a Lapa. Eu aproveitaria para visitar minha irmã, que não vejo há anos.

- É meio fora de mão. Mas eu te levo, sim. Custa R$ 20.

- R$ 20? 

- É. Mas te deixo na porta da sua irmã.

- Certo. Mas olha, hoje o dia foi difícil e eu não peguei um só cliente. Você não quer transar? Daí você me dá R$ 20 e eu te devolvo esses mesmo R$ 20 quando você me deixar na Lapa.

- Minha senhora, já disse mil vezes que não quero transar. Só queria companhia.

- Só pela companhia, cobro R$ 10. Mas se eu tiver que falar muito daqui até lá, aí sai por R$ 25.

- Olha, eu te pago R$ 40, se você conseguir tirar esse CD daí de dentro. E ainda te levo até a Lapa, na casa da sua irmã.

- Tudo bem, eu aceito. Toca o carro. Aposto que até a gente chegar em Registro, já tirei o CD.

- R$ 40.

- Como?

- Aposto R$ 40 que você não tira o CD até Registro.

- Peraí que a conta está complicando. Se eu tirar até Registro, ganho R$ 40. E se eu tirar até a Lapa, ganho mais R$ 40? 

- Não. Se tirar até Registro ganha R$ 40. Se não tirar, me deve R$ 40. Se tirar só na Lapa, ganha R$ 40. O que dá zero a zero, já que perdeu a grana em Registro. No final das contas, se não tirar, leva R$ 10. Mas isso se falar pouco. E como estou percebendo que a senhora fala mais do que a nega do doce, vai ser R$ 25, no mínimo. Mas como...

- Tá, tá, já basta. Não entendi bem, mas está combinado. Tem certeza de que não quer se divertir?

- Certeza. Agora coloca o cinto que vou dar a partida e entrar na estrada com tudo.

- Só transo com camisinha, viu!

- Mas eu já disse que...

- Eu sei, eu sei. Desculpe. Foi puro reflexo. Sempre que eu ouço alguém dizer "entrar com tudo", respondo que tem que ser com camisinha.

- É mesmo?

- É.

- Vou entrar com tudo.

- Só transo com camisinha, viu?

- Vou entrar com tudo.

- Só transo com camisinha, viu?

- Vou entrar com tudo.

- Só transo com camisinha, viu?

- Hahahahaha.

- ...

- Vou entrar com tudo.

- Só transo com camisinha, viu?

- Vou entrar com tudo.

- Só transo com camisinha, viu?

- Agora perdeu a graça. Põe o cinto.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Creme Rinse Ainda Existe?

- Não ganhei na megasena. Preciso pensar em algo para ficar rico sem fazer muito esforço.

- Invente uma coisa bem estúpida. Normalmente, dá certo.

- É mesmo?

- É. Olha o cidadão que criou os sachês de mostarda, catchup e assimilados. É um troço idiota, que ninguém em sã consciência gosta, que faz a pessoa se sujar muito, dá trabalho para abrir, gasta o triplo dos molhos, porque mais da metade fica dentro do sachê, e faz um sucesso danado. O cara que inventou isso, além de ser um belo de um pilantra, tá rico hoje em dia.

- Mas eu não consigo pensar em coisas idiotas. Somente em coisas úteis. Hoje mesmo, acordei com uma idéia que, se eu tivesse patrocínio, me deixaria rico.

- No que você pensou?

- Em lançar o primeiro xampu dietético da história.

- Para que? Emagrecer os cabelos? Sei não, com tanta gente reclamando de calvície por aí, acho que você estaria na contramão do mundo.

- Ah, mas a idéia não é criar um xampu dietético para afinar cabelo. Mas para a pessoa poder beber e, mesmo assim, não engordar.

- Seria light, diet ou zero? 

- Pensei em começar com xampu light. Depois, pela demanda, poderíamos abranger os mercados diet e zero. Que acha?

- Acho a idéia bem estúpida. Mesmo porque ninguém bebe xampu.

- E você sabe por que ninguém bebe?

- Porque é ruim e amargo para diabo?

- Como sabe que é amargo? Você já bebeu? 

- Uma vez, por engano. Depois explico. 

- Bom, mas o fato de as pessoas não beberem xampu não tem nada a ver com o gosto.

- Tem a ver com o que, então?

- Medo de engordar. Se eu criar uns xampus dietéticos, todo mundo beberia.

- Sei não.

- Eu faria xampus contra caspa e para soltar o intestino. Ou ainda xampus para evitar queda de cabelo e para ajudar na circulação do sangue. Xampu de boldo com quitina. Essas coisas.

- Todos eles seriam dietéticos, correto?

- Exatamente. Daí, eu poderia criar xampus de limão, laranja, morango. Ele poderia ser até solúvel ou misturável na água quente do chuveiro ou na água gelada da  ducha.

- Acho que já inventaram isso aí. Com água quente, chama chá. Na água gelada, suco.

- Você está menosprezando a idéia só porque não foi sua. Quando eu encontrar um patrocinador, vamos ver quem vai rir.

- Por que você, enquanto não encontra patrocinador, não pega umas sopas de saquinho, mistura na água quente, enfia em um pote de xampu e sai vendendo por aí?

- Sopa em pó é bom para lavar a cabeça? 

- É sim. Desde que depois de usá-la, você recorra a um bom xampu 100% verdadeiro, para limpar a nojeira que deve ficar.

- E existe sopa light no mercado?

- Se existe até miojo light e açúcar diet, com certeza existe sopa light.

- Boa. Então vou agora mesmo ao mercado comprar essas sopas aí.

- Só não esquece de vendê-las acompanhadas de um xampu verdadeiro, para ser usado após a sopa.

- Será que eu serei acusado de venda casada?

- Não. Provavelmente, será taxado de charlatão ou demente, mesmo. Mas acho que do lance da venda casada você escapa.

- Boa. Obrigado.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Jubash no Dois Vezes Um

- Nesse ritmo que está o desmanche do Corinthians, em vez de rumo à Toquio ou Dubai, vamos rumo à mais um papelão na Libertadores, isso sim.

- Não fala bobagem.

- Pô. Mas mandaram o André Santos e o Christian embora. Já, já, sai o Douglas e o Felipe e aí o caldo entorna de vez. Só vai faltar vender o Ronaldo Gordo para o circo Vostok e, pronto, deu zebra total.

- Com o Mano no comando, não tem como dar errado. Não foi o Christian, renegado do Flamengo, nem o André Santos, renegado de 38 times, nem o Douglas que fizeram o Corinthians. Foi o Corinthians que os fez.

- Sei não.

- Daqui seis meses o Jucilei vai estar jogando mais do que o Fernando Redondo. 

- Olha, filho...

- O Corinthians depende do zodíaco, não depende de contratações ou planejamento. Veja o exemplo do Christian. Tinha tudo para dar errado e deu certo pra caralho.

- Juliano, fico feliz pelo seu otimismo, mas ainda assim eu acho que...

- Calma que o pior já passou. Chegamos à final da Copa do Brasil, ano passado, com um time quase que nojento de ruim, se comparado com esse. O Grêmio do Mano, que chegou à final da Libertadores, tinha como homem de referência o Tuta no ataque. Fica frio que vai dar certo. Eu acho que o Mano faz alguma macumba ou coisa assim, mas no final, dá certo.

- É. Mas onde a gente vai arrumar um volante que faz gol e manda a bambizada tomar no cu?

- É, nesse caso, ele vai fazer falta mesmo. Vai demorar uns 10 anos para aparecer outro maloqueiro para fazer algo desse naipe. Isso e as embaixadinhas do Edilson são insuperáveis.

- Pois é. 

- De qualquer forma, não se preocupe.

- Mas querem trazer o manco do Lucas. Isso é zuação, né?

- É, aí eu concordo. Com aquele cabelinho, não sei não. Mas, vou falar uma coisa, anota aí...

- Anotando.

- Eu tenho a sensação, sem base alguma, que o Herrera volta para jogar a Libertadores. Aí sim, o bicho vai pegar.

- Ah, saudades do Herrera. Ele e o Jorge Henrique são os dois melhores atacantes-volantes que eu já vi.

- Sim. Os dois e o Júlio Batista. 

 - Bom, você me acalmou. Vou dormir mais sossegado hoje.

- Ótimo. E lembre-se sempre que o Corinthians não tem lógica.

 

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Via Toledo, PR

- Tá longe de casa, hein, filho.

- Tô sim, seu guarda.

- Documento do carro e habilitação, por favor.

- Só um segundo.

- Está vindo de onde?

- Toledo, seu guarda.

- Viagem de negócios, filho?

- Mais ou menos, seu guarda. Minha irmã mora lá. 

- Foi visitá-la, então? Ah, poderia abrir o porta-malas, por favor?

- Claro. Fui sim. Mas aproveitei para fazer alguns negócios, seu guarda.

- Que tipo de negócios, filho?

- Bom, tive uma reunião com o prefeito.

- É político?

- Não, não. Sou jornalista. Mas pedi uma audiência com o prefeito para saber da possibilidade de mudar o nome da cidade.

- Pode fechar o porta-malas, filho. Me diga, por que você gostaria de mudar o nome da cidade?

- Acho que a cidade de Toledo ficaria melhor se mudasse o nome para Ari Toledo. Seria uma justa homenagem ao segundo melhor comediante do Brasil.

- Quem seria o primeiro, filho?

- Carlos Alberto de Nóbrega, seu guarda. 

- Sei.

- Além de mudar o nome da cidade, o ideal seria também mudar o nome das ruas. A principal deveria virar "Rua do Papagaio Gago". As outras ganhariam nomes como "Rua do Portuga Broxa", "Rua da Viúva Alegre", etc.

- Já está liberado, filho. Pode prosseguir viagem.

- Só me deixe terminar. O prato principal da cidade, em vez de churrasco, viraria Gato com Batatas. Em frente à prefeitura, haveria um imenso monumento de um elefante se suicidando.

- De muito bom gosto essa estátua, não?

- O senhor também acha, seu guarda? Mas vou além. A igreja principal viraria a Igreja do Padre Pirocudo. Todos os bairros mudariam de nome. Por ordem de entrada na cidade, o primeiro seria Marly Marley. O segundo, Marly Marley II. O terceiro, Marly Marley III. E assim por diante.

- O prefeito aceitou sua sugestão?

- Ficou de pensar. Disse que ia tentar a reeleição. Se perdesse, acataria a idéia. Só não entendi direito isso. Ele devia mudar o nome caso ganhasse, não? Para agraciar a população que o reelegeu.

- Acho que não, filho. Pelo que percebo, ele mudará o nome da cidade caso perca, para poder punir a população mesmo.

- Nesse caso, vou voltar. Se é para punir, a idéia é outra. Mudar a cidade para Jô Soares ou Arnaldo Jabor. 

- Ok, filho. Dirija com cuidado. E não corra muito. 

- Vou dentro do limite de velocidade, seu guarda. Mas ainda tenho muito a fazer. Depois de sair novamente de Toledo, rumarei à Florianópolis.

- Pretende mudar o nome da cidade também, filho?

- Não. Somente do Costão do Santinho. Acho que ficaria melhor Costinha do Santão. Para homenagear outro excelente humorista brasileiro. 

- Nesse caso, quando voltar, passe aqui e me leve. 

- Sério?

- Sério. Sempre fui fã do Costinha e acho que ele merece mesmo uma homenagem póstuma. Na volta, pare neste posto policial e buzine três vezes. Estarei esperando.

- Ok, seu guarda. Muito obrigado.

- Eu que agradeço. 

terça-feira, 21 de julho de 2009

I Just Called To Say I Love You

— Oi, tudo bem? Eu nasci de cesariana.
— Como é?
— Eu gosto de deixar essas coisas bem claras desde o início.
— Sabe o que é? Esse lugar está ocupado.
— Bom, eu podia ter chegado falando que meu prato preferido é arroz com açafrão, mas não quis colocar a carroça na frente dos bois, compreende?
— Eu vou ali pegar um drink e já volto.
— O que foi, não gosta de açafrão?
— Açafrão? Eu adoro açafrão.
— Mas e então?
— Detesto arroz. E cantadas furadas.
— Mas espera aí. Dá pra comer açafrão sem ser com arroz?
— Uh.
— Bom, então pelo menos o açafrão nós temos em comum.
— Temos mais. Eu também nasci de cesariana.
— Ô, diabo.
— E, pelo jeito, nós dois somos fãs do dublador do Gene Wilder em A Dama de Vermelho. Não vejo outro motivo para estarmos os dois imitando a voz dele desde o início desta conversa.
— Coisa horrorosa, minha senhora. Nem tinha reparado.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Pateta, Pluto e Outros Patetas

- Finalmente alguém me deu uma boa explicação sobre o fato do Pateta falar e o Pluto, não. Considerando, obviamente, que ambos são cães.

- Quem?

- Foi o Daniell, que abriu meus olhos outro dia.

- Os seus olhos e os da humanidade, diga-se. Porque todo mundo se pergunta isso há séculos. Até perdeu a graça jogar essa pergunta em rodas de bate-papo, tão batida que é. Mas abra meus olhos também: por que, sendo ambos cães, o Pateta fala e o Pluto, não?

- Simples. O Pateta é um cachorro adulto. O Pluto é um cachorro bebê.

- Faz algum sentido.

- Vai fazer mais sentido se formos além da questão da fonética entre ambos. O Pateta, como adulto, se veste, anda em pé, usa chapéu, fala. O Pluto, como bebê, anda pelado, balbucia algumas palavras em forma de latido. Ele engatinha, ou melhor, anda de quatro, mesmo. O Pateta usa garfo e facas.

- Bem mal usado.

- Sim, ele é meio pateta no quesito talheres. Mas o Pluto, nem isso. Come numa tigelinha colorida.

- Certo. Mas se o Pluto é um bebê, por que ele não mora com o Pateta, mas com o Mickey?

- Ele não é filho do Pateta. Ele é órfão e foi adotado pelo Mickey. Por coincidência, ele é da mesma marca que o Pateta.

- Marca ou raça?

- Não sei bem. Como são desenhos animados, não sei dizer se é raça ou marca. Mas você entendeu a questão.

- Entendi. De qualquer forma, ainda tenho uma última pergunta, antes de sair por aí defendendo essa sua teoria. Se o Pluto é um bebê, por que ele dorme em uma casinha de cachorro no jardim do Mickey? Como bebê, ele não deveria dormir em um berço dentro de casa?

- Se você adotasse um cachorro bebê, colocaria para dormir em uma casinha de cachorro ou em um berço dentro de casa?

- Se eu fosse um rato gigante meio nazista, meio afeminado e tivesse de adotar um cachorro-bebê?

- É.

- Acho que não adotaria. A não ser que eu fosse um rato gigante, meio nazista, meio afeminado, que curtisse uma zoofilia meio pedófila. Aí, sim, eu adotaria um cachorro bebê, mas colocaria para dormir na minha cama. Mais ou menos como o Michael Jackson fazia, mas sem o Macaulay Culkin no meio.

- Entendo. Mas te convenci ou não?

- Sim. Mas daí, agora que você me esclareceu essa, poderia me explicar a próxima dúvida entre os tantos enigmas do mundo Disney?

- Manda.

- Por que o Pato Donald não usa calças mas quando sai do banho enrola uma toalha na cintura?

- Bom, acho que vou ter que perguntar isso para o Daniell também. Depois de falo.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

SMSs Irresponsáveis

- Olha só, que coisa, o Alex esqueceu o celular dele aqui.

- Aquele vermelho?

- Não, acho que ele trocou. É um preto. 

- Deixa eu ver.

- ...

- É. É novo mesmo.

- Então, já que ele esqueceu e não deve voltar para buscar hoje, a gente podia usar esse telefone e mandar uns SMSs para todos os contatos deles.

- Melhor ainda seria a gente mandar uns SMSs pornográficos para todos os contatos femininos dele. Que acha?

- Boa. Vamos escrever o que?

- Sei lá. Deixa ver como esse celular funciona.

- Escreve assim "qual tal pegarmos uma casa de swing amanhã?" Ou seria melhor "estou com crista de galo, procure um médico"?

- Gosto mais da segunda. Mas prefiro mandar o lance do swing. 

- Tá, beleza. Descobriu como manda?

- Descobri. Peraí que vou escrever. Escolho só algumas garotas ou mando para a lista feminina toda?

- Manda para todo mundo. Muito melhor. 

- ...

- ...

- Mandei. Mas o mais estranho é que eu não conhecia uma garota da lista do telefone dele. E ele tem o próprio número anotado duas vezes. 

- Hahahahaha. Que estranho. Bom, vai saber o que passa na cabeça daquele menino.

- Pois é. Ah, olha só, o Alex entrou no MSN agora. Vou avisá-lo da pegadinha.

- Beleza. 

- ...

- ...

- Pronto, tá avisado.

- E o que ele disse?

- Tá escrevendo ainda. 

- Tá.

- Rapaz...

- O que? Ele respondeu?

- Sim. Disse que o celular dele tá no conserto e que esse telefone é da mãe dele, que emprestou enquanto o dele está parado.

- Hahahahahaha. Deus do Céu! 

- Hahahahahaha. Que bizarro, não? 

- Hahahahahaha. Muito. Mas tem uma coisa que eu acho mais bizarro do que isso.

- Hahahahahaha. O que?

- Hahahahahaha. Quem leva o celular para consertar hoje em dia?

- Hahahahahaha. Pois é. É o mesmo que levar uma calça no alfaiate ou ir ao sapateiro.

- Bom. E agora, o que a gente faz?

- Ah, acho que esperamos para ver se alguma amiga da mãe dele responde o SMS. Se responder, a gente pergunta pro Alex qual o naipe da senhora interessada no swing. Se for pegável, a gente continua trocando mensagens.

- Hahahahahaha. Boa. 

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Live from Messenger

- Tem uma menina no meu MSN Messenger que é evangélica ou coisa parecida.

- Agora é Live Messenger, burrão.

- Mas quem fala Live Messenger? Só ouço MSN para cá, MSN para lá. É como a Febem, que virou Fundação CASA, mas todo mundo só chama de Febem.

- Verdade. Já te falei que acho um absurdo terem mudado o nome da Febem?

- .

- Pois então. O que tem a menina que é crente?

- Evangélica.

- Você disse "evangélica ou coisa parecida". Na minha concepção, crente é "coisa parecida". Logo, o que tem a tal crente?

- Ela usa uns nicks meio gospel, meio pornográficos. Eu não sei se ela já percebeu e faz de propósito, se ela é bem inocente ou se eu que estou pervertido demais.

- Qual o nick que ela usa neste momento?

- "E que diminua eu, para que cresças dentro de mim, Senhor. Mais e mais."

- Olha, filho...

- Mas tem outro, que ela usava outro dia. Era algo como "leva me além, a um nível mais profundo de intimidade contigo, ó, Senhor!"

- Intimidade profunda?

- É. 

- Rapaz. Acho que é crente mesmo.

- Não é evangélica ou coisa parecida?

- Se eu fosse irresponsável, eu diria que é crente do rabo quente. Mas não usarei a expressão. É bonita?

- É sim, viu. 

- Você diria que esse tal "ó, Senhor!" está perdendo tempo em não querer intimidade profunda ou crescer dentro dela?

- Diria. Mas só se eu fosse irresponsável. Como não sou, não direi. Só espero que, se ele quiser tudo isso aí, que sejam felizes para sempre. 

- Amém.


terça-feira, 14 de julho de 2009

Gêmeos, Mórbida Paternança

- Meu sonho é ter um casal de gêmeos.

- Ui! E casar virgem, de véu e grinalda? Não quer?

- Não seja besta. Mesmo porque eu não tenho a menor idéia do que é uma grinalda.

- Sabe que eu também não?

- Então, mas eu estou falando sério. Queria ter gêmeos. 

- Para vesti-los iguais, penteá-los iguais, colocar nomes parecidos em ambos, como Marcos e Marlos ou Nei Marcus e Marcus Nei, e, com isso, confundir sua família, as professoras deles, seu bairro inteiro e, por fim, eles mesmos?

- Não, claro que não. Já disse que estou falando sério. Mesmo porque eu queria ter gêmeos de sexo diferente. Um menino e uma menina.

- Para que? Para fazer experiências genéticas, tentar inverter o sexo de ambos antes de chegarem à puberdade, vesti-los de modo contrário ao natural em meninos e meninas e confundir professores, vizinhos e, por fim, as próprias crianças?

- Não, porra.

- Então, por quê? É um sonho sem qualquer motivo? É tipo um TOC natalício?

- Não é TOC. Mas é uma espécie de luxo, sim. Eu queria ter gêmeos para chamar o menino de Pablo Escobar e a menina de Madre Teresa de Calcutá.

- E eles seriam traficante e freira, respectivamente?

- Não sei se teria o direito de decidir a profissão deles.

- Teria, teria sim. O que você gostaria de eles fossem?

- Sem querer ser leviano, eu realmente gostaria que um deles fosse religioso mesmo. O outro poderia ser contraventor, para dar graça na família.

- Ah, então, Pablo e Madre seriam, respectivamente, traficante e freira?

- Acho que respectivamente, não. Contrariamente. Ela poderia ser traficante. Ele, freiro. Não gosto de obviedades.

- Acho que o correto é frei, não freiro. No máximo, frade.

- Ele não poderia ser freiro?

- Temo que não.

- Ah, então em vez de Pablo, ele chamaria Freiro Tereso de Calcutá. Ela, Pabla Escobara.

- Mas se você não gosta de obviedades, ele teria de ser traficante. Ela, freira.

- É verdade. Mas, como eu disse no começo, não gostaria de determinar a profissão deles. Tendo saúde, estarei feliz.

- Com dois nomes como esses, a sanidade mental de ambos, de tanto que serão achincalhados na escola primária, secundária e terciária, é que deve ir para o beleléu.

- Ah, mas não pretendo mandá-los a escola. Quero ensiná-los em casa mesmo. 

- Você será o professor?

- Não. Minha mulher. Por isso preciso encontrar uma mulher que seja professora de profissão.

- E que esteja apta a ter gêmeos de sexo distintos.

- Disso não faço questão. Posso tê-los com uma e casar com outra. 

- A cabeça dessas crianças já não estará suficiente bagunçada por conta dos nomes e da ausência de outras crianças em suas vidas, já que não irão à escola? Você ainda quer que tenham duas mães?

- Tem razão. Não é justo, né?

- Acho que não.

- Beleza. Vou esquecer o lance dos nomes, profissões, escolas. Só não abro mão de ter gêmeos de sexo oposto.

- Para?

- Confundir a vizinhança, os amiguinhos, os familiares e, por fim, eles mesmos.


segunda-feira, 13 de julho de 2009

Varre, Varre, Vassourinha

- Eu estava ouvindo, ainda agora, um disco de um tal de Vassourinha.

- Tem nome de palhaço. É um disco de piadas?

- Não. É um sambista mesmo. Que, aliás, pelo que fiquei sabendo, morreu de um estranho mix de várias doenças aos 19 anos. 

- Como assim?

- Li que "foi vítima de um mix muito louco de tuberculose, reumatismo e tudo mais que se pudesse pensar em termos de moléstias".

- Eu sempre quis pegar escorbuto. Acho que não ligaria se morresse de escorbuto.

- Por quê?

- Ah, minha mãe sempre disse que escorbuto é doença de pirata. E eu sempre quis ser pirata. Mas como não nasci com perna de pau, não preciso de tapa-olho e tenho medo de papagaio, acho que o modo mais próximo que tenho de ser pirata é pegando escorbuto. 

- Que coisa sublime.

- Também acho.

- Ainda bem que você nunca quis ser Papa.

- Por quê?

- Porque a minha mãe dizia que um tal papa qualquer aí, acho que Pio qualquer coisa, morreu de soluço. Como você não é católico, não acredita em rezas em geral e nunca usou uma batina, o jeito mais próximo que você teria de ser Papa seria pegando soluço e morrendo dele. 

- Nossa! Que sorte que eu tenho de querer ser pirata. Mas, me diga, o que você ia falar sobre o Vassourinha?

- Ah, sim. Esse disco que estava ouvindo. Há uma sequência de faixas muito boa. Uma das primeiras chama "Emília".

- Certo.

- Depois dela, vêm outras. Aí, entra a sequência "Olga", "Tá gostoso", "Amanhã eu volto" e Amanhã tem baile".

- Esse Vassourinha foi contando a história aos poucos, não? 

- Pois é. Mas depois de "Amanhã tem baile", vem "Volta para casa, Emília". O que, para mim, faz total sentido. Ela cansou de tanta baderna com a Olga e nesses bailes da vida e se pirulitouzis.

- Depois de "Volta para casa, Emília", qual é?

- Acaba o disco.

- Nossa! Então quer dizer que ela voltou com um pau de macarrão e matou o cidadão de tanta porrada.

- Bom, pelo que li, ele morreu de um mix de moléstias.

- Ah é. Então aposto que ela voltou com um saquinho cheio de Ébola, tacou na sopa do Vassourinha e se mandou. Ele tomou a sopa e não conseguiu voltar para terminar o disco no dia seguinte. 

- Mulher é vingativa mesmo, não?

- Que o diga o Vassourinha. Morreu de Ébola em uma época que isso nem existia.


domingo, 12 de julho de 2009

Uma Noite Sobre a Terra

- Fim de semana estranho.

- Bota estranho nisso.

- Saí de casa na quarta à noite, para tomar uma cerveja inocente, e só consegui voltar na sexta à tarde. Depois, foram dois dias de cama, recuperando o fígado e tentando minimizar as tremedeiras.

- Jesus! Eu fiquei todos esses dias ensaiando o moonwalk perfeito, demorei, mas para conseguir chegar a algo minimamente decente. Foram quatro dias, mas, agora, estou craque. Você precisa ver. Mas, me diga, o que você fez de quarta a sexta?

- Só lembro de flashes. Primeiro, estava em um bar. Depois, em uma balada em que pagava-se R$ 50 e bebia à vontade. Já de manhã, eu lembro de estar no banco de trás de um carro desconhecido, com um negão de black power, óculos vermelho, fã da Madonna e do Michael Jackson e aparentemente gay, rumando à praia.

- Nossa!

- Bom, daí sei que a motorista desistiu da praia e, quando vi, eram umas dez da manhã de quinta e eu estava em um apartamento desconhecido servindo Yakult com Vodka para esses desconhecidos e para mais um amigo meu, o único rosto familiar dessa empreitada.

- Que beleza, hein?

- Nem tanto. O Yakult com Vodka ficou meio forte. 

- Pelo menos, a essa hora, você não havia perdido o paladar. 

- Não. Mas quase perdi a sanidade. 

- Por quê?

- Porque o tal do black power, essa hora já evidentemente gay, resolveu chamar mais uns conhecidos para ir até esse apê. Ele disse que iria chamar a galera para o "after hours" que estava rolando.

- Certo. E nesse momento estavam quantas pessoas nesse apartamento?

- Bom, era eu, ele, uma garota e esse meu amigo, que estava de namorico com ela. 

- E vocês dois, você e o do black power, estavam de vela?

- Sim. Aliás, mais ou menos. A gente estava quase se batendo por conta de uma diferença de opinião sobre o Michael Jackson. 

- O que cada um defendia?

- Não lembro direito. Acho que eu dizia que o Michael era de sagitário. E ele dizia que o correto não é sagitário, mas sargitário.

- Então acho que a discussão era menos sobre o Michael e mais sobre o zoodíaco.

- Já tentou falar zoodíaco completamente alcoolizado às 10 da manhã depois de uma noite sem dormir?

- Não lembro.

- Pois é. Por isso que eu e ele concordamos que a discussão era sobre o Michael Jackson.

- Bom, mas daí ele resolveu chamar mais pessoas para o tal "after hours"?

- Sim. E então ele resolveu ligar para uma tal de Britney, que morava em Osasco, e que seria muito disposta, segundo ele.

- Defina "disposta".

- Alguém que saíria de Osasco e iria até a região dos Jardins, em São Paulo, de ônibus, para beber Yakult com Vodka com uns desconhecidos e uns amigos pós-balada.

- Entendo.

 - Bom, aí ele ligou e falou com a Britney. Daí, resolveu passar o telefone para mim. Eu pego e digo "fala aí, Britney". Do outro lado, uma voz sonolenta e um tanto grave diz "oi?".

- Voz grave? A Britney era o Britney?

- Isso. Ou estava tomando bastante hormônio masculino para, em breve, ser, sim, o Britney.

- Credo!

- Bom, daí eu disse pro Britney não se preocupar em sair de Osasco de busão porque o after hours nem estava essas coisas mesmo.

- E ele?

- Sei lá. Desliguei e fui misturar mais Yakult na Vodka.

- Sei.

- Daí, de lá, fomos buscar o carro desse meu amigo. Que, obviamente, não estava no estacionamento que havíamos deixado. 

- Por que obviamente?

- Porque o cara que trabalhava no estacionamento já havia avisado que, se fôssemos retirar o carro no dia seguinte ao que estacionamos, deveríamos retirar na rua de trás, em um número qualquer.

- E aí?

- E aí que esse número, na rua de trás, era uma espécie de frigorífico. E não havia campainha, nem interfone, nem nada. Mas havia um prédio colado nele. Tocamos o interfone do prédio.

- E?

- E aí saiu o cara do estacionamento do dia anterior. Aparentemente, à noite ele é garagista e de dia, porteiro. Bom, daí ele nos deu a chave do carro, abriu o frigorífico e nos mandamos.

- Para casa?

- Não. Resolvemos almoçar.

- E eu fazendo moonwalk todo esse tempo...

- Bom, a essa hora eu já estava vendo o Michael Jackson.

- Sério?

- Médio. Era o gay do black power, mas parecia muito o MJ em começo de carreira.

- Entendi. E vocês foram almoçar e beber mais.

- É. Almoçamos e tals e, aí sim, eu e meu amigo rumamos para casa.

- Mas isso ainda é quinta-feira à tarde. Você disse que somente havia chegado em casa na sexta-feira. Estão faltando 24 horas nessas história toda. 

- Então, aí é que as coisas começam a fira estranhas.

- Mais estranhas do que Yakult com Vodka e Britney de Osasco?

- Mais.

- Nesse caso, não vou querer ouvir. Capaz de eu beirar a perda da sanidade, e não quero isso.

- Mas...

- Mas nada. Fora que, pelo que sei, quando alguém tem um trauma muito grande, apaga da memória os momentos que o antecederam. E eu estou com o moonwalk fresquinho, fresquinho na cabeça. Se você me contar o resto do seu final de semana, é capaz de eu esquecer tudo. Nem mais uma palavra, por favor.

- Mas tem a ver com dálmatas, hemodiálise e exorcismo.

- Shhhhhhh. Silêncio. 


segunda-feira, 6 de julho de 2009

Iron Maiden Fez Um Filme

- Vi o filme do Iron Maiden esse final de semana.

- Ah, já vi. Achei até que supreendentemente bom.

- Você tava bêbado?

- Tava. Como você sabe?

- Ah, porque eu também achei supreendentemente bom. E eu estava alcoolizado quando assisti.

- Será que se a gente assistir sóbrio vai achar ruim?

- E para a gente assistir sóbrio um filme que a gente já viu bêbado? Só faço isso com Simplemente Amor ou com qualquer filme do Hugh Grant, que nunca é demais ver.

- Eu só faço isso com The Commitments ou O Massacre da Serra Elétrica. Fora esses dois e mais qualquer filme com zumbi, me recuso a assistir mais de uma vez, sóbrio ou bêbado, qualquer coisa.

-  Ah. A Pequena Sereia eu assisti 10 vezes. Uma sóbrio, duas bêbado, mais cinco hospitalizado, com a cabeça imobilizada, de frente para um TV com o DVD do filme.

- E as outras duas vezes?

- Nas duas vezes que assisti bêbado, eu estava tão mal que enxergava dobrado. 

- Bom, mas voltando ao filme do Iron Maiden, além de achá-lo surpreendentemente bom, outra coisa me chamou a atenção.

- Já sei. Que, nas horas de folga, os integrantes da banda jogam golfe e tênis.

- Exatamente. 

- Daí você ficou indignado que aquelas pessoas pulando no palco e clamando pelo capeta quando, acabam o show, viram velhinhos comuns, que andam de bermudas brancas e se comportam como idosos que praticam esportes?

- Exato. Eu achava que entre um show e outro eles sacrificassem carneiros ou molestassem sexualmente todo tipo de hortifutigranjeiros.

- Eu pensava de modo parecido. Eis que surge a questão: o que será que o pessoal do Slayer faz entre um show e outro?

- Ah, certeza que nas horas de folga vão à missa ou ministram palestras no Exército da Salvação.

- Aposto que o Marilyn Mason, quando não está no palco, está ajudando velhinhas a atravessar a rua ou praticando escotismo.

- Só pode. Já o Padre Marcelo, se não está cantando ou rezando missa, aposto que está em alguma rinha de galo, apostando nos bichinhos.

- Não tenho como duvidar disso. E o Roberto Carlos, assim que acaba o show, vai pros bastidores e deita e rola em todos os panos marrons que encontra. E fica falando "inferno", "mal" e outras coisas do tipo.

- Já o Maestro Júlio Medaglia se tranca no quarto e coloca, em alto e bom som, a discografia inteira dos Ratos de Porão.

-  E o Cascão passa duas horas no banho. Enquanto isso o Cebolinha não erra uma letra "érre" em uqalquer coisa que diga.

- Mas esse mundo é mesmo das aparências, não?

- É o que eu acho. Por isso mesmo, me penteio desse jeito. Olha.

- Isso que você faz com seu cabelo é tão ridículo que, até hoje, eu sempre achei que você nunca houvesse penteado o cabelo. Agora me supreendeu.

- Viu? Mais uma prova de que o mundo é das aparências.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Triatlo de boteco

— Então você acha que eu não posso ser melhor que Jesus Cristo em nada?
— Em heresia eu acho que você é bem melhor que ele.
— E em sinuca também. Tenho certeza.
— Bom, eu já vi o Inri Cristo jogando sinuca. Acho que você não ganha dele, não. Ele deu um pau no Cacá Rosset.
— Mas o Inri Cristo não é Jesus Cristo. É apenas um senhor que fala esquisito e anda por aí de camisola. E quem é Cacá Rosset?
— Ele diz que é a reencarnação do filho de Deus. E a julgar pela sinuca que ele joga, não dá pra duvidar muito.
— O Cacá Rosset?
— Não, o Inri. O Cacá é só um outro palhaço.
— Bom, então eu diria que no boliche eu sou melhor.
— Hmmm. Acho que não, hein? O Inri faz um strike atrás do outro.
— Mas então esse cara é um mestre dos botecos. Só falta ele beber mais chope do que eu.
— Não sei se bebe, mas tem cara...
— Então acho que não deu pra mim mesmo. Mas pelo menos em heresia eu fico com o título.
— Aí é que você se engana. O cara diz que ele é o próprio filho de Deus. Contra uma heresia dessas, você não tem chance.
— De fato eu admito que não posso vencer o Inri Cristo. Mas continuo achando que posso ser melhor do Jesus Cristo em alguma coisa.
— Herege.

Claro, TIM e Demais Lixos

- Pra você ver como são as coisas.

- Que coisas?

- As coisas. Todas elas.

- Do que você tá falando?

- Do seguinte: hoje chegaram para mim várias cartas do correio. Duas delas da Claro.

- A operadora de telefonia?

- É.

- Que estranho. Você não tinha perdido seu décimo sétimo celular e resolvido não ter mais nenhum?

- Pois é. O que você não sabe é que eu decidi que, além de não ter mais celular, eu também iria mandar a Claro às favas e não pagar minha última fatura. Mesmo porque estava carinha, carinha.

- Sei. Mas então chegaram duas cartas da Claro. E daí?

- E daí que... repare na ironia. A primeira carta que abri era um cartão do ClaroClube. Coisa que, obviamente, nunca pedi e nem sabia que existia.

- Esse cartão ClaroClube não dá desconto em um monte de coisas?

- Pois é. Eu não sabia, mas dá sim. Descobri hoje.

- E é irônico te mandarem esse cartão depois que você cancelou tudo e resolveu ser inadimplente?

- Não. O irônico é que hoje também chegou uma carta do Serasa ou do SPC, avisando que a Claro estava tentando colocar meu nome no pau, só porque havia pendências em aberto.

- Eles usaram o termo "só porque" na carta? Isso é juízo de valor, não?

- Não, não usaram. Eu usei porque acho que é pouca coisa para muito terrorismo. 

- Não entendi a ironia da coisa até agora.

- Ué, eles me mandam um cartão da ClaroClube e uma carta do Serasa no mesmo dia. Isso é ou não é ironia?

- Bom, mais ironia ainda seria você usar o ClaroClube para conseguir desconto na sua pendência financeira com a Claro. 

- Nossa! Será que eles dão desconto? 

- Liga lá e pergunta.

- Boa. Me empresta aí seu celular.

- Não preciso nem falar que você não ter um celular para ligar para a Claro para tentar um desconto via ClaroClube na sua pendenga financeira com a própria Claro é bem irônico, não é?

- Não, não precisa. Me empresta aí logo.

- Tá. Mas liga a cobrar. Tô sem crédito.

- Sério?

- É. Tô meio sem grana. 

- Ah, mas deixa comigo. Eu ligo lá na Claro e, via ClaroClube, eu descolo uns créditos para você.

- Mas meu celular é TIM.

- Hummm. Será que na TIM dão desconto para quem tem ClaroClube?

- Acho difícil. 

- Bom, vou pedir. O máximo que pode acontecer é dizerem não. 

- Máximo, máximo, não. Eles podem mandar uns capangas na sua casa e te espancarem, só para você deixar de ser engraçadinho. E, claro, para dar o exemplo.

- Se aparecerem em casa, eu chamo a polícia.

- Como, se você não tem celular?

- Já ouviu falar em telefone fixo?

- Já. Mas, pelo que me consta, telefone fixo você já perdeu 7 vezes antes de desistir deles também.

- É verdade. Bom, posso gritar pela polícia. 

- Esse é o tipo de coisa que não dará certo. Vão pensar que é trote.

- Por quê?

- Porque ninguém mais chama a polícia em alto em bom som, a plenos pulmões. Nem a polícia acredita quando ouve pessoas gritando. Só acredita se a chamada vier via telefone. E, nesse caso, você não tem como chamá-los.

- Vou pegar duas latas, fazer um furinho no fundo, ligá-las por meio de uma linha gigante. Uma lata eu deixo na chefatura de polícia mais perto de casa. A outra, do lado da minha cama. Ao primeiro sinal de perigo, eu chamo a polícia. Por meio desse telefone idiota, eles vêm?

- Sei lá. Mas faz tempo que eu não ouvia isso.

- Isso o que? Esse telefone de lata? Eu falei outro dia dele.

- Não. A palavra chefatura. Muito boa. Preciso usá-la mais vezes.

- Pra você ver como são as coisas.


terça-feira, 30 de junho de 2009

Demian e os Chipanzés de Fralda

- Estamos em plena farra das quedas de aviões, hein.

- Pois é. Mas o mais estranho de tudo é que uma criança de cinco anos sobreviveu.

- Deve ser o Demian, de A Profecia.

- Porra, se é ele mesmo, tenho, pelo menos, quatro notícias ruins para dar.

- Desenvolva.

- Primeira má notícia: além de ser o único sobrevivente, foi ele também quem derrubou o avião. Aposnto que quando chegou o pessoal do resgate, ele estava tocando fogo nas bagagens dos outros passageiros, já mortos. 

- Segunda má notícia, por favor.

- A essa hora, ele já cegou uma pessoa da equipe de resgate, aleijou uma segunda pessoa e arrancou o cabelo, a dentadas, de uma terceira.

- Coitado do pessoal da Cruz Vermelha. Passemos para a próxima má notícia.

- Bom, ele foi resgatado no meio do nada, confere?

- Acho que sim.

- Pois então, para sair de lá, ele terá de pegar outro avião, não? Porque, se não me engano, o Demian é inglês e vive na Inglaterra.

- Sim, terá de pegar outro avião.

- Isso quer dizer que dentro em breve teremos outro desastre de avião. Ou você acha que ele vai aguentar um traslado inteiro sem derrubar outro aviãozinho por aí.

- Nossa senhora! Mas por essa lógica, ele vai causar mais uns 4 acidentes. 

- Essa era a quarta má notícia. Como ele sobreviveu, nos próximos tempos teremos muitos acidentes. Não só aéreos, como de trens, carros e até mesmo pragas de ratos em diversas partes do mundo. Não é à toa que dizem que o mundo vai acabar em 2012.

- Olha só, acabei de ler uma notícia fresquinha sobre o acidente. Sobre a queda, estão apostando tudo nas más condições climáticas.

- Isso aí é a imprensa marrom querendo desviar o foco. Até minha vó sabe que foi o Demian. 

- Mas...

- Mas nada. Entre a Mãe Natureza e Demian, quem você acha que tem mais pinta de derrubar um avião?

- A Mãe Natureza é boazinha, né?

- Então. 

- Mas se ela é tão boazinha assim, porque ela criou os chipnazés de fralda, que tanto assustam as pessoas?

- Eles não assustam as pessoas, só você tem medo deles. Aliás, você também é a única pessoa que conheço que tem medo de bexiga e que acha que os golfinhos são estúpidos e que podem ser considerados as azeitonas do mar, por conta da textura.

- O assunto aqui sou eu ou é o Demian?

- Tá. Mas a Mãe Natureza é boazinha. Ela criou os chipanzés, mas quem colocou fraldas neles foram os homens. Ou, se bobear, o Demian.

- O Demian seria capaz de planejar e realizar algo tão maldoso, como vestir fraldas em macacos somente para aterrorizar pessoas de bem, como eu?

- Sim.

- Me convenceu. Demian derrubou o avião. Mas a Mãe Natureza, sei não.

- O que tem?

- Ainda não decidi se gosto dela. Porque ela bem poderia ter feito a pele dos chipanzés lisas iguais às das azeitonas do mar, também chamadas de golfinhos.

- Por quê?

- Você não tem impressão que elas são bem lisinhas?

- Sim.

- Pois é. Se as cinturas dos chipanzés fossem bem lisinhas, queria ver o Demian conseguir prender fraldas em chipanzés. Se a Mãe Natureza fosse sábia mesmo, teria pensado nisso

- Mas não ia ter jeito.

- Por que?

- Do jeito que o Demian é mal, ele ia dar um jeito de prender as fraldas. Iria usar grampeador, super bonder, pregos, furadeira. Não ia ter pele lisa que desse jeito.

- Nossa! Mas esse menino é o capeta!

- Exatamente.


segunda-feira, 29 de junho de 2009

Adeus, MJ

- E esse lance do Michael Jackson, hein?

- "Esse lance", no caso, é como você chama a morte dele?

- É.

- Que fino.

- Poderia ser pior. Eu poderia ter dito "e não é que o MJ foi para o quiabo!?".

- Verdade. Mas o que tem "esse lance" do Michael Jackson?

- Eu acho que a morte dele não condiz com o que ele fez em vida. Parada cardíaca, excesso de remédios, etc. Não casa bem, manja? Esse tipo de coisa combina com o Elvis Presley, que, aliás, morreu de remédios, não?

- Elvis não morreu. Está vivo e morando na Argentina. Até minha vó sabe disso. 

- Certo. Mas, de qualquer forma, eu acho que a morte dele foi muito comum e não combina com a vida que ele teve, principalmente nos últimos anos.

- Você sugeriria o como como causa mortis mais pertinente? Parada cardíaca de tanta emoção ao entrar em um berçário?

- Não. Isso seria meio esperado. Eu acho que o ideal seria algo bem esquisito mesmo, como morrer engasgado com o próprio sapato. Isso sim seria compatível com o nível de estranheza dele.

- Isso não faz o menor sentido. 

- Exatamente. É isso que eu estou falando.

- Não, não. A sua idéia dele morrer com um sapato entalado na garganta. Não faz o menor sentido.

- Claro que faz. É tão estranho quanto os últimos anos dele. Aliás, outra coisa. Todo mundo diz que o Michael não morreu agora, que morreu há vinte anos. Eu discordo e penso ao contrário.

- Que o que? Que ele morreu quando fez Triller e que aquilo não era maquiagem, como como ele estava na vida real?

- Não. Que ele nasceu depois que parou de fazer músicas decentes, e não que morreu quando ficou estranho.

- Por quê?

- Porque eu acho que uma pessoa não pode ser definida pela profissão, mas pelos seus atos, índole, caráter e gestos no dia-a-dia. Nesse caso, ele virou o verdadeiro Michael Jackson depois que se aposentou. Mesmo que a aposentadoria tenha sido extra-oficial.

- "Você é o que você faz"?

- Algo do tipo. Ou "você é o que você come". Sei que "você é o que você canta e dança" não combina.

- Se é "você é o que você come", acho que ele seria uma espécie de Macaulay Culkin.

- Eu já te disse um milhão de vezes que não acredito que ele fosse pedófilo. Ele era uma criança, simplesmente isso. Dormia com crianças? Dormia. Mas não no sentido bíblico. Sim no sentido literal. 

- Ele era uma criança? 

- Eu acho que sim.

- Mais uma prova de que você é o que você come.

- Ai, ai. Pelo menos, ele não morreu engasgado com um sapato. Senão ele seria uma sapatilha ou uma galocha.

- Fato.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Quase Que Eu Disse: Chupa, Espanha!

- Hahahahahahaha.

- É o que eu sempre digo: mais uma vez, a Fúria mostra sua cara. Que é boazinha, boazinha.

- Se perderam para os Estados Unidos, vão empatar com quem?

- Só ganham mesmo na Europa. E olhe lá. Se jogassem o torneio da Concacaf, seriam rebaixados.

- Todo mundo sabe que a Espanha é café com leite. Se um dia, por acaso do destino, eles ganharem alguma coisa, é justo que quem deve levantar a taça é o vice deles. 

- Como eu gosto da imutabilidade do futebol. Aliás, pensando bem, só nós dois, né?

- Acho que sim. Por isso achei uma pena a Itália ter sido eliminada. Estava cumrpindo tão bem seu papel de mendigar na primeira fase. Daí só precisaria ganhar o jogo da semifinal nos penaltis e ir para a final contra o Brasil.

- E perder. Porque, pela lei da imutabilidade, o Brasil sempre ganha. Assim como a própria Itália e a Alemanha. A diferença é que o Brasil ganha mais, principalmente no confronto direto em final.

- Exatamente. Aliás, ainda falando de futebol, hoje eu estava no barbeiro e pintou um cara com uma das expressões mais estúpidas que já ouvi.

- Qual? "Sapeca iá iá" para se referir a uma goleada?

- "Quase que eu disse".

- O que?

- A expressão. Era "quase que eu disse".

- Exemplifique. 

- Ele dizia "Então o Muricy foi demitido. Daí, quase que eu disse 'a diretoria do São Paulo está louca?'. Não está?" Esquisito, não?

- Me dê mais um exemplo, para eu compreender melhor.

- Outro. "O time do Corinthians joga bem sabe por quê? Quase que eu disse ' porque o time foi formado há mais de um ano'. É claro." Entendeu? 

- Ele usava o "quase que eu disse" para dar ênfase em alguma frase?

- Isso. Mas me soava como se ele estivesse narrando alguma situação em que ele quase disse algo, mas se segurou. 

- Dá essa impressão mesmo.

- Mas a partir do momento que ele diz "quase que eu disse", sem estar se referindo a uma conversa passada, a coisa toda vira um contrasenso porque, na verdade, ele disse. Ele passou do quase, ele disse!

- Confuso, não?

- Um pouco. Mas mais confuso é outra coisa que eu estava pensando ontem, enquanto assistia a De Volta para o Futuro.

- Conte-me.

- Se eu voltar uns dois dias no tempo. 

- Só dois dias?

- Só. Então eu pego meu celular, que estava no bolso da minha jaqueta durante o trajeto de volta no tempo, e disco o seu número, por exemplo. Quem atende? 

- Eu, ué.

- Você de dois dias atrás ou você de dois dias para o futuro, de onde eu vim?

- Quem pegar o celular primeiro. Assim que um atende, o outro telefone, que no caso é o mesmo, só que com dois dias de diferença pára de tocar.

- Faz sentido. Mas, supondo que você somente comprou a linha um dia depois do dia que eu estou, a chamada cai somente no futuro ou dá número de telefone não existente?

- Acho que cai no seu número, no futuro.

- Será?

- Claro. Você acha que as operadoras iam perder a oportunidade de ganhar um dinheiro fácil assim?

- Não, não acho.

- Pois então. 

- Agora, me diga. Supondo que eu volte no tempo com meu celular, para uma época em que nem havia telefonia móvel ainda. Em um tempo em que nem telefone existia. Eu conseguiria fazer alguma ligação?

- Só se você pegasse duas latas, fizesse um furo no fundo de cada uma delas. Depois, enfiasse um fio em cada orifício e as ligasse. Daí, você entregaria uma lata para a pessoa com quem você gostaria de se comunicar. Então, falaria na lata e a pessoa ouviria do outro lado.

- Isso quer dizer que o celular não funcionaria, não é?

- Quase que eu disse que não. Mas quis contar aquela história só para você perguntar qualquer coisa para poder usar o "quase que eu disse" de forma apropriada.

terça-feira, 23 de junho de 2009

MacDonalds e Outras Histórias

- Que é isso na sua calça?

- Rapaz... eu estava andando na Rua dos Pinheiros e um mendigo jogou duas asas de frango que comia em mim.

- Pelo jeito, não deviam estar boas.

- Ou estavam. Vai que ele foi com a minha cara, achou que eu ia gostar das asinhas de frango e jogou como forma de oferecimento.

- Pode ser também, mas daí ele poderia ter te oferecido educadamente, não te tacado.

- Poderia, mas daí ele teria de levantar da calçada. E ele estava em uma posição muito confortável. O que me leva a crer que ele até foi com a minha cara, mas não tanto a ponto de querer levantar.

- Por falar em comida, e já mudando de assunto, hoje almocei no MacDonalds. Ontem, também. 

- E por falar em MacDonalds, hoje, parado no farol, um cidadão me pediu uns trocados para comprar um número 1.

- E você deu?

- Eu ia dar. Mas daí comecei a procurar uns trocados e ele começou a recitar um versinho bem idiota, como que para agradecer a boa vontade. Aí me distraí com ele, esqueci das moedas e quando o semáforo abriu, eu tive que sair rápido.  

- Aposto que ele não entendeu nada.

- Não deve ter entendido. Quando olhei para o retrovisor, ele dançava do lado de um carro parado em outro semáforo. Não sei não, mas acho que essas manifestações artísticas do rapaz é o que o levará à ruína. 

- E é o que aumentará a fome dele, também. Além de não receber trocados por distrair os outros, deve dar uma fome danada pular e recitar coisas ao lado dos carros. Esticar a mão é bem menos cansativo.  Mas, voltando ao assunto MacDonalds, hoje comi em um restaurante da rede. Ontem, também.

- E o que tem isso demais?

- Estava pensando em ficar uns 15 dias comendo direto no MacDonalds e filmar a experiência. Acho que o filme seria um sucesso de público.

- Olha, já fizeram isso. Mas foi um mês, se não me engano. Por que você não faz essa experência, mas muda de lanchonete? Tente com o Bobs.

- Agora, já comecei com o MacDonalds. E eu odeio refação. Se tiver que começar do zero com o Bobs, é bem fácil de eu desistir. Vou continuar comendo no MacDonalds mas, em vez de filmar, vou levar comigo um caricaturista. Ele vai me desenhar pelos próximos 15 dias. Você acha que tem apelo?

- Depende do tipo de apelo que você procura. Depois que terminar a experiência, você vai fazer o que com as caricaturas?

- Pensei em emoldurar e decorar a sala da minha casa. Torná-la mais aconchegante, com as caricaturas e um tapete de urso, que pretendo comprar em breve. 

- Ah, aí sim. Com certeza, terá bastante apelo no quesito "aconchego". Mal vejo a hora de ir visitar suas nova sala. 

- O que?

- O que? O que?

- Não prestei atenção no que você disse. Eu estava pensando no que vou comer amanhã. Acho que um Big Mac, mas sem hamburguer e sem molho especial.

- Isso não vale. Big Mac sem esses ingredientes é como comer lanche de padaria. Amanhã, em vez de ir ao MacDOnalds, vá à uma padoca e peça um hambúrguer, que dá no mesmo.

- Não, não. Odeio refação. E agora que comecei com o MacDonalds, vou até o fim.


segunda-feira, 22 de junho de 2009

Costeletas e Vinagre

- Faz, pelo menos, uns 15 anos que eu mantenho estas costeletas. E o mais estranho é que, até hoje, não sei apará-las direito.

- Não precisava nem ter comentado. Qualquer um que olhe para sua cara percebe isso.

- Obrigado. 

- E se a pessoa reparar bem mesmo em você, vai ver que seu nariz também é torto. O que dá uma má impressão dos diabos, considerando-se o conjunto geral.

- Obrigado.

- E vou além: esse seu cavanhaque também não é um primor em termos de estética. Que dirá de métrica?! Ele está levemente torto para a esquerda. E há mais pêlos do lado direito do queixo, enquanto o lado esquerdo está mais ralo e tem um punhado de fios brancos. 

- Sei.

- Por fim, eu diria que as orelhas completam o conjunto tortidão do seu rosto. A da direita é maior que a da esquerda, que, por sua vez, está posicionada mais acima da sua cabeça do que a outra. 

- Acho que já deu, né?

- Só um último comentário, se me permite.

- Permito. Eu comecei o assunto, posso suportar um último comentário.

- Se alguém olhar muito tempo para você, acredito que pode vomitar.

- Ai meu Deus!

- Mas não é por você ser feio ou asqueroso. Não entrarei neste mérito. Acontece que os itens do seus rosto estão tão fora de métrica, proporção e alinhamento que dão uma certa tontura.

- Só isso?

- Não, não. Pensando bem, um último teste. Mostra a língua. 

- Ó. 

- Como eu pensava, a língua piora muito o panorama geral. Ela é mais torta que sua cara inteira junta. Você é um assassino em potencial com essa língua para fora.

- Ué, primeiro, eu causo tonturas às pessoas. Agora, com a língua para fora eu posso matar? Como?

- Supondo que alguém com labirintite pare na sua frente e examine seu rosto. Acho que esse coitado não resistiria a 2 minutos e iria para o beleléu. 

- Mas isso porque ele já tem predisposição genética. Não tenho culpa do cidadão ter tonturas.

- E você tem predisposição genética a matar um labirintítico só com o poder do seu rosto. Acho que isso pode ser usado no tribunal contra você.

- Deus! Então, a partir de agora, não mostro mais a língua para ninguém. E mais: vou agora mesmo no mercado comprar uma gilete e raspar a costeleta e o cavanhaque. 

- E com as suas orelhas e com o seu nariz, o que você vai fazer?

- Não sei. Não pensei nisso. Essas conversas sobre assassinato e sobre torteza me pegaram desprevenido.

- Você vai ao mercado, não?

- Sim.

- Bom, aproveita que está lá, pega um saco de papelão e começa a usar na cabeça. Acho que isso evitaria mais acidentes.

- É um plano válido. Vou lá, então. Quer algo do mercado?

- Traz um vinagre para mim, por favor.

- Litro?

- Não. 500 ml está bom. Eu nem queria muito. Só vou aproveitar que você vai até o mercado para pedir uma coisa bem estúpida. 

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Quem Feio Ama, Bonito Lhe Parece

- É twitter para cá, twitter para lá. Essa coisa caiu nas graças de todo mundo, não?

- Que coisa?

- O twitter, pô!

- O que é isso? 

- Não sei muito bem, não. Mas como ouço todo mundo falando a respeito, imagino que seja uma parada parecida com o Orkut, só que menos azul.

- Não me fale em Orkut. Faz um tempão que desisti dele.

- Por quê?

- Sabe quando a pessoa entra no Orkut e na página inicial aparecem as atualizações dos seus amigos?

- Sei.

- Pois é. Eu tenho duas amigas que vivem atualizando os álbuns de fotos. A cada dia elas colocam, pelo menos, umas 10 fotos novas. E o problema é que as melhores amigas dessas duas amigas minhas são muito, muito feias. Mas de uma feiúra bestial mesmo, de uma feiúra mamutesca. E daí, vira e mexe surge ali, naquele espaço das atualizações, fotos novas dessas minhas amigas abraçadas com essas amigas feiosas. 

- Se isso te incomoda, é só ignorar as atualizações.

- Aí é que está. Eu não consigo resistir às fotos com essas amigas feias das minhas amigas. Toda vez que os álbuns são atualizados, eu sou compelido a clicar. É meio que um TOC meu, mas eu não descanso se não clicar e ver essas meninas feias nas fotos.

- E isso te incomoda tanto assim?

- Não é bem o incômodo, é um susto mesmo. Eu abro as fotos e, de repente, bu! Estão lá as bruacas sorrindo para mim. Que medo!

- E por conta disso, você não entra mais no Orkut?

- Exatamente. De coisa feia, basta meu dia-a-dia.

- No seu dia-a-dia você vê muita mulher feia?

- Só quando eu entro no Orkut e tem atualização de duas amigas minhas, que tem duas amigas bem feiosas.

- Nhé.

- É que você não está entendendo. Não é uma feiúra normal, é uma feiúra incômoda. Chega a doer o peito. Cada vez que eu as vejo, sinto que perdi uns 10 minutos de vida. É como se eu fumasse um cigarro.

- Mas do jeito que você está falando, eu estou imaginando duas coisas bem feias. Uma peteca com dois braços dando tchauzinho e uma cabeça loira boiando em um jarro cheio de água. 

- Cara, você já viu essas meninas? Você acaba de as descrever.

- Não que eu saiba. Mas agora sim, fiquei curioso. Vamos acessar seu Orkut e você me mostra.

- Não, por favor! Não me faça fazer isso. Não quero perder mais 10 minutos de vida gratuitamente. Prefiro até fumar um cigarro.

- Mas você não fuma. 

- Não importa. Começo hoje, desde que não tenha de entrar no Orkut.

- Beleza. Pode ser então. Mas só tenho Hollywood vermelho. Serve?

- Pensando bem, vamos acessar o Orkut. Mas se você ficar cego ou virar uma estátua de sal, não me responsabilizo. 

- Tem esse risco, é? 

- Já vi gente ter isquemia por muito menos.

- Ah, deixa quieto então. Vou lá fumar um cigarro então. Me acompanha.

- Não, valeu. Agora resolvi entrar no Orkut. Dez minutos a mais ou a menos de vida não podem fazer tanta diferença assim.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Sexta-Feira 13 em Urano

- O termo Uro, de urologia ou urologista, vem do grego ouron e quer dizer urina, correto?

- Sei lá.

- Pois então. Daí, atualmente, entende-se que urologia é relativo aos rins e aparelho urinário, confere?

- Sabe Deus!

- Tendo isso como verdade, concluo que o planeta Urânus fica localizado na zona erógena do Sistema Solar. Não tem sentido?

- Não tem muito, mesmo porque o planeta chama Urano. Você anda com muito tempo livre, não?

- Mais ou menos. Ultimamente, tenho ocupado meu tempo livre com filmes de arte. Ontem à noite assisti a um muito bom.

- Qual?

- O remake de Sexta-Feira 13. 

- Excelente filme. O diretor, que se não me engano é o mesmo do remake de O Massacre da Serra Elétrica, sabe remakear. Não tenta imitar os originais e acaba fazendo uns filmes decentes. Nesse Sexta-Feira 13, por exemplo, ele mudou o Jason completamente. Agora ele corre, pula, pensa, é bom no arco e flecha, no machado à distância, faz armadinhas, espreita tal qual um caçador.

- Foi o que eu notei. Tirando a parte de pensar, o Jason virou uma espécie de Rambo 4 com máscara de hóquei.

- Pois então. E o diretor ainda manteve as minas peladas e enfiou um monte de moleque mala, que dá até gosto de ver morrer. Tirando aquele filme que ele mata o Kevin Bacon, esse é o que tem as mortes que eu mais desejei.

- Mas quem mata o Kevin Bacon é a sra. Vorhees, não o Jason.

- Não importa. Se morreu no filme Sexta-Feira 13, pode ser de ataque cardíaco ou catapora, eu coloco na conta do Jason.

- É justo. Mas eu estava pensando uma coisa sobre esse filme, que não faz muito sentido.

- Você estava pensando em algo sem sentido ou algo que ocorre no filme que não tem sentido?

- Sabe aquele momento em que aparece a casa do Jason?

- Sei. Ela aparece em vários, até.

- Pois é. Em determinado momento, ele acende as luzes da casa dele.

- Certo.

- Pois então, a minha dúvida é: como ele paga a conta de luz? Ele é um maluco assassino de 10 metros e com um machado a tiracolo. Será que ele recebe o boleto em casa e paga via internet banking ou será que é débito automático?

- Olha, eu tenho a impressão que é gerador.

-Mesmo se for, onde ele arruma diesel? Ele paga em dinheiro, cartão ou mão-de-obra, cortando árvores e decepando corpos?

- Acho que ele rouba do vizinho.

- Sei não. Assassino, tudo bem. Mas ladrão acho que é um pouco demais para o caráter dele. Se pans, ele pede para o vizinho mesmo.

- Em vez de pintar com uma xícara pedindo açúcar, ele aparece com um galão pedindo diesel?

- É.

- Mas ele não sabe falar. Como se faz entender?

- Da primeira vez, o vizinho foi oferecendo e apontando para o que tinha por perto. Por sorte, o diesel estava ao seu lado. Quando apontou, o Jason fez sim com a cabeça e levou o galão. Agora, toda vez que ele volta, o vizinho vai dando diesel.

- Pior vai ser quando ele aparecer e quiser açúcar. Até o vizinho descobrir, já perdeu um dedo, uma mão, meia orelha.

- Eu achei ele meio abatido no filme. Acho que ele tá magro, de regime. Deve usar adoçante e não açúcar.

- Nossa. Até o vizinho caipira chegar no adoçante, o Jason já comeu ele inteiro.

- Inteiro, não. Ele está de regime. Aposto que evitaria o cupim e outras regiões gordurosas.


terça-feira, 16 de junho de 2009

Lua De Mel tem hífen?

- Estava pensando na minha lua-de-mel agorinha.

- Você vai casar? Não sabia nem que você estava noivo. Ou, menos, nem sabia que você namorava.

- Não estou noivo, nem namoro. Mas gosto de me programar com antecedência. 

- Sei. E já que você vai ignorar as vontades da noiva, onde seria essa lua-de-mel?

- A gente ainda não sabe. Estamos na dúvida entre três lugares exóticos: Coréia do Norte, Vietnã ou Disneylandia.

- A gente?

- É. Estou falando por mim e por ela, quem quer que seja. Não sou egoísta.

- Sei. Bom, pelo que me consta você já conhece a Disney, não? Então o ideal seria mesmo a Coréia ou o Vietnã.

- Sim, conheço a Disney. Mas fui quando era criança e acho que não aproveitei direito. 

- Por quê?

- Porque eu era criança. E até minha vó sabe que a Disney não é coisa para criança. 

- Assim como soltar balão e pipa?

- Isso. Tudo coisa de marmanjo. Mas acho que, no final das contas, vamos acabar escolhendo a Coréia do Norte. Ela prefere. 

- Ela, no caso, a sua futura esposa, noiva e namorada?

-Ao contrário. Namorada, noiva e esposa. Se eu começar casado com ela e depois noivar e depois namorar, no final do relacionamento eu nem a vou conhecer mais. Seria muito triste.

-Faz sentido. Mas se você nem conhece ainda sua namorada, como sabe que ela prefere a Coréia do Norte?

- Vou me inscrever numa comunidade do Orkut chamada "Quero passar minha lua-de-mel na Coréia do Norte". Daí, é só procurar alguém por lá.

- Assim fica fácil, mesmo. Mas acho que tal comunidade não existe. 

- Posso colocar um classificado nos jornais.

- "Rapaz sério procura esposa para passar lua-de-mel na Coréia do Norte". Acho que vai ter muita procura.

- Eu colocaria um "Não precisa ser bonita. Damos preferência a mulheres com, no mínimo, 25 dentes", depois dessa frase aí. Acho que atrairia mais gente.

- Sem dúvida, atrairia. Mas com 22 dentes, no mínimo, atrairia mais.

- Mas eu não estou tão preocupado assim com quantidade. Prefiro me ater à qualidade.

- E por isso você vai encontrar sua futura esposa em um classificado de jornal.

- Exatamente. E depois passaremos a lua-de-mel na Disneylândia.

- Não era Coréia do Norte?

- Era. Mas só para mostrar para ela quem manda no casal, iremos para a Disneylândia.

- É por esse tipo de loucura que eu estou achando que vai ser bem difícil você casar. 

- Se tudo mais der errado, posso pagar para você uma passagem para a Coréia. Sem segundas intenções. Seria só para você me fazer companhia. Você tem 25 dentes, não?

- 23. Mas meu canino esquerdo é tão grande que vale bem por uns três.

- Ah, então tá combinado.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Filas, Cores e Outras Asneiras

- O que seria do verde se todos gostassem do amarelo?

- Seria uma cor reprimida, eu acho.

- Um tanto acabrunhada, eu diria. 

- Isso. E talvez crescesse até com algum complexo. Poderia virar um serial killer ou coisa do tipo.

- Ah, acho que não. Viraria um serial killer se fosse green. Não, verde. Até minha vó sabe que serial killer só existe nos Estados Unidos. No Brasil, no máximo, é chacineiro.

- E o que seria do amarelo se todos gostassem do amarelo?

- Ah, aí seria o rei da cocada preta-amarelada. Seria exibido e cheio de marra. Seria insuportável, eu diria.

- Mas ninguém iria se importar, já que todos gostariam dele.

- Isso é verdade. Já o pobre verde ia ser apedrejado em praça pública, mesmo se não viesse a ser um chacineiro ou assassino em série.

- Graças ao bom Deus, algumas pessoas gostam do verde e outras, do amarelo.

- E o que seria do rosa, se ninguém gostasse do verde e todos gostassem do amarelo?

- Ele sempre teria a Sula Miranda.

- Que conforto.

- Não seja irônico. Se você fosse o rosa e não tivesse ninguém, não gostaria de ter a Sula Miranda?

- Eu aceitaria a Sula Miranda de brinde em qualquer situação. Mas devo dizer que, se eu fosse uma cor, seria o verde-água.

- Tipo o Hulk desbotado?

- Tipo ele. 

- Não sei se seria uma boa. Afinal, o que seria do verde-água se todos gostassem do amarelo-bebê?

- Vixe, já vi que eu ia virar um assassino em série.

- Exatamente. Ia ser apedrejado em praça pública, vaiado ao caminhar por aí. E, o pior, não teria a Sula Miranda de brinde.

- Pensando bem, se eu fosse uma cor, seria o rosa. Onde eu retiro a Sula?

- No guichê 4. Mas tem fila. Há uns uns 6 ou 7 caminhoneiros na sua frente. 

- Droga! Se eu fosse o amarelo, não teria de passar por isso. Furaria a fila, pegaria a Sula e ninguém iria reclamar, já que todos gostariam de mim.

- É. E se fosse o verde, poderia matar os caminhoneiros e raptar a Sula.

- Mas como sou rosa, sou obrigado a pegar fila. Que azar, não?

- E você tem escolha?

- Se eu fosse o laranja, tudo seria melhor.

- Por quê?

- Porque eu teria um irmão gêmeo, o abóbora, e poderia brincar com ele por aí. Sempre quis ter um irmão gêmeo.

- Já ouvi falar que eles não são gêmeos. Que, na realidade, quando a cor é bonita, é laranja. Quando é feia, é abóbora. Essa é a diferença entre os dois.

- Bom, mesmo assim eles podem continuar sendo gêmeos. Só que não são gêmeos idênticos.

- É fato. Você trocaria uma Sula Miranda por um irmâo gêmeo?

- Tem fila?

- Acho que não. 

- E esse irmão é rico, bonito, bem sucedido e canta bem?

- Se fosse, teria fila.

- Pensando bem, então, vou para a fila ali da Sula. Até mais.

sábado, 13 de junho de 2009

Os Novos Nomes da MPB

- Tem alguma coisa muito errada na MPB brasileira.

- Além do Ivan Lins?

- Além. Eu acho que o grande problema é o nome das mulheres que cantam. Não combina.

- Como assim?

- A Adriana Calcanhoto, por exemplo. Se eu tivesse algum poder, mudaria o nome dela para Adriana Calcanhota. É mulher, não é? Então devia ser Calcanhota, e não Calcanhoto.

- Por essa sua lógica, a Danny Carlos deveria mudar o nome para Danny Carla.

- É exatamente isso que eu acho. A Marina Lima deveria voltar a ser só Marina. No máximo, e se fizesse uma complicada operação nasal que a deixasse somente com um buraco no nariz, poderia se chamar Narina.

- Ai.

- Pois é. Na minha cabeça, a Marisa Monte, nariguda que é, tinha de se chamar Nariz aos Montes.

- Isso parece piada da MAD.

- Foi lá mesmo que eu li esse comentário sobre a Marisa Monte. Além dela, eu mudaria o nome da Simone para Simeone e a faria se apresentar somente trajando uma camisa da seleção Argentina. 

- E a Alcione?

- Essa eu mudaria o apelido. 

- "A Marrom" viraria o que? "A Marronza"?

- "A Marronza" é legal. Mas eu tinha pensado em "Marrom Glacê". Pronto, acho que o ideal seria "A Marronza Glacêsa".

- Que lindo.

- E a Zélia Duncan?

-Antes de mudar o nome, ela deveria começar a fazer músicas excelentes. Daí, poderia se chamar Zélia Duca.

- A Paula Toller ganharia outro nome?

- Pelas letras que faz, acho que Paula Tola cairia bem. 

- E a Preta Gil?

- Bom, eu estava falando de cantoras da MPB.

- Ué, ela é cantora.

- Sério mesmo?

- É.

- Achei que ela fazia parte do nicho de filhos de famosos que têm nomes que fazem referência a cores e que tentam fazer qualquer coisa somente para ser tornar subcelebridades.

- Bom, ela pode ser isso aí. Mas acho que só tem ela nesse nicho, não?

- Tem também o Moreno Veloso.

- Mas ele é músico. E não dá para considerá-lo subcelebridade e nem celebridade. Ele é só músico.

- Nesse caso, só tem a Preta Gil mesmo. Mas eu não mudaria o nome dela. Acho que combina.

- E o nome das filhas da Baby do Brasil?

- A Riroca, que virou Sarah Sheeva, a Zabelê e a Nana Shara?

- É.

- Mudaria para Mimi, Bebé e Cocó. Acho que fica melhor. E aproveitaria e mudaria o nome da mãe também. Baby do Brasil ou mesmo Baby Consuelo não combinam.

- E qual seria o nome?

- Baby do Pepeu.

- Mas acho que eles se separaram.

- Tudo bem, ela não é um bebê mesmo. Não podemos levar tudo a ferro e fogo, não?

- É, acho que não.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Inferno, Inverno e Outras Estações

- Depois que eu fui aos Andes, conclui uma coisa: o inferno não é quente, é gelado.

- O Zé do Caixão concorda com você. 

- Como?

- O inferno, nos filmes dele, era gelado. E detalhe: ele usava pipoca para dar a impressão de neve.

- Como é que nevava no inferno se o inferno é coberto?

- Não nevava. 

- E de onde surgia a neve? Ah, já sei, do microondas, já que a neve era pipoca.

- Não, engraçadinho. Não nevava porque a neve SEMPRE esteve lá. E nunca derretia.

- Precisa mesmo usar esse "sempre" em maiúsculas?

- Precisa. É para dar ênfase na argumentação. 

- Ah, tá. São dois bons argumentos esses da neve eterna e do "sempre" com ênfase.

- Obrigado. 

- Mas eu não sei se concordo com você e com o Zé do Caixão. Eu acho que o inferno de dia é quente, quente, quente. À noite, frio, frio, frio. Não há uma temperatura só, não. Há duas. E extremas.

- Você acha que o inferno é o deserto do Saara?

- Mais ou menos isso.

- Mais ou menos, não. Exatamente o Saara. Pelo cenário que você pintou aí, o inferno é o Saara, mas sem areia.

- Ah, mas eu acho que não tenha areia mesmo. Acho que de dia, quando é quente, o inferno é forrado com carpete. À noite, quando faz frio, substituem por uma fina chapa de alumínio recorberta pela pipoca.

- O pessoal da construção civil trabalha bastante lá, né?

- Depois que o Sérgio Naya morreu, as coisas melhoraram bem nessa área por lá. 

- Sei.

- E vou além, hein. À noite, quando faz frio, de 15 em 15 minutos vem alguém e te joga um balde de água no corpo. 

- Eita!

- E de dia, quando faz calor, te obrigam a usar casaco de peles e cachecol.

- Nossa! E o que te dão para comer? O pão que o diabo amassou.

- A piada é boa, mas não condiz com o que servem nas refeições.

- E o que é?

- Pipoca fria e amanhecida. Pode ser adquirida diretamente do chão mesmo.

- Mas que inferno, hein!

- Ele não tem esse nome por acaso.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Zona Leste e Outros Contos

- Ontem me perdi na Zona Leste. E o pior: era madrugada.

- Não fala besteira.

- Tá duvidando?

- Lógico que estou. Se você tivesse se perdido na Zona Leste de São Paulo, não estaria aqui agora, vivo, para contar história. Seu corpo iria aparecer boiando em algum lugar por aí e não se falaria mais nisso.

- Bom, podemos dizer então que dei sorte. 

- Sorte? Ninguém que se perde de madrugada na Zona Leste sai impune. Se você se perdeu e não foi atacado, esquartejado, guspado ou esfaqueado, deve ter trazido contigo alguma maldição bizarra.

- Guspado?

- É. Vem de guspe. Guspado é o estado em que você está depois que cospem em você.

- Não seria cuspado?

- Seria se a origem da parada, o cuspe, no caso, não viesse do esôfago.

- Mamãe!

- Pois é. De qualquer forma, se você não foi atacado, esquartejado, guspado ou esfaqueado, é batata que alguma maldição colou em você. Logo mais começam a cair seus dentes e você terá uns 23 anos de azar.

- Mas olha, para ser honesto mesmo, eu não cheguei bem a me perder. Eu fiquei na dúvida entre ir para a esquerda ou para a direita em determinado momento. Aí, apareceu uma mulher grávida e eu perguntei o caminho e ela me ajudou.

- Uma mulher grávida?

- Isso.

- Deus, essa maldição tá piorando. Já já, seus cabelos começam a cair. E vão aparecer umas espinhas do tamanho de um pires no seu rosto.

- Credo!

- Era uma encruzilhada o local que você encontrou essa grávida?

- Acho que era.

- Deus Todo Poderoso! Recomendo um banho de sal grosso imediatamente. E coloca uma arruda atrás da orelha.

- Mas eu estou me setindo tão bem.

- Isso é o que você pensa. Começa disposto, alegre e bem de vida. Quando vê, tá magro, sem dente, sem cabelo, sem vontade de viver e casado com um clone do Maguila, mas do sexo feminino. 

- Deus!

- E vou além, hein, sai de perto de mim. Que esse tipo de zica pega.

- Mas olha, pensando bem mesmo, não era Zona Leste muito leste. Era quase São Caetano. Mais: não era tão madrugada, o relógio marcava pouco depois das 11 da noite. E, talvez, não fosse uma grávida, mas uma mulher gorda. Posso também ter me enganado quanto à encruzilhada: acho que era uma reta. E bem longe de qualquer esquina. Se fosse esse o panorama, eu me livraria da maldição, não?

- Você tá falando isso só para diminuir o medo, né?

- Estou.

- Bom, beleza. Se o panorama fosse esse, então eu acho que não rolaria maldição mesmo.

- Oba!

- Mas de um mau olhado você não escaparia. 

terça-feira, 9 de junho de 2009

Ouça o que eu digo, não ouça ninguém

— O que você acha que o Humberto Gessinger quis dizer com “A Líbia é bombardeada, a libido e o vírus/O poder e o pudor, os lábios e o batom”?

— Foi o Humberto Gessinger quem disse isso?

— Foi, na letra de Alívio Imediato.

— Pensei ter lido exatamente a mesma coisa no livro em que aprendi a ler. Mas acho que estou confundindo com a frase “Vovó viu a uva”. Que, aliás, faz mais sentido.

— Mas veja bem, se formos analisar, isso que ele diz é uma clara referência à falta de segurança na sociedade moderna, seja por conta da estupidez humana, dos jogos do poder que levam a tantas mortes, ou seja pelo aparecimento de doenças como a AIDS, que impedem que as emoções mais primitivas aflorem naturalmente e permitam o equilíbrio na Terra.

— Não consegui prestar atenção na sua explicação. Como você começou a frase com “Veja bem”, logo de cara eu conclui que o que viria depois era besteira.

— Então toda frase que começa com “Veja bem” é besteira?

— Repare, é um recurso muito usado.

— Via de regra, as pessoas que dizem isso estão querendo expor um pensamento.

— Parei de prestar atenção depois do “Via de regra”.

— Eu diria então que...

— Blá, blá, blá.

— Seguindo essa linha de raciocínio, eu...

— Pffffff.

— A Líbia é bombardeada, a libido e o vírus/O poder e o pudor, os lábios e o batom.

— Rapaz, isso sim é bonito, hein? Que coisa mais linda.

— Mas foi justamente sobre esses versos do Humberto Gessinger que começamos a conversa.

— Que conversa? Parei de prestar atenção quando você me perguntou o que eu achava sobre alguma coisa...

Mais Superpoderes e Coisas do Tipo

- Se eu tivesse um superpoder, queria mesmo era fabricar cabides instantaneamente assim que eu precisasse, ao abrir um guarda-roupas?

- Para que isso? Você tá sem cabide em casa?

- Não. Eu tenho até que muitos cabides. Mas eu queria esse superpoder só para o caso de eu precisar virar arrumadeira algum dia. Aí, já estaria preparado.

- Mas esse superpoder é muito inútil. O máximo que você conseguiria com ele é mudar de profissão.

-Isso depende. Se meu superinimigo fosse o homem-armário, eu poderia combatê-lo com meus cabides.

- Você iria dar cabidadas nele até matá-lo?

- Não. O homem-armário somente poderia ser derrotado quando alguém conseguisse pendurar cerca de 100 cabides em seu interior. Nesse caso, eu seria a única pessoa do mundo a conseguir esse feito.

- E que mal às outras pessoas o homem-armário faria?

- Não faria malefício algum, porque com meu superpoder eu o impediria.

- Mas no caso você estar ocupado, o que ele faria de mal até você aparecer?

- E por que eu estaria ocupado? Eu seria um superherói fajuto, que somente fabricaria cabides. Acho que teria muito tempo livre. Assim, quando o homem-armário aparecesse, eu estaria pronto para combatê-lo.

- E sua identidade secreta seria o que? Camareiro de algum hotel de luxo?

- Camareira mexicana de algum hotel de luxo.

- Por que camareira e não camareiro?

- Identidade secreta. Acho que a mudança aparente de sexo ajudaria.

- E por que mexicana, meu Deus?

- Sempre quis fazer a siesta depois do almoço. Ah, e não precisaria aparar o bigode para convercer os outros que sou mulher.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Lutas, Brigas e Tretas

- Bicho, dá uma olhada nisso.

- Nisso o que?

- Peraí, deixa eu abrir a camisa para você ver.

- Eu tenho a impressão de que nada que você tenha sob a camisa vá me interessar.

- Bom, agora já abri. Olha isso aqui.

- Credo! Te morderam no peito!

- Exatamente. Olha as marcas de dente. E esse roxo. Foi da sexta para o sábado, de madrugada.

- Você pegou alguma maluca sado-maso?

- Ninguém mais fala sadomasô.

- Eu falo. Raramente, mas falo. E então, foi alguma maluca sádica?

- Você não quer dizer sadomasô?

- Não. Eu disse que só usava a expressão raramente. Já a usei hoje. Agora, só em dezembro. Mas diga, quem foi a fulana?

- Fulana nada. Foi um alemão louco.

- Nossa, você virou florzinha?

- Ninguém mais fala florzinha. 

- Eu falo. Raramente, mas falo. E então, você virou florzona?

- Ai, ai.

- Não vai repsonder?

- Pior que não virei florzona. Sei lá porque, resolvi lutar judô com um alemão louco na madrugada de sábado para domingo. Quando percebi, depois que dei um ippon nele, ele me mordeu.

- A dentição dele deve ser forte, não? Para atravessar o quimono e te ferir...

- A gente estava sem quimono. Como foi uma luta de ocasião, eu usava uma camiseta normal mesmo. Ele também não usava um quimono.

- E usava o que?

- Nada.

- Como assim "nada".

- Ele estava sem camisa.

- Sei. E onde vocês arrumaram um tatame?

- Não tínhamos um tatame. Usamos o chão mesmo. De vez em quando, nos apoiávamos na cama ou na mesa de carteado, na qual uma galera jogava truco. Eu só descobri que era truco depois do ippon. Eu achava que os gritos eram de incentivo para a luta.

- Olha, se não tinha quimono, nem tatame, nem faixa, e tinha um alemão em vez de um japonês na parada, acho que não era judô, não. E vou além, você perdeu a luta.

- Mas eu dei um ippon!

- Não, não. Você estava brigando, não lutando judô. E briga não tem regra. Deu o ippon e tomou uma mordida. No desempate, como isso aí no seu peito deve estar doendo ainda, você perde. Aposto que o alemão louco não está dolorido no momento.

- Eu não sabia que briga não tinha regra. Se soubesse, tinha dado com o volume A-C da Barsa na cabeça dele, em determinado momento. Dava para até mesmo virar a instante no alemão. Até pensei nisso, mas como achei que fosse judô, não quis infringir as regras.

- E por isso perdeu. 

- Se eu soubesse, ia até a cozinha, pegava um limão, cortava ao meio, voltava e esfregava no olho do alemão. Isso valeria, né?

- Claro. Briga não tem regra. Judô, jiu jitsu, taekwondo e mais outras coisas, sim. Isso aí, não.

- Droga. Valia até estilingada?

- Não, nesse caso não. 

- Por quê? Estilingue entra na categoria de tiro ao alvo?

-Estilingue, tijolada, pedrada e outras coisas de atirar entram na categoria treta à distância. E vocês estavam bem agarrados, não?

- Sim. 

- Ui! Florzinha.

- Ei, você disse que usava raramente essa palavra.

- É mesmo! Inferno. Agora, só em 2022.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Estátuas Luteranas

- Quanto maior a escadaria, maior a importância do santo que fica no topo dela.

- Provérbio católico?

- Não. Eu estava pensando nisso outro dia, porque subi uma escadaria danada que dava em um mirante e, quando cheguei lá em cima, encontrei uma estátua da Virgem Maria com Jesus no colo. 

- E?

- E que eu acho que se fosse só de Jesus ou só de Maria, a escadaria teria a metade do tamanho. Mas como eram imagens de ambos juntos, o sacrifício´para chegar lá tinha de ser maior.

- O Cristo Redentor, do Rio de Janeiro, não tem uma escadaria tão grande. E dá para chegar de escada rolante, eu acho. 

- Ah, mas aí essa estátua já sai da alçada da religiosidade. Funciona mais como ponto turístico mesmo. E, como ponto turístico, quanto mais fácil o acesso, melhor.

- Sei.

- No caso, nessa escadaria aí que eu falei, não era um ponto lá muito turístico, era mais religioso mesmo. 

-Pela sua lógica, umas estátuas com todos os integrantes da Santa Ceia deveria ficar na lua.

- Ou no topo do World Trade Center, mas só seria acessível por escadas.

- Que Deus o tenha.

- Quem?

- O World Trade Center.

- Já uma estátua do São Dimas ficaria sobre uma calçada. No máximo, sobre dois degraus. Mas no nível do mar.

- Quem é São Dimas?

- Sei lá. Mas me pareceu nome de santo sem importância.

- É engraçado mesmo o fato de nunca ter uma estátua de mulatas e do Sargentelli no topo de uma mega-escadaria, né?

- Aliás, uma estátua é relativa a representação de uma pessoa ou várias pessoas podem compor uma única estátua?

- Não entendi. Exemplifique, por favor.

- Se há uma representação em pedra do João Penca abraçado em um dos Miquinhos Amestrados, trata-se de uma estátua ou de duas estátuas em uma única?

- Acho que é uma bistátua. É uma variação de estátua, mas com duas pessoas.

- Tristátua seria uma estátua formada por três pessoas?

- Sim. Quadristátua, pentástua e assim por diante.

- E quando há mais elementos em cena, como um cão, uma banca de frutas, uma carrinho de mão, um relógio retorcido? Como é o nome disso?

- Bagunçástua. Ou lixo mesmo.

- Imaginei.