domingo, 27 de dezembro de 2009

O Caso Sean Deveria Ser Resolvido no Ratinho

- E aí, como foi o Natal?

- O Natal em si, foi ok. Já os traslados, um tanto estranhos.

- Resuma.

- Bom, peguei o ônibus rumo ao Paraná na Barra Funda. Foi quando descobri que a Barra Funda é mesmo muito, muito funda. 

- Por quê?

- Cheguei cedo para esperar o ônibus e sentei no chão, com minha mochila ao lado. Aí, à minha frente, uns dois metros, notei uma moça até que bem feia que ia começar a comer uma coxinha.

- Sei.

- Entrei em uma espécie de transe hipnótico a observando. Só despertei porque uma freira com uma costeleta enorme, que bem poderia ser confundida com o Elvis disfarçado de religiosa, tropeçou na minha cabeça.

- Devo dizer "que sorte" ou "que azar"?

- Sorte. Porque quando acordei, vi que se passara uma hora e estava quase no momento de pegar o busão.

- Rapaz, a irmã Presley te salvou.

- Sim. E mais: quando olhei para a frente, a mulher ainda estava na METADE da coxinha. Vai comer devagar assim no inferno.

- Não blasfema. A irmã Presley não ia curtir. Te daria uma bica na cabeça com sapato de camurça azul se ouvisse você falando isso. 

- Na volta da viagem, a coisa foi um pouco mais estranha. O ônibus quebrou duas vezes, conheci um declamador fanático que sentou uma cadeira atrás da minha e, ao meu lado, veio uma caixa lacrada com silvertape. Às vezes, o que quer que houvesse lá dentro rosnava.

- Credo.

- E quando rosnava, saía uma aguinha debaixo da caixa. Acho que era baba do que quer que estivesse rosnando lá dentro.

- Deus! E não dava para trocar de lugar?

- O único lugar disponível no ônibus todo era ao lado do declamador fanático. Preferi pegar hidrofobia daquilo que estava rosnando e babando dentro da caixa do que ouvir, por 12 horas, como o tal declamador era bom em fazer dobraduras com canudos plásticos.

- Ele falava isso?

- Ele falava sobre tudo. Mas olha que interessante: na segunda vez que o ônibus quebrou, estávamos pertinho, a uns 30 minutos, da rodoviária. O motorista conseguiu estacionar na frente de um batalhão de polícia, na marginal Tietê. 

- Sei. 

- Aí, todos descemos e esperamos o busão reserva. Mas uma loira que estava com mais pressa, ligou para o namorado buscá-la. Chega o namorado para pegá-la em um carro sem placa. Pronto, a poícia foi lá averiguar o cidadão. 

- Que sinuca!

- Aí checa documentos, revista o caboclo. Em resumo: o cara que ia dar carona para a namorada teve o carro apreedido e teve que esperar o ônibus reserva, como todo mundo, para ir embora.

- Hahaha. Que ironia.

- Sabe o que é pior?

- O que?

- Já te falei que o único lugar vazio no ônibus era do lado do declamador fanático? Então, adivinha onde o coitado do carro apreendido teve que sentar...

- Rapaz... e eu perdendo tudo isso, somente acompanhando o caso Sean Goldman.

- Ah, eu só acompanhei por 2 minutos, depois do desfecho. Uma pena, já que eu queria mais informações sobre o assunto. Gosto muito de casos envolvendo barracos de família.

- Eu também. Acho que a TV ficou mais pobre depois que o programa do Ratinho parou de fazer os testes de DNA.

- "E SE FOR TEU? E SE FOR TEU? TESTE DE DNA PRA SABER SE O FILHO É TEU". Essa música era sublime.

- Para mim, o melhor de todos os barracos é o caso Elian. Depois, o do menino Pedrinho. Esse do Sean fica em terceiro. 

- Mas na minha cabeça, tinha um jeito de revolver o problema rapidamente. É simples: duas famílias de países diferentes querem a custódia da criança? Então vai para o país melhor. No caso Sean, tá na cara que devia ir mesmo para os Estados Unidos.

- Hummm.

- Agora, se o pai fosse boliviano ou peruano, daí o Sean deveria ficar no Brasil. Simples assim. 

- E se o pai fosse mexicano e a família, brasileira?

- Aí, apelamos para a sabedoria de Salomão e dividiríamos a criança em questão. Azar dela se os dois países são tão semelhantes. 

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Colaborou, voluntaria e anonimamente, com medo de processos, LS.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Camisa do Flamengo, dias 5,6 e 7

- Finalmente apareceu sem a camisa do Flamengo, hein. Aguentou uma semana certinho, parabéns.

- Obrigado.

- Aliás, eu, se fosse você, ainda a usaria mais um dia. Só de farra.

- Pensei nisso. Mas a Dalva não deixou. 

- Quem é Dalva?

- A mulher que limpa minha casa e lava minhas roupas faz uns 10 anos. No meio da semana passada, depois de me ver sair uns 3 dias com a camisa do Flamengo, ela me ameaçou. Disse que se me visse saindo de casa mais um dia com aquela camisa, ia arrancar à força.

- E essa Dalva tem força para isso?

- Olha, o braço dela dá minha coxa esquerda. Eu já a vi fazendo faxina. Levanta um sofá inteiro com o braço que é o dobro da minha coxa.

- Você disse que era do tamanho, não o dobro.

- Um deles é do tamanho. O outro, o dobro. Ela tem dois, sabe?

- Sei.

- Além do que, uma vez ela deu um cacete no marido que havia acabado de sair da cadeia. Depois de resistir um pouco, achei por bem tirar a camisa antes que eu apanhasse.

- Ela desceu a lenha em um presidiário?

- Ex-presidiário. Mas que antes de tudo era marido dela e se ela não tem direito em bater no próprio marido, quem teria?

- É. Taí um ponto. 

- Então, daí eu sei que ele ficou preso por umas barbaridades que fez. Foi solto e a primeira coisa que fez foi ir para casa. A Dalva deu tanta frigideirada nele que a primeira noite fora da cadeia ele passou na UTI.

- Então fez bem deixar a camisa em casa. Mas como você passou por ela nesses quatro dias restantes?

- Depois do terceiro dia, quando ela me deu esse choque de gestão, eu passei a planejar a fuga direitinho. Quando ela estava distraída lavando roupa ou no banheiro, eu passava correndo pela sala, disparava portão a fora e só parava na esquina.

- O que fazia você suar mais na camisa, claro.

- Sim. Mas é melhor suar do que sangrar nela. O que, aliás, acabou acontecendo em determinado momento do final de semana.

- Ah, é? Ontem a camisa estava nojenta, mas eu estava evitando falar com você porque estava prendendo a respiração. O que aconteceu sexta, sábado e domingo?

- Como te falei, me meti no churrasco da firrrrrma. Depois tentei emendar um show na própria sexta. Não consegui chegar ao show, mas sim ao Carrefour, onde quase acabei com o estoque de cerveja. De lá, casa. De casa, sábado, confraternização de almoço.

- É muita confraternização, não?

- Sim. O pior é que nessa hora, minha calça, que eu só havia usado no dia anterior, estava mais suja que a camisa do Flamengo. Bom, dessa confraternização, outro churrasco. Daí a gente toma um negócio aqui, esbarra na churrasqueira ali, resolve comer carne crua sangrando, e quando vê, a vaca foi para o brejo.

- Isso quer dizer exatamente o quê?

- Que quando acordei no domingo, achei que houvesse um animal morto na minha cama. E errei por pouco: tinha um animal, mas vivo. De dentro da camisa do Flamengo, jogada no chão, saiu um pombo assim que a peguei para vestir. 

- Credo.

- Daí não tive alternativa a não ser vesti-la e sair pela casa à procura do meu celular, da minha carteira e da minha dignidade.

- Sei.

- Achei quase tudo. A dignidade faltou. Deve ter ficado em algum lugar entre sexta-feira, o Brooklin e minha casa. Me movi o mínimo possível no domingo, porque eu estava passando mal e a camisa, cheirando mal. Até que lembrei o lance de tomar banho com a camisa e aproveitar para lavá-la.

- Pelo que vi ontem, não deu bem certo.

- Deu mais ou menos. No domingo à noite, lavei muito bem. Tirei para dormir e, na segunda, ela estava até ok. O problema foi na segunda de manhã.

- O que rolou?

- Bom, acordei e fiquei à espreita da Dalva. Quando achei que ela tivesse entrado no banheiro, corri para o portão. Só que eu calculei mal e ela estava na cozinha. 

- Mamãe!

- Quando eu passei pela porta da cozinha, ela me viu. Não falou nada. Pegou uma frigideira embaixo da pia e se pôs em meu encalço. 

- Compreendo.

- Corri para salvar minha vida. Já estava cagando e andando para a aposta. Então, tirei a camisa, joguei para trás e continuei correndo. Quando virei, vi que a Dalva não estava mais atrás de mim.

- Não?

- Não. Ela parou na altura em que a camisa estava jogada na rua e sambava sobre ela. 

- Que estranho. Ela não queria lavar? E estava sujando mais?

- Quem sou eu para perguntar. Sei que fiquei da esquina vendo tudo. Ela sambou bem em cima daquele trapo rubro-negro. Depois, deu umas figideiradas no pano e voltou para casa. Eu não queria vir trabalhar sem camisa e também não tinha coragem de entrar em casa e pegar outra roupa. Só me restou vir com a camisa pelo sétimo dia. 

- E mesmo assim, hoje, você queria vir com ela?

- Isso. Achei que, de farra, seria uma boa. Mas a Dalva me pegou antes de eu passar pela cozinha. Como eu estava com essa outra camisa por baixo, entreguei a do Flamengo para a Dalva e vim trabalhar.

- Mas, peraí, agora que estou reparando, essa camisa está meio resgada também.

- É que eu não quis entregar a do Flamengo sem luta. Daí sobrou até para essa coitada aqui.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Vem aqui, Fafi






Camisa do Flamengo, Dia 4

- Vou te dar uma dica para você guardar com carinho.

- Pois não?

- Quando você perder uma aposta e tiver que passar uma semana com a mesma camisa, evite fazer muito esforço físico. Principalmente se estiver nos primeiros dias de uso da porra da camisa.

- Sua muito e fode tudo, aposto. De qualquer forma, está anotado. Evitarei. 

- Ótimo.

- Aliás, sua camisa do Flamengo está bem suja, já. Tem uns pretos onde deveria estar vermelho. Parece graxa. E tem também umas marcas amareladas, que dão a impressão que você rolou no trigo.

- Parece, não. É graxa. Impressão, não. É trigo.

- Onde você se meteu?

- Tinha vendido uma máquina de lavar para um camarada e fui entregar. Nove andares para cima e o elevador estava quebrado. Depois, fui acompanhar uns amigos que estavam fazendo cerveja em casa. Veja bem: fazendo. Não bebendo. Aí eles estavam com problemas para abrir o saco de trigo e resolvi ajudar. Quando eu vi, estávamos moendo trigo, cevada, eu e quase o sofá da sala.

- Imagino o gosto que não vai sair essa cerveja.

- Depois que caiu uma furadeira no meio da água em uma das produções e o resultado até que foi aceitável, acredito que é impossível errar na cerveja a ponto dela ficar pior do que a Kaiser. Se enfiarem o Jô Soares na panela que tem cerveja, nem assim estraga a cerveja.

- Que ideia é essa de fazer cerveja em casa?

- Ah, o mercado do faça-você-mesmo é a nova sensação do momento. Depois que aquele chinês criou seu próprio submarino, não há limites para a bricolage.

- Será?

- É sim. Eu faço parte de um grupo de e-mail que discute a produção de cerveja artesanal. Nem sei bem qual era o assunto em pauta, nem a réplica. Mas veja a tréplica do email que recebi faz uns 10 minutos: "Obrigado, amigo. É a mesma que uso para fazer granola e pão integral."

- Granola não se planta?

- Eu achava que sim. Daí, fui surpreendido novamente. Veja o que descobri: a granola é um composto de cinco cereais torrados - aveia, arroz, trigo, milho e centeio -, misturados com mel ou açúcar mascavo e frutas, como uvas passas, flocos de maçã e castanhas. Se fosse pergunta do milhão, do Show do Milhão, tinha perdido.

- Eu também.

- Lendo, descobri que granola é praticamente Corn Flakes.

- E com essa descrição, nem dá mais vontade de comer granola.

- Eu nunca tive muita.

- Mas agora que sabe que não é natural, talvez agrade mais. Você vive dizendo que prefere coisa tóxica.

- Mas é natural pra porra. Se tivesse chumbo ou pólvora na mistura da granola, aí, sim, eu ia simpatizar mais.

- Caldo de galinha iria bem na granola. Aliás, taí um troço bizarro: caldo de galinha. Principalmente porque não é caldo.

- A gente poderia juntar pólvora, chumbo, bacon e galdo de galinha. Grudar tudo com molho especial do Big Mac. E, assim, criaríamos uma alternativa à granola. Seria a granada.

- Ótimo para café da manha no Iraque. Em tempo de guerra, é excelente. Serve de arma ou de alimento, depende só da situação

- Queria falar um pouco mais sobre o caldo de galinha. Debater o assunto até o limite extremo da exaustão.

- Podemos.

- É que ele é realmente bizarro. Não é caldo. E, por ser quadrado daquele jeito, não pode ser nada, nada, nada natural.

- Os caras pegam a porra da galinha e extraem dela um cubinho daqueles, sabe-se lá como. É muito obscuro esse caldo.

- Deve ser uma máquina que espreme a galinha até sair todo o caldo. Aí, colocam numa forminha, jogam argila e pronto, tá feito o caldo.

- Deve ser uma máquina em formato de Gene Simmons usando salto plataforma.

- Esse é o formato da máquina?

- É. Ele pisa nas galinhas pra tirar o caldo.

- Se as galinha tudo vê isso, nem precisam entrar na maquina. Se espremem sozinhas de medo.
O unico trabalho da maquina, por conseguinte, é fazer os cubinhos.

- Galinha é um bicho medroso mesmo. Se é feito um círculo no chão em volta das penosas, não se mexem. Têm medo do lado de fora. E olha que elas estão vendo o lado de fora.

- O azar delas é que dão um caldo muito saboroso.

- Eu acho muito salgado. Mais ou menos tão salgado como está esse diabo dessa camisa do Flamengo. Quer experimentar?

- Você lambeu?

- Dei uma lambidinha, sem querer. Tava cansado de carregar a máquina, coloquei a língua pra fora e, quando vi, tava com ela salgada, encostada na manga da camisa.

- Éca.

- Mas me deram uma ideia para tentar minimizar o cheiro e a sujeira.

- Espero que funcione, porque você já tá quase cheirando a cachorro molhado.

- Ah, é. Esqueci de mencionar que tomei chuva. Bom, então, a ideia é tomar banho com ela. A regra diz que se quiser lavar, tem que ser no banho. Bom, aí faço isso quando estiver próximo de ir dormir, que é quando posso tirá-la. Ai coloco no varal e no dia seguinte, tá seca.

- Parece que resolve. Vai tentar hoje?

- Não. Melhor amanhã à noite. Porque durante o dia terei um churrasco-escumalha da firma, depois show do Lagunna e a coisa tende a piorar bem. Não quero gastar água à toa.

- Faz bem.

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Nota:

- 99%  do texto acima é, sim, uma autêntica conversa DoisVezesUm, já que as tive com Costela.

- Textos Camisa do Flamengo, dias 5 e 6 devem ficar para o dia 7. 

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Camisa do Flamengo, Dia 3

- Daqui a pouco essa camisa do Flamengo virá trabalhar sozinha.

- Eu agradeceria. A situação já está ficando insuportável e estou em "uma sinuca de bico", como diria aqueles que gostam de frases feitas. Se eu a uso com uma camiseta qualquer por baixo, esquenta muito. Se a uso diretamente sobre o corpo, suo para diabo e ela vai feder e estará inusável na segunda-feira. É uma escolha difícil.

- Isso me lembra a história do garoto que queria comer uma lesma com sal. 

- Que história é essa?

- É uma espécie de fábula, que minha mãe me contava quando me punha para dormir. 

- Não conheço. Resuma para mim, por favor.

- Era uma vez um garoto chamado Arthur. Ele tinha 8 anos e, como tal, vivia enfiando coisas aleatórias na boca.

- Crianças de oito anos enfiam coisas aleatórias na boca?

- Posso terminar a história?

- Claro.

- Pois bem, ele já havia comido terra, tijolo, aspargos. Uma vez, havia até abocanhado um molde da orelha do Carlos Alberto de Nóbrega, feito em gesso.

- Nossa!

- Pois é. Até que um dia ele ficou com vontade de comer uma lesma. Mas achava que seria algo sem graça e pensou em colocar sal. Mas sabia que se jogasse sal no bicho, ele derreteria. Então, ele ficou no dilema: comer a lesma insossa ou tacar sal e ter que se contentar em água de lesma com sal.

- E o que ele resolveu fazer?

- Aí ele resolveu procurar uma lesma e, quando achasse, decidiria. Procurou no jardim de casa até que a encontrou. Parou e ficou olhando para a lesma, para se decidir. 

- E o que decidiu?

- Passou muito tempo pensando. Pesou prós e contrar. Pensou, pensou, pensou.

- E a lesma não fugiu nesse meio tempo?

- Lesma é um negócio bem lento, como você deveria saber.

- Não sabia.

- Pois é. Então, depois de muito pensar, desistiu da lesma, do sal, de colocar coisas estranhas na boca. Saiu do jardim, arrumou um emprego, casou e, hoje, é um feliz contador que mora em Diadema.

- Ele era uma criança e arrumou emprego?

- Não. Como eu disse, ele pensou muito. Foram anos pensando. Daí, quando se decidiu, tinha já uns 25 anos e estava na hora de trabalhar.  Saiu de casa, alugou um apartamento em Diadema e virou contador.

- Isso não é uma fábula, não é? Você acabou de inventar, não foi?

- Foi. Mas achei que era uma boa história para te contar e te dar alento.

- Alento? Qual seria a moral da história? O que isso tem a ver com a camisa do Flamengo que uso?

- Que você tem tempo para decidir se usará uma outra camisa por baixo pelos próximos dias ou não. E, se não se decidir até os 25 anos, pode virar contador em Diadema.

- Mas eu já tenho 30.

- Nesse caso, se deu mal.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Camisa do Flamengo, Dia 2

- Ainda com essa camisa do Flamengo?!

- Aposta é aposta, meu chapa.

- Vai usar direto, uma semana mesmo?

- Vou sim. 

- Você poderia aproveitar, já que vai ter que usá-la mesmo, e tentar fazer umas combinações de roupa. Sapato vermelho e calça preta, calça vermelha e sapato preto. Tudo preto. Seria legal ir variando.

- Olha, considerando queesta  é mais uma semana de confraternizações, não sei se é o caso de usar preto e vermelho. Na segunda-feira que vem, último dia do pagamento da aposta, essa camisa será a coisa menos vermelha no meu corpo. É certeza.

- É. Ela vai estar zuadaça e puída. Mas pelo menos você pode lavá-la, para não ficar tão fedida.

- Nem isso posso fazer direito. Tem uma cláusula da aposta que somente permite que eu lave esse diabo de camisa embaixo do chuveiro, enquanto tomo banho. Isso, se eu quiser. Ainda não decidi se é uma boa.

- Uma vez, eu e um amigo apostamos quem conseguia ficar mais tempo, durante um carnaval qualquer, sem tomar banho de chuveiro. Sempre que precisássemos, entretanto, poderíamos tomar banho de piscina. 

- Quem ganhou?

- Eu perdi. No quarto dia, não aguentei.

- Tomou banho de chuveiro?

- Nada. Mas levei um xampu para a piscina, para lavar a cabeça. Foi considerado doping e fui desclassificado.  

- Uma vez, em uma turnê ao sul do Brasil, Argentina e Uruguai, fiquei 30 dias com a mesma camisa. 

- Aposta também?

- Não. Bobiça mesmo. Mas eu podia lavar a roupa, pelo menos.

- E você lavava com que frequência? 

- Nenhuma. No único dia que achei a camisa realmente precisava de uma higienização, estava em um hotel que faltou água. Daí, achei uma bíblia.

- E rezou para voltar a água?

- Não. Achei que se colocasse a camisa no meio das páginas da bíblia e a camisa pernoitasse ali, no dia seguinte estaria cheirosa. Sempre tive fé no desconhecido, sabe?

- E ela saiu limpa?

- Nem limpa, nem cheirosa. Mas a bíblia ficou meio prejudicada, em relação a odores diversos. Ela só não ficou inutilizada porque havia uma mesa manca no quarto. 

- Você usou a bíblia para rezar para um marceneiro entrar e consertar a cadeira?

- Não. A usei de calço mesmo.

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Colaboração de @vivoandando em algumas frases e de @binson, que apostou o lance da piscina comigo.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Camisa do Flamengo, Dia 1

- Por que diabos você está vestindo uma camisa do Flamengo?

- Uma aposta que fiz sobre futebol, no auge do campeonato.

- No auge do Campeonato Brasileiro?

- Também. Mas, nesse caso em especial, era praticamente o auge de um campeonato de ingestão de cana. Eu estava daquele jeito, com um pé na jaca e com o outro na lama.

- Sei bem.

- Apostei com um amigo que se o Flamengo fosse campeão, eu iria usar uma camisa do Flamengo uma semana, sem tirar. Só posso removê-la para tomar banho e dormir. Apostei também que nunca mais iria falar mal do Zico se o Flamengo beliscasse o caneco. 

- E você vai conseguir cumprir as promessas? Porque não falar mal do Zico é complicado, já que ele era fominha, pé frio, perdedor de penalti nato, jogador de Maracanã e, por fim, invenção da Globo.

- Bom, a aposta era a seguinte: esse meu amigo me daria uma camisa escrito "Zico" atrás se o Flamengo ganhasse. Aí eu a usaria por uma semana e não falaria mais mal dele. Como ele só arrumou uma escrito "Adriano", acredito que ele não fez a parte dele. Logo, só farei meia parte minha: a de usá-la uma semana. Quanto ao Zico, continua tudo igual.

- E esse seu amigo é Flamenguista doente?

- Ele é doente. Mas 33% doente pelo o Flamengo, 33% doente pelo o Vitória da Bahia e 33% doente pelo Palmeiras.

- E o 1% restante?

- Acho que ele tem tosse. Fuma muito. Fica com 1% doente de tosse, pelo cigarro.

- Você tem sorte. Uma vez, no auge de uma bebedeira, fiz uma aposta idiota e tive que ir trabalhar uma semana vestido de camponesa.

- Deus! Já vi que estou no lucro. O que você apostou e perdeu?

- Comentei que estava meio manguaçado, né?

- Sim.

- Bom, então não me julgue.

- Ok.

- Apostei que eu não teria coragem de ir trabalhar vestido, uma semana, de camponesa.

- Esse não foi o pagamento da aposta?

- Então. Eu apostei com um monte de gente que eu não teria coragem de ir trabalhar vestido uma semana de camponesa. E disse que, caso perdesse a aposta, para pagá-la, eu iria trabalhar uma semana vestido de camponesa.

- A aposta e o pagamento da aposta eram a mesma coisa? Como você é burro!

- Cala a boca, "Adriano".

- Não provoca, camponesa.

- Dorothy, por favor.

- Como é?

- A camponesa. Apostei que além de trabalhar trajado de camponesa, as pessoas iriam me chamar de Dorothy. E me chamam mesmo.

- Te chamaram, você quer dizer.

- Por uma semana, eu usei a roupa. Mas o apelido... ah, o apelido. Quando a gente reclama de apelido e vai chorar no banheiro no final da tarde por causa dele, aí é que pega mesmo.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

O Que Diabos é Imbuir?

- Acabo de gastar R$ 50 em uma loja de macumba. 

- Comprou o quê? Uma encruzilhada inteira?

- Umas ervas, só. Mas a coisa tá cara. Acho que a crise chegou à macumbaria.

- Por R$ 50, você podia contratar um segurança de carne e osso, acho. 

- E como ele vai me proteger de mau olhado?

- Bicho, você gastou R$ 50 em ervas. Está com mau olhado de quem? Do Delfim Neto?

- Não sei. Sei que acordei meio indisposto hoje e achei que era uma boa idéia comprar uns banhos de 7 ervas.

- Você por acaso resolveu comer um frango com farofa em uma encruzilhada ontem?

- Ontem, não.

- "Ontem, não"!? E anteriormente?

- Não posso precisar. Sabe uma coisa que reparei indo até essa casa de artigos religiosos?

- O quê?

- Que o centro de São Bernardo tem a maior quantidade de pessoas com problemas de locomoção que já vi. No caminho, passei por quatro senhoras de andador, três pessoas com muleta,  sete com bengala e até umas duas pessoas com bota ortopédica. Nem consegui contar o número de mancos que vi. Será coincidência?

- Acho que não. O ar alcalino de São Bernardo deve ter a ver com isso. 

- Como assim? O ar daqui atrai pessoas ou as imbui problemas de locomoção.

- Imbui?

- É.

- Bom, não sei o que isso quer dizer. Mas acho que o ar alcalino é o responsável pelo problema. Provavelmente, ele causa as dificuldades de locomoção. Você, por exemplo, anda extreamente devagar. E nasceu aqui, que eu saiba. 

- Aliás, andar por entre esse tanto de transeuntes com problema de meu uma vontade danada de voar. Cansa esbarrar em todo mundo que se encontra. Os mancos, por exemplo, trombei com todos. Eu sempre achava que eles iam para um lado. Quando eu escolhia o outro, eles me supreendiam novamente. Nunca quis tanto voar.

- Eu sempre quis ser dublador de desenho animado. Mas acho que isso não tem a ver com o assunto.

- Bom, eu pedi a Deus, hoje, para me dar o dom do vôo. Ou, no mínimo, uma perna mais curta que a outra. Assim eu mancaria também e não esbarraria nos meus iguais. Mas Deus não me atendeu porque eu estava muito carregado de mau olhado. 

- E você acha que, depois desses banhos de R$ 50, Ele te dará asas?

- Ou encurtará uma perna, não sei.

- Se alguma dessas coisas ocorrer, me passe a lista dos banhos. Ainda acho que não é tarde para eu virar dublador. Ainda mais com um empurrãozinho divino.

- Pode deixar.

- Mesmo porque já tenho experiência no assunto. Uma vez, fiz um curso semi-profissionalizante na USP. Dublei a professora do Bob Esponja.

- Sério? E foi bom o curso?

- Bom, era um curso de um dia só. Eu gostei. 

- Um dia só?

- É. E nem deu para aprender muita coisa, mas eu gostei.

- Peraí. Sua história começou com um curso profissionalizante na USP. Agora, você diz, praticamente, que esbarrou em um mendigo na rua, ele te pediu cigarro e você respondeu que não tinha imitando a voz da professora do Bob Esponja. Esse papo está estranho.

- "Olá, claaaaaasse. Hoje vamos aprendeeeeer matemááááááática."

- Foi isso que você falou na dublagem de professora do Bob Esponja?

- Não. Isso eu disse para o mendigo que me pediu cigarros. Na aula de dublagem, acho que fiquei envergonhado e não consegui falar nada.

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Colaborações involuntárias de Fábio Primo e Camila Pratti.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Gata Tatu, Cotia Não

- Sempre que minha gata quer entrar ou sair do quarto, ela fica arranhando a porta. Aí preciso levantar e abrir a porra da porta. É um inferno. Não aguento mais e não sei bem o que fazer.

- Você poderia deixá-la do lado de fora. E estaria resolvido o problema.

- Eu estava cogitando implantar polegares nela. Daí, ela não ficaria me estorvando. Abriria a maçaneta sem problemas enquanto eu fico na rede.

- Mas você pode deixá-la do lado de fora também. Isso seria bem mais prático.

- Sim. Mas a longo prazo, ela poderia aprender a usar os polegares para outras coisas. Como pegar o leite na geladeira. Daí, eu não teria que ficar levantando, abrindo a porta do quarto, na sequência, abrindo a porta da geladeira e, por fim,  colocando leite no pote.

- Acho que deixá-la do lado de fora seria uma boa solução para o problema da porta. Dar leite, entretanto, faz parte da tarefa de cuidar de animais de estimação.

- Se ela tivesse polegar, ela também poderia se depilar. Nesse calor, iria bem. E eu não ia precisar ficar depilando-a e cortando os bigodes.

- Você depila sua gata?

- Claro. Ela é menina. E não pega bem uma mocinha peluda zanzando por aí.

- A gata a que estamos nos referindo é um felino, certo? Não é uma garota que você chama de gata, de forma afetuosa?

- É gata mesmo. Do tipo felino. Além do que, com polegares, ela poderia trocar a própria caixa de areia, atender o telefone. Quem sabe, ela poderia até comprar pão. Tudo isso enquanto eu fico deitado na rede.

- Você não quuer um gato, quer uma empregada, correto?

- Eu queria um gato que fizesse as coisas sozinhas. Acho que implantando polegares, ela seria bem auto-suficiente. 

- Sugiro trocar seu gato, sem polegares mesmo, por uma empregada. Ou por uma tartaruga. Elas nunca arranham portas e não bebem leite.

- Nem a empregada nem a tartaruga beme leite ou arranha a porta?

- É.

- Hummm. Bom, vou tentar implantar os polegares. Se não der certo com o gato mesmo assim, aí a troco por uma empregada ou uma tartaruga.

- Troca? Troca com quem? Quem vai querer um raio de um gato com polegares?

- Algum caronista profissional bem preguiçoso, claro.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Post do Resenha em 6. Em várias linhas

- Eita!

- Oi?

- Mano, por que você tá em posição fetal?

- Tava ouvindo o disco "Romântica", da Mara Maravilha.

- E por que seus olhos estão lacrimenjando?

- Tava ouvindo o disco "Romântica", da Mara Maravilha.

- Esse tufo de cabelo aí no chão, é seu também, né?

- Hummm. Acho que... bem... Tava ouvindo o disco "Romântica", da Mara Maravilha.

- Rapaz... e você tá com umas olheiras incríveis. Será também por causa do disco?

- Ah, não, não. Resolvi passar lápis antes de sair de casa hoje, só para ver como ficava. Gostou?

- As lágrimas borraram um pouco. Mas acho que estava até que ok, considerando que você é homem. Olha, acho que, antes do choro e do disco, você estava aceitável.

- Maldita Mara Maravilha

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Deus e o Diabo na Terra dos Gêmeos

- Se eu tiver três filhos, vou dar uma religião para cada.

- Você deve ter um excelente motivo para isso.

- Ô se tenho. 

- E não tem a ver com experiências genéticas, pesquisas com humanos no lugar de camundongos e variantes?

- Não, não.

- Então explique.

- Eu sempre quis saber qual é a religião de Deus.

- Essa é fácil. Ele é ateu. 

- Como?

- Ele não acredita n´Ele?

- Acredita. Mas não se leva a sério. Semi ateu, então.

- E você tem provas disso?

- Não.

- Pois é. Eu queria uma prova da religião de Deus.

- Para?

- Estou ficando velho, sabe?

- Sei.

- Vou morrer logo mais.

- Mas você só tem 30 anos!

- Bom, o mundo anda cada vez mais violento, eu só como bobagens, sou sedentário e moro quase na divisa com Diadema. Não é bom dar sopa para o azar e já estou me preparando. 

- Certo. E o que isso tem a ver com seus três filhos e com a religião de Deus?

- Eu não tenho três filhos.

- Caso tivesse. 

- Ah, sim. Bom, vou morrer sabe Deus quando. E não quero ir para o Inferno. 

- Te conhecendo bem, acho que é tarde demais. 

- Pois é. Me conhecendo bem, acho que posso ir para no Inferno. Mas talvez tenha uma chance no Purgatório e, se meu plano der certo, talvez vá até para o Céu.

- Mas só se você tiver três filhos e der uma religião para cada. Certo?

- Certo! Já te falei essa minha teoria?

- Não, seu debilóide. É que você começou a conversa falando sobre isso.

- Ah, sim. Pois então. Aí, terei três filhos. Um educarei como católico. Outro, como evangélico. O terceiro, como espírita. 

- Não terá um judeu e um mulçumano?

- Não. Para se matar em casa, vai bastar eu e minha futura esposa. Além do que, se Deus é brasileiro, acho pouco provável que seja de alguma dessas duas aí.

- Sei.

- Daí, os criarei cada um com uma religião e observarei de perto o dia-a-dia de cada um por uns 20 anos. Ao final dessas duas décadas, examino quem está melhor no geral, em termos pessoais, profissionais e de time de futebol. Quando concluir quem se saiu melhor, eu me converto à religião dele.

- Você pretende escolher uma religião na base de uma gincana?

- Mais ou menos isso. Mas veja: os três filhos terão oportunidades iguais. Provavelmente, saúde semelhante. Herdarão os mesmos genes. O que os diferirá será mesmo a religião. Logo, só posso concluir que foi Deus quem tornou esse ou aquele melhor nos quesitos gerais. Posto isso, analisando tudo, por meio de matrizes, determinantes, logaritmos e outras marmotas do demônio, concluo qual a religião de Deus. Daí, me converto e, quando morrer, sendo da religião do Homem, tenho boa chance de me livrar do Inferno.

- Supondo que ao fim dos 20 anos os três filhos tenham rigosoamente a mesma renda familiar, esposas semelhantes, empregos que se valham, saúde nem tão boa e nem tão ruim. Você fará o que?

- Te darei os parabéns.

- Como assim?

- Nessas circunstâncias, concluo que Deus é ateu mesmo e paro de acreditar nele até morrer. E, nesse caso, meu caro, você já estará no céu. Ou onde quer que Deus queira te levar.


segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Hahahahaha

- E o Palmeirahahahahaahahahahahahas hein?

- O que tem o hahahahahahaha?

- Hahahahahaha.

- Hahahahahaha.

- Hahahahahaha.

- Hahahahahaha.

- Ai, ai. Agora perdeu a gra... hahahahaha.

- Hahahahaha.

- Hahahahaha.

- Ai. Dói a barriga. Agora acho que... hahahahaha.

- Hahahahaha.

- Hahahahaha.

- Então, já te falei que... hahahahaha.

- Hahahahaha.

- Hahahahaha.

- Hahahahaha.

-  E é melhor torcer pro Asa de Arapiraca não pintar na Copa do Brasil.

- "Aqui é papelão, meu filho!"

- Hahahahaha.

- Hahahahaha.

- Chega. Tô passando mal.

- Tá. Mas daí eu tava lendo que o Internacional quer contratar o Luxa para ganhar a Libertadores.

- O Luxa? Hahahahaha.

- Hahahahaha.

- Hahahahaha.

- Tô até chorando. 

- Isso porque você não é palmeiren... hahahahahaha.


quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Luiz Lombardi, Leila Lopes e outros LLs

- Ontem foi o Lombardi. Hoje, a Leila Lopes. Percebeste alguma coincidência nisso?

-  Coincidência?

- É.

- Que morreram duas personalidades que já fizeram filme pornô?

- O Lombardi já fez filme pornô?

- Não sei. Estou chutando.

- Bom, para mim, a coincidência é que ambos começavam seus nomes com dois éles. Luiz Lombardi. Leila Lopes.

- Nesse caso, se eu fosse o Leão Lobo, estaria cagando de medo.

- E se eu fosse a Luma de Oliveira estaria dando graças a Deus pelo escrivão não ter errado e escrito na certidão Luma de Loliveira.

- A Lindsay Lohan deve estar morrendo de medo também. 

- Mas ela não deve estar sabendo das mortes.

- Só porque é americana e brasileiro é lixo para ela?

- Não, não. Porque, a essa hora, deve estar chapada demais para saber que está viva. Quanto mais, no planeta Terra.

- Pior é que tem um filme pornô como ela, não tem?

- Tem umas cenas de sexo aleatórias, meio softcore, espalhadas pela internet. Tem também um filme pornozão mesmo com uma sósia dela.

- Nossa mãe! Então isso só prova uma coisa.

- O quê? Que ela é a próxima da lista e que a Dona Morte está atrás de atores pornôs?

- Isso. E que o Lombardi deve ter feito algo do gênero em algum momento da carreira.

- É fato. E nunca ninguém descobriu porque nunca ninguém nunca tinha visto o Lombardi. É o crime perfeito.

- É o que eu sempre digo: ninguém narra tanto roletrando impunemente. Nesse mato tinha coelho e, quando a Dona Morte percebeu, já era. 

- Será que o Leão Lobo tem alguma sex tape por aí?

- Se tiver e a Morte a assistir, estamos todos salvos. Incluindo aí atores pornôs que comecem com LL

- Por quê? Ela não vai levar o Leão?

- Assistir uma sex tape do Leão Lobo deve ser demais até para a Morte. No mínimo, fica cega. No máximo, tem um AVC e só não morre porque ela mesma não vai ter condição de se levar por ter tido o AVC antes de beirar a ela mesma, ou melhor, a morte. Logo, ficará inutilizada para sempre e nunca, nunca mais, ninguém vai morrer. Haverá uma superpopulação no mundo e acabarão os mantimentos e tudo mais. A coisa ficará bem apertada, literalmente. Vai ser um inferno.

- Então quer dizer que o Leão Lobo será nosso salvador e, ao mesmo tempo, nosso algoz?

- Isso. 

- Credo. Espero muito que ele nunca se filme transando.

- Dois.

- ...

- Ou melhor, três.

- Três?

- É. Eu, você e a Dona Morte, que Deus não a tenha.

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Colaborou uma amiga do Juliano.


quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Detalhes Tão Pequenos de Roberto e Chico

- Roberto ou Chico?

- Que Roberto, que Chico e o que você está me perguntando?

- Quem você prefere musicalmente, Roberto Carlos ou Chico Buarque?

- Roberto. Sem pestanejar.

- Como atributo físico, perna mecânica ou olhos verdes?

- Perna.

- Para casar, Maria Rita ou Marieta Severo?

- Maria.

- Como melhor amigo, Erasmo Carlos ou Francis Hime?

- Erasmo.

- Para nascer, Cachoeiro de Itapemirim ou Rio de Janeiro?

- Cachoeiro.

- Jovem Guarda ou música de protesto?

- Jovs Guardas.

- Rapaz, você prefere mesmo o Roberto, hein?

- É. Só ia ficar na dúvida se você perguntasse "Detalhes ou Trocando em Miúdos".

- Ah, mas nessa quem não tem dúvida, sou eu: Destalhes na cabeça. Por que você não se decidiu?

- É que tem um verso em Detalhes que eu acho que poderia ficar melhor se fosse de outro jeito. Já Trocando em Miúdos eu acho irretocável.

- Que verso?

- Na hora que ele diz "Duvido que ele tenha tanto amor E até os erros do meu português ruim".

- Sei.

- Eu trocaria o "Até os erros do meu protuguês roim". Pra deixar bem claro que o português dele é ruim. Já Trocando em Miúdos não tem o que tirar nem por. 

- Não acho. Eu trocaria um verso dela.

- Qual?

- Sabe a parte que o Chico diz "devolva o Neruda que voce me tomou e nunca leu"?

- Sim.

- Trocaria por "devolva o Almanacão de Férias da Turma da Mônica que você me tomou e nunca leu". Acho que ficaria melhor.

- Sem dúvida, ficaria. Mas aí você poderia trocar o "nunca leu" por "leu de cabo a rabo e mais de uma vez". Afinal, quem resiste a um Almanacão de Férias da Turma da Mônica?

- É verdade. Vou mandar um email para o Chico sugerindo a alteração na letra.


quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Borboleta Azul na Virilha do Cavalo Doido

- Te falei que outro dia, enquanto eu tirava um cochilo no sofá da sala, acordei com um relincho?

- Agora, além de roncar como um porco, você também está relinchando dormindo?

- Não. O relincho não era meu. Acordei assustado, corri para a janela da frente e dei de cara com um cavalo andando na minha garagem.

- Bem feito. Não sei porque você tem uma garagem para três carros e vive estacionando do lado de fora.

- Preguiça de descer do carro, abrir o portão. Voltar para o carro, entrar com ele. Descer e fechar o portão. É tão mais prático descer, abrir o portão e entrar.

- E o que você fez com o cavalo?

- Nada. Voltei para o sofá e meia hora depois, quando fui ver se ele ainda estava lá, tinha se mandado. 

- Aliás, como ele passou pelo portão.

- Eu o tinha deixado meio aberto. Fiquei com preguiça de fechar por inteiro da última vez que passei.

- Com essa preguiça toda, nnão era à toa que você estava dormindo no sofá. Deve ter ficado com preguiça de ir ao quarto.

- Exato. Mas a história com cavalos não termina aí. Acordei com o relincho, na semana passada, certo? Pois bem, hoje, estava vindo eu para o trabalho quando um senhor que ia passando me pergunta se eu havia visto dois cavalos soltos correndo por ali.

- Detalhe para DOIS, e não UM cavalo. Outro ponto a ser observado: eles estavam SOLTOS. 

- Pois é. Achei muito estranho isso. Até conclui uma coisa.

- Que você é vizinho do Chico Bento?

- Não. Que devo jogar no bicho. No burro, já que não tem cavalo nesse jogo. Sabes onde tem uma banquinha por aqui?

- Tem uma descendo umas duas ruas, à leste.

- À leste? Ui!

- Vou ignorar seu comentário. Mas, se você for, aposta uns R$ 5 para mim na múmia de biquini.

- Como é?

- Já te falei que na minha rua tem uma senhora de uns oitenta anos que se veste como a Nana Gouvea quando está disposta?

- Acho que já. É uma espécie de mistura de biovéia com paquita erótica, não é?

- Pois é. É uma véia que tem o cabelo descolorido e devia ser bem feia quando era jovem. Agora, com oitenta anos e mostrando todas as carnes, está um pouco pior. 

- Você a hostiliza quando a encontra na rua? Poderia chamar o pessoal da Unibam para te ajudar.

- Nada. Na primeira vez que vi, mesmo fazendo o sinal do mau olhado para me proteger, perdi o dom da fala por três dias. O da visão, por quatro. Depois de brotoejas, de manquitolar, de ter coceiras, perder peso e apetite, comecei me acostumar. Hoje em dia, não tenho efeitos colaterais quando a vejo.

- Sei. 

- Bom, o fato é que encontrei essa senhora umas 5 vezes só essa semana. Acho que tá na hora de jogar no bicho também. 

- Mas eu não acho que tenha múmia de biquini na tabela do jogo do bicho.

- Então improvisa lá. Joga R$ 5 na borboleta para mim.

- Borboleta?

- É. A véia tem uma borboleta azul tatuada na região da virilha. 

- Nossa. Ela usa mesmo roupas provocantes, hein.

- Provocantes quando está com frio, meu chapa. E por esse dias, tá um calorão.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

O Velho Truque do Pedinte Fanho

- Para você ver como são as coisas: estava quase chegando aqui e um pedinte veio puxar conversa.

- Puxar conversa ou pedir dinheiro?

- Puxar conversa, pedir dinheiro, essas coisas. Como você sabia que ele veio exatamente pedir dinheiro?

- O termo "pedinte" que você usou me deu a dica.

- Ah, mas ele poderia ter pedido qualquer outra coisa. Meu celular, minha carteira.

- Mas aí não seria pedinte, seria assaltante.

- Não seria assaltante se ele pedisse, eu negasse e ele fosse embora. Daí, seria só pedinte mesmo. Mas para você ter uma idéia, eu achei que ele fosse pedir água. Eu estava com uma garrafa na mão e a gente tava sob um sol danado.

- Mas ele pediu dinheiro, correto?

- Sim. Ele disse "tem as moral de me descolar cinquenta centavos para eu inteirar a fraonfsfdsf?"

- A o que?

- Acho que ele disse fraonfsfdsf mesmo. Mas não tenho certeza.

- E o que é fraonfsfdsf?

- Não sei. E, na dúvida, acabei dando R$ 1.

- Ele não havia pedido R$ 0,50?

- Haqvia. Mas não sei quanto custa uma fraonfsfdsf. Vai que é mais caro do que ele imaginava.

- Pode ser. Fez bem.

- Eu gostei muito do comentário dele, depois que eu dei o dinheiro.

- Ele disse "obrigado, sempre quis ter uma fraonfsfdsf fofa"?

- Não. Ele disse "obrigado. Você também está desempregado?".

- O que tem de estranho nisso?

- Ué? O que leva o cidadão a achar que alguém que parou para dar esmola está desempregado?

- Talvez ele ache que há uma certa cumplicidade entre desempregados. Você, ele, uma boa parte da população mundial.

- Mas eu não estou desempregado.

- Eu sei. Mas olha suas roupas. Olha a barba por fazer, o cabelo desgrenhado. A calça puída, que combina bem com a mochila suja, caindo aos pedaços. Você anda meio que mancando e lentamente. Para mim, parece um desempregado.

- Mas eu ando cantando. Sempre sorrindo. Às vezes até me empolgo com o que estou cantando e dou uma reboladinha.

- E tem coisa melhor do que não trabalhar? É um desempregado perfeito e feliz. Ou um lunático.

- Pode ser. 

- Por falar em comentário, lembra que comentei outro dia que meu pai adora futebol, vê todas as partidas possíveis, mas somente faz comentários tipicamente femininos durante os jogos?

- Como elogiar as pernas dos jogadores?

- Não. Nem tanto.

- Então não lembro.

- Bom, mas é isso. Ele faz uns comentários muito estranhos. Ontem, assistia com ele Botafogo-RJ contra a bambizada.

- Sei. 

- Aí, lamentei um gol perdido do Botafogo. 

- E?

- E ele perguntou "você está torcendo para o Botafogo?"

- Seu pai sabe que você é corintiano? 

- Sabe. Aliás, sou corintiano muito por causa dele.

- É. O que você respondeu?

- Disse: "claro pai. Por que eu torceria para o São Paulo?"

- E ele?

- Ele disse: "o São Paulo é de São Paulo. Mas já que você tá torcendo para o Botafogo, vou torcer também".

- É um comentário e uma postura estranha. Mas não é exatamente feminino.

- Não? E se eu te falar que uns 10 minutos depois minha mãe apareceu na sala e perguntou para quem eu estava torcendo?

- Bom, aí ou seu pai fez um comentário feminino ou sua mãe tem um comportamento estranho. Pode ser ambos?

- Pode sim. Logo, se vê que você os conhece há tempos.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Olha Quem Apareceu!

- Pior é, nessa altura do campeonato, começar a ter inveja dos santistas.

- Como assim?

- Atualmente, é melhor ser santista do que palmeirense. Olha o papelão que estamos fazendo.

- Você fala sobre os sopapos entre Obina e Maurício?

- Tudo. O time fica em primeiro por duzentas e dez rodadas. Aí, perde ou empata com os últimos times da tabela, o presidente dá uma de chiliquenta sãopaulina por conta de um gol BEM anulado, os jogadores do próprio time saem no braço, e a coisa vai daí para baixo. É por isso que digo: nessas horas, é melhor ser santista. 

- O que o Santos tem a ver com isso?

- Nada. Aí é que está. O Santos tá lá, como sempre, na meiúca da tabela. Os torcedores não esperam grandes coisas e o time corresponde às expectativas. A maior diversão dos santistas é lembrar do Robinho e achincalhar o Kléber Pereira. Isso é o meu sonho, atualmente. É tanta vergonha que o Parmera me dá que já estou pensando em... em... nem sei o que dizer. Em bater no Simon, no Beluzzo, no Obina e no Maurício.

- Por falar em Maurício, você preferia ser um personagem do Maurício de Sousa ou do Gabriel Garcia Marques?

- Você está me perguntando se eu queria ser um personagem fantástico, que pudesse voar, desaparecer no ar, comer tijolos e morrer na primeira página de um livro ou ser uma menina baixinha, gordinha, com um vestidinho vermelho e bem forte? 

- Não, eu queria saber se...

- Não importa. Eu queria ser uma menina baixinha, gordinha, com um vestidinho vermelho e bem forte.

- Deus! Você queria ser a Geisy?

- Claro. Ela está na crista da onda, não está? Entretanto, tem um porém.

- Qual?

- Não queria estudar na Unibam. Aí é muita zoação.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Esqueçamos a Geisy, Por Enquanto

- Você sabia que é impossível alguém se suicidar prendendo a respiração? 

- Sabia. Já tentei fazer isso e fui mal sucedido.

- Você tentou se matar prendendo a respiração?

- Mais ou menos. Eu estava morrendo de soluço. Já soluçava fazia uns 3 dias seguidos. Daí, resolvi prender a respiração a sério. A ideia era beirar a morte e parar o soluço ou morrer tentando. Do jeito que ia, não tava dando.

- Obviamente, você não morreu. Logo, se curou.

- Não. Quase morri. Mas quando voltei a respirar, o soluço persistiu. Deu tudo errado, em resumo.

- E você desistiu de morrer nesse meio tempo?

- Sim. Quando eu estava quase partido dessa para uma melhor, vi minha vida inteira pela frente. E nesse filme, percebi que ainda não tinha plantado uma árvore, nem escrito um livro e nem tido um filho. Aí, resolvi viver mais para realizar essas três coisas.

- Eu plantei aquelas sementes de feijão no algodão na escola. Também já pichei uns muros e cuidei de um peixinho dourado quando era mais novo. Será que já posso morrer?

- Hummm. Acho que não. No máximo, pode ter um AVC, mas sem comprometer todo seu sistema nervoso. 

- Vixe, então ainda preciso comer muito arroz com feijão para morrer.

- Muito mesmo. Se você tivesse colhido abobrinha em fazendas australianas por seis meses, escrito um blog sobre a experiência e ainda tivesse cuidado de uma das abobrinhas tal qual um filho, vestindo-a com um terninho e levando-a à escola, acho que quebraria seu galho e deixaria morrer. Mas esse seu histórico é uma vergonha. 

- É?

- É. Aceitei o AVC. Mas, pensando bem, isso aí que você fez te garante, no máximo, uma tendinite. Se você morrer hoje, vai ser ridicularizado no Céu. 

- Nossa, vou me cuidar, então. Se eu vou ser ridicularizado em um lugar em que todo mundo usa toga, imagina o que não vão fazer comigo no Inferno. 

- Vão te colocar um chapéu de burro e mandar você ficar no cantão, olhando para a parede. Eu, se fosse você, tratava de ir plantar uma árvore, escrever um livro e fazer um filho.

- Para garantir, estou pensando em plantar umas dez árvores, re-escrever a lista telefônica de Pequim e ter filhos quadrigêmeos. Como eles devem levar, no mínimo, nove meses para nascer...

- No mínimo.

- No mínimo, não vou dar sopa para azar. Vou amanhã em um mercado e sequestrarei umas 3 crianças abandonadas pelas mães nos carrinhos de compra, enquanto elas pegam condimentos em outros corredores. Cuidarei desses pivetes como se fossem meus filhos. Daí, sim, estou garantido. Se for para o Céu, ninguém vai rir de mim.

- Olha, com sequestro de crianças nas costas, acho que você vai pro Inferno.

- Mas ninguém vai me ridicularizar lá, né?

- Não. Talvez você até seja canonizado, de tanto que vão te respeitar. 

- Ótimo. Odeio ser feito de palhaço.

- E se eu pegar essas três crianças e ensinar a bater carteira ou assaltar em farol? O que será de mim no Inferno? 

- Ah, aí é certeza que de canonizam duas vezes. Se pans, até te pagam um salário e te descolam suprimento vitalício de Lucky Strike vermelho.

- Rapaz! E se eu aproveitar, já que vou para o Inferno mesmo, além de escravizar essas crianças, também re-escrever a lista telefônica de Pequim mas com os números todos trocados e plantar, em vez de 10 árvores comuns, 10 plantas carnívoras devoradoras de gente e sedentas por sangue?

- Ah, aí ganha canonização, medalha de honra ao mérito e Hollywood vermelho para toda a eternidade.

- Ah.

- Como?

- Acho que vou só escrever um livrinho mixuruco mesmo, além de regar minha samambaia mais vezes e tratar melhor os gatos que vivem lá em casa. 

- Nossa. Por que essa mudança de feitio?

- Odeio Hollywood vermelho. Éca. 


sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Por que Mosca Tem Asa Se Sabe Voar?

- Pingüim é uma ave ou um mamífero?

- Ave.

- Então, isso quer dizer que...

- Não, não É mamífero.

- Nesse caso, eu diria que...

- Ops. Minto. É ave. Certeza. Pode falar, agora.

- Pois é, como eu ia diz...

- Não. É mamífero. 

- Tá, então...

- Não. Péra. Me confundi. O que eu disse que era por último mesmo?

- Mamífero.

- Ah. Que bom. Achei que tivesse dito "ave". Mas é mamífero mesmo. Achei que tinha me confundido. Termine o que você ia dizer.

- Não quer pensar mais um pouco, antes de eu concluir?

- Hummm. Boa. Quero sim. 

- Ok.

- ...

- ...

- ...

- Pensou?

- Em que?

- Se pingüim é ave ou mamífero.

- Não pensei. O que é?

- O quê?

- Queria saber se pingüim é ave ou mamífero.

- Mas foi isso que eu te perguntei no início da conversa.

- Ah é? Então te digo: é ave.

- Sei.

- Ou mamífero. Um dos dois, com certeza, é.

- Humm.

- Além de inimigo do Homem-aranha nos quadrinhos.

- Homem-morcego.

- Esse eu sei. Homem é mamífero. Morcego é ave. Bico.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Geisy Benta

— Se a Uniban ficasse no Vaticano seria uma faculdade sagrada, certo? Você não acha que neste caso ela deveria mudar de nome para Unibenta?
— Seria um nome muito bonito.
— Com o Bento XVI de reitor, até a Geisy ia andar vestindo hábito.
— Ah, mas ela ia aparecer na Unibenta com as canelas de fora com certeza. Ia ser um escândalo.
— É verdade. E esse seria o motivo que faltava para a volta da santa inquisição.
Como diria Monty Python, nobody expects the spanish inquisition.
— E a Unibenta ainda poderia contribuir muito no campo do conhecimento, ensinar que a Terra é chata como pizza e não redonda como uma laranja, por exemplo.
— Falando em Benta, eu já namorei uma.
— Uma mulher abençoada pela igreja católica ou uma que se chamava Benta?
— Ela se chamava Benta, mas não era lá muito católica, não. Terminei com ela porque ela usava umas minissaias muito curtas.
— Ah, essa aí na Unibenta iria pra fogueira da inquisição na hora.
— Será? Mesmo sendo Benta?
— Não adianta a pessoa ser benta se tiver comportamento herético.
— Virgem Santa! Você também iria pra fogueira agora mesmo se falasse essa palavra numa aula da Unibenta.
— Herético?
— Disse de novo!
— Bom, pelo jeito você pode ficar tranquilo. Ignorantes e burros seriam muito bem aceitos na Unibenta.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Geisy x Uniban x Apagão, o saco sem fundo

- Você acha que os alunos da Uniban hostilizaram o apagão?

- Acho que não. Afinal foi um apagão, não um microapagão. E, além de tudo, ele chegou escurecendo tudo e veio direto e reto. Não pintou mostrando tudo e fazendo um caminho mais longo, via Acre e Rondônia, antes de chegar em São Paulo.

- Pior é que agora estão querendo achar culpados para o apagão e tals. Até minha vó sabe que algo que é compartilhado, supervisionado, dirigido, mantido ou qualquer coisa do tipo entre Brasil e Paraguai, não tem como dar certo.

- Isso é fato. É como deixar uma arma laser na mão do Curly, do Larry e do Moe, dos Três Patetas. 

- Sim, mas para completar o terceiro pateta, Itaipu deveria ficar na mão de Brasil, Paraguai e da polícia de Minas Gerais.

- Tudo bem que a polícia mineira prende crianças de 8 anos, deixa pessoas entrarem armadas em estádios e depois não consegue desarmá-la, enquadra um atropelado e deixa o motorista embriagado ir embora e tudo mais. Mas o terceiro pateta devia ser um país, não?

- Tá. Então seria o Vaticano. Um país que fica dentro de outro país, no qual o chefe de estado é um católico fervoroso meio anazistado e que é anunciado por meio de uma fumaça expelida por uma chaminé não pode ser sério. Sem contrar que o presidente anterior era homem e tinha nome de mulher, Karol. Muito esquisito esse tal de Vaticano.

- E lá o Vaticano é país?

- É mais país que qualquer delegacia de Minas Gerais.

- Você acha que se o papa pintasse no Vaticano com aquele microvestido da Geisy, ele seria hostilizado pelos cardeais?

- Acho que os cardeais não iam ligar muito, mas a Liga das Senhoras Católicas não ia admitir.

- Por outro lado, a Sexy ou a Playboy ou a Brasileirinhas poderia chamá-lo para fazer umas fotos ou uns filmes pornográficos.

- Depois da Fernanda Young na Playboy, nada mais me surpreenderia. Nem o papa fazendo filme pornográfico.

- Se a Brasileirinhas tivesse tino comercial mesmo, já tinha contratado uns sósias do papa e da Geisy para estrelar um filme que se passaria em uma réplica de Itaipu. Poderia se chamar "Papa papa Itaiputa" ou "Papa hostializa em Uni-gang-bang".

- Hostializa vem de hóstia, imagino.

- Isso. Pensei em alguma cena envolvendo comida e sexo.

- E por que sósias e réplica?

- Para fazer a toque de caixa, teriam que improvisar. Ia demorar muito tempo até convencer a Geisy e o papa a fazerem um filme pornô. 

- E porque uma réplica de Itaipu?

- Por que é preciso iluminação para os câmeras filmarem. E a última coisa que tem na própria Itaipu é luz.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

O Caso Geisy x Uniban Revisitado Revisitado

— Concordo com a mina da Uniban. A atitude dos alunos foi indefensível.
Indefe o que?
— Sível.
— Puxa!
— Agora que já citamos Chapolin, e voltando à vaca fria, a atitude é mesmo indefensível.
— Da parte de quem?
— Dos alunos
— Re-puxa!
— Você vai ficar aí imitando o Chaves e não vai falar nada sobre o vocábulo “indefensível”?
— Mas eu nem sei o que é o vocábulo vocábulo...
— Nessa você mandou bem.  Seu Madruga é gênio.
— Mas e então, qual o lance do “indefensível”?
— Foi o que essa tal de Geisy Arruda disse no Superpop, que não troca a inteligência dela por beleza nenhuma. Aí emendou que o que aconteceu foi indefensível.
— Manjei, tipo uma bola chutada com força no ângulo.
— Levando pro mundo do futebol, acho que é isso.
— E a Luciana Gimenez?
— Provavelmente, aprendeu uma palavra nova.
— Que palavra nova?
— Indefensível, oras.
— E é nova?
— Que burro, dá zero pra ele. O certo é indefensável, né?
— Ah, agora entendi. E foi pertinente, justamente quando falávamos de defesas...
— O burro empaca perto do trigo.
— Essa eu peguei! É do Seu Madruga também.
— Então vou mudar: O burro empaca perto da Uniban.
— Esta aí um bom novo slogan pra faculdade.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

O Caso Geisy x Uniban Revisitado

- Estou seriamente preocupado com minha sanidade. Faz uma semana que a música de abertura da Escolinha do Professor Raimundo não sai da minha cabeça.

- ...

- Essa mesmo.

- Essa mesmo o quê?

- É essa música que você cantarolou. 

- Não cantarolei nada. 

- Você não cantou "é na escola que a gente aprende, a contar, a criar e a crescer. É na escola que nasce o desejo, de pensar, de tudo saber..."?

- Não. Sequer grunhi algo. Estava querendo ver até onde ia sua demência.

- Rapaz. Então, pelo jeito, ela vai longe. Juro que ouvi você cantar "é na escola que a gente aprende, a contar, a criar e a crescer. É na escola que nasce o desejo, de pensar, de tudo saber..."?

- Não. Aliás, falando em escolinha, e esse lance da mina de perna de fora da Uniban, hein?

- Estou acompanhando de perto o caso e esperando mais informações. Mas, por enquanto, já conclui uma coisa. 

- Que o curso de marketing da Uniban deve ser o pior do sistema solar? Afinal, vai dar tiro no pé assim lá na casa do chapéu.

- Não, não.

- Concluiu o que então? Que o advogado da Uniban deve ter se formado na própria Uniban, pra ser tão ruim?

- Não, não.

- Então o que foi? Acha que se Stella Barros ou a Tia Augusta tivessem tino comercial já teriam contratado a Geisy, já que ela fazia turismo?

- Nem.

- Que alguma universidade tabajara deveria se promover dando uma bolsa de estudos a ela? Ou que a USP a convidasse a estudar lá, sem fazer vestibular, só para criar mais polêmica?

- Não, nada disso. E embora você esteja certo em todas as colocações, conclui outra coisa: filha minha não passaria por isso.

- Você ia invadir a universidade e dar sopapo em todos?

- Que é isso, rapaz! Filha minha não ia sair de casa com um vestido daqueles. Aliás, nem fazer faculdade iria. Até os 18 anos, filha minha não vai saber ler e escrever. Só vai aprender a bordar, cozinhar e lavar. TV, só uma vez por semana. Rádio, tudo bem. Mas só programa evangélico.

- Se sua filha se parecer fisionomicamente com você, é bom mesmo proibi-la de usar saias curtas. 

- Pois é. Por outro lado, eu mesmo estava pensando em aparecer em algum lugar de mini-saia só para poder processar depois e ganhar uma fortuna. 

- Isso se você fosse hostilizado e depois expulso deste lugar, né?

- Não necessariamente. Se eu fosse hostilizado e depois expulso, processaria. Se não fosse, processaria também. Afinal, que tipo de lugar é esse que deixam um marmanjo como eu entrar de mini-saia e fica por isso mesmo?

- Já vi suas pernas. Realmente, é caso para processo. 

- ...

- Começou de novo?

- Não disse nada.

- Você não cantarolou "é na escola que a gente aprende, a contar, a criar e a crescer. É na escola que nasce o desejo, de pensar, de tudo saber...".

- Nopes. Aliás, já tava quase esquecendo essa maldita música.

- Vixe. Então agora quem foi contaminado fui eu. Droga.

- Bem-vindo ao clube.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Pior do que a Ana Maria Braga de Madonna?

- Já te contei que meu pai nasceu em um povoado que não existe mais?

- Ele é de Atlântida?

- Eu disse "povoado". Não "cidade e/ou distrito subaquático mitológico que desapareceu sabe Deus por que cargas d´água se é que um dia existiu cujo prefeito era o Aquaman".

- Ah. Tá.

- Mas até que você passou perto.

- Ele nasceu num povoado que o Aquaman era prefeito?

- Não. Nasceu em um finado povoado do Maranhão chamado Olhos D´Água. Bem ou mal, ambos os locais tem a ver com água.

- Olhos D´Água acabou em uma enchente?

- Não. Briga de família mesmo. A similaridade reside no nome de Olhos D´Água e no fato de Atlântida ter muita água.

- Me explique como briga de família pode acabar com um povoado? Só existiam duas famílias por lá?

- Acho que tinham umas 4 ou 5, pelo que meu pai conta. Mas é que quando foram acabando os familiares, nego foi logo matando vizinho, amigo, bicho de estimação. Quando perceberam que era tarde demais, acabou a cidade. 

- Perceberam, não. Quando percebeu. Deve ter sobrado um só por lá. Aí ele matou o penúltimo. Olhou para os lados, não viu ninguém mais para atirar. Aí, fez que não era com ele, deu de ombros, e saiu assoviando qualquer coisa até a cidade mais próxima.

- Acho que é por aí mesmo.

- E como foi que seu pai escapou desse fim?

- Saiu para comprar cigarros. 

- E, como todo mundo sabe, quem sai para comprar cigarros, nunca mais volta. Foi assim que ele se salvou?

- Não. Parece que ele fumava cipó. E é bem difícil encontrar cipó para vender. Aí se atrasou. Quando voltou, não viu ninguém e foi pra uma cidade vizinha ao povoador morar.

- Meu sonho era ter nascido em uma cidade ou povoado que tivesse acabado por briga de família. Ou, pelo menos, que não existisse mais. Pena que nasci em São Paulo.

- Eu queria ter nascido em uma cidade que o prefeito fosse o Aquaman. Vice, Príncipe Namor. 

- Sei não se um príncipe ia admitir eleições. Acho que ele ia querer governar na marra.

- Mas o Aquaman não ia deixar. Ele é presidencialista. Ou melhor: prefeitalista.

- E o Namor, monarquista. Como faz?

- Veja bem, a questão é a prefeitura. Nunca ouvi falar que príncipe tinha que governar cidade. País, sim. Acho que com essa conversa-mole, dava para convencer o Namor. Será que não?

- E lá o namor ouve alguém? Se ele usa aquela sunga rídicula, não foi por falta de aviso. Aquilo é mais ridículo do que aquelas coisas que o Clóvis Bornay usava no dia-a-dia.

- Bom, então eles ia ter que decidir no tapa. 

- Ih. Já vi que o final ia ser igual a Olhos D´Água. 

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Pizza Sabor X-Tudo

- Uma vez, eu peguei uma camisinha, enchi de sal grosso. Aí, completei os espaços vazios com água buricada, dei um nó e joguei no telhado do vizinho.

- Tudo isso foi revolta por não ter transado nesse dia?

- Não, não. Fiz isso quando tinha oito anos. Não era sexualmente ativo.

- Por que você está me contando isso?

- Porque eu estava tentando lembrar a coisa mais idiota que já fiz, sem estar sob efeito de álcool ou de outras substâncias proibidas em mais de 40 estados norte-americanos. E acho que foi isso aí.

- Você não era sexualmente ativo, certo?

- Certo.

- Tinha oito anos.

- Isso. Você tá bom de memória hoje.

- Comprou a camisinha?

- Não. Achei caida, aberta, no chão da rua de casa.

- Usada?

- Er...

- Taí, acho que é a coisa mais idiota que você já fez mesmo.

- É...  

- Mas veja pelo lado bom, poderia ser ainda mais idiota. Você poderia ter colocado cominho também dentro dela.

- Como cominho faria meu ato ser mais idiota?

- Qualquer coisa com cominho é mais idiota.

- Não sei porque essa ojeriza por cominho.

- Cominho é a coisa mais nojenta do mundo. Não pe pra por na comida, não sei porque insistem nisso.

- Eu já acho que frango e catupiry não se misturam. E que moela é coisa do demônio. O resto, não tem problema.

- Falando em frango com catupiriry, uma vez pedi uma pizza de camarão com cheddar, bacon, carne seca, coração de frango com umas pitadas de unha de coreano morto cobrindo tudo.

- Te entregaram?

- Não, claro que não. Mas isso foi a coisa mais idiota que já fiz sem estar sob o efeito de nada. Só pedi a tal pizza para ver o que o atendente diria quando eu chegasse à parte da "unha de coreano morto".

- E o que ele disse?

- "Vai cominho, senhor?". Ai fui obrigado a desligar o telefone. Tem gente que não sabe brincar.

domingo, 1 de novembro de 2009

Waldo e Walda vão ao Cinema

- Waldo, o pássaro, está morto.

- Quem é Waldo, o pássaro?

- Ele morreu de catapora, pobre diabo.

- Quem é Waldo, o pássaro?

- Mas não é à toa que morreu dessa perigosa doença. Acho que uma das causas mais comuns de morte entre aves é a catapora.

- Quem diabos é Waldo, o pássaro?

- E te digo como cheguei a essa conclusão. Eles tem penas. Não é possível ver as pintas de cataporas sob elas. Eles não tem mãos ou dedos, o que não permite vê-los se coçar. 

- Mesmo porque eles não conseguem se coçar.

- É exatamente isso o que estou falando. Agora, estamos nos entendendo.

- Mas quem diabos é Waldo, o pássaro?

- Uma ave que morreu de catapora.

- Mas quem é Waldo, o pássaro?

- Mudemos de assunto. Você tá muito repetitivo. Tá parecendo até TOC.

- Você começa falando de uma ave que morreu e não me dá mais informações e eu que tenho TOC?

- Uma namorada que tive, na primeira vez que saímos, me levou para ver Terra em Transe. Acredita?

- Que namorada?

- Não dá, né? Eu devia ter desconfiado que ia dar zebra logo de cara, quando ela sugeriu ir assistir a essa bomba. 

- Que namorada?

- É como assistir a 2 horas de chiado de TV, quando tá mal sintonizada.

- Que namorada?

- Daí, na segunda vez que saímos, me levou em um monólogo do Paulo Autran. Um monólogo do Paulo Autran! Aí não. Mas, mesmo assim, insisti com ela.

- Quem era essa namorada?

- Daí, na terceira vez, ela me levou ao cinema para ver Todo Mundo em Pânico 2. Aí, desisti. Vi que a coisa não ia ter futuro.

- Também desisti de saber quem é a namorada. 

- Chamava Walda. Acho que você não conheceu. Teve catapora enquanto estávamos juntos.

- Morreu?

- Não, não. Ela era uma pessoa, e não uma ave, graças a Deus.

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- Colaboração acidental, incidental e ocidental de Vanessa Marques

sábado, 31 de outubro de 2009

Sal Cisne e Lei Cidade Limpa

- Você já reparou que as empresas de sal adoram dar nome de animais aos seus produtos?

- Por exemplo, Sal Cisne?

- É. Sal Cisne. Sal Lebre. Por que será que há essa mania?

- Acho que porque carne com sal fica muito mais gostosa. Cisne com sal e lebre com sal ficam muito melhores do que sem sal. Deve ser uma espécie de mensagem subliminar.

- Nunca comi carne de lebre. Tampouco de cisne. Mas aposto que é isso mesmo. Aliás, acho que comi pouca carne diferente da que vem do boi.

- Nesse caso, na do boi, você poderia temperar com o Sal Gado.

- Hahahaha. Existe essa marca? 

- Sei lá. Acho que tem, já que a piada é fácil. E, se não tiver, estão perdendo tempo.

- Se não existir, a gente poderia abrir uma saleleria só para chamar nosso sal de Sal Gado. Que acha?

- A gente não entende nada de sal. Acho que iríamos falir rapidinho.

- Eu sei. Mas eu perco o dinheiro mas não perco a piada.

- Nesse caso, já que é para investir no que não entendemos, poderíamos abrir uma veterinária ou pet shop e dar algum nome com trocadilho. Algo como Veterinária Cãotado ou Pet Shop Miau Juda.

- Cãotado e Miaujuda?

- É. Cãotado, coitado. Manja? Miau juda, me ajuda. Sacou?

- Que infame.

- Infamiau! Rá!

- Que horrível!

- Que horrivelino. Rá!

- Horrivelino? Isso não é trocadinho com nome de bicho, mas com nome de jogador bigodudo.

- Eu tive um vira-latas, quando criança, chamado Rivellino. Acho que o trocadilho se aplica.

- Mas você ia precisar de uma placa gigante na porta da sua veterinária, só para explicar o trocadilho. Vai dar trabalho, mas rola. Escreve Clínica Horrivellino na placa, coloca um asterisco e explica embaixo.

- Pensando bem, melhor desistir.

- Só porque ia dar trabalho?

- Não, não. É que em São Paulo tem a Lei Cidade Limpa, que proíbe placas muito grandes. Acho que essa explicação com asteriscos ia gerar algo gigante. E, sem a explicação, não teria sentido. Droga.

- Pois é. É por essas e outras que não gosto do Kassab.

- Kãossab. Hahahaha.

- Essa ia ficar boa. Por que não abre um pet shop Kãossab?

- Não, não poderia.

- Acha desrespeito?

- Acho. Mas comigo mesmo.

- Como?

- Eu acho que ele lembra muito, principalmente falando, o Frajola, que é um gato. Como eu o associaria a um cão? Não dá. Prefiro morrer pobre e sem trocadilho a fazer uma heresia dessas com meus conceitos.

- Se é pra morrer pobre, então abre a Sal Gado. Pelo menos o trocadilho é válido.

- Boa. Poderia também abrir uma outra saleleria, a Ka-Sal-B. Que acha?

- Mas aí não vincularia a nenhum animal.

- Como não? O Kassab é o Frajola de carne e osso. 

- Nesse caso, eu apóio. Mas iria precisar fazer uma placa com asterisco, explicando tudo isso.

- Droga. Maldita Lei Cidade Limpa.


quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Ando Devagar Porque Já Tive Náuseas

- É oficial: eu sou a pessoa que anda mais devagar no mundo.

- Já reparei isso.

- Hoje, esperando o sinal de pedestres abrir, emparelhou comigo um senhor de bengala. Adivinha quem chegou do outro lado da rua antes? O véio decrépito me deixou comendo poeira.

- Por falar em semáforo, sempre que passo em um a pé, penso em aproveitar as ocasião e pedir uns trocos para os motoristas. 

- Do jeito que você se veste, em conjunto com seu cabelo desgrenhado e com sua barba mal-feita, tá fácil conseguir.

- Pois é. Queria aproveitar a ocasião, já que não estou fazendo nada mesmo, e tirar uns trocados dos motoristas. Acho que estenderei a mão da próxima vez. Mal não deve fazer.

- Agora, deixe-me voltar ao lance de andar devagar. Outro dia andava em direção a um shopping com uma moça de muletas ao meu lado. 

- E ela chegou antes?

- Só não chegou porque passamos por um sinal de pedestres no caminho. Como estava fechado, consegui emparelhar com ela. Quando abriu, saí na frente e consegui manter a dianteira.

- É. Acho que pessoas de muleta não são boas em arrancada.

- Não são. Mas ela chegou uns 2 passos atrás de mim, só. Sou muito lento andando mesmo. Acho que sou uma espécie de campeão de Marcha Atlética do mundo bizarro.

- Olha, não queria entrar nesse assunto, mas já que estamos falando a respeito, devo confessar que a Marília te largou porque você anda muito devagar.

- Como é? 

- A Marília, aquela garota que você saía e que te deu um pé na bunda.

- Ué. Mas achei que ela tivesse me largado porque "eu era bom demais para ela, que o problema era com ela, não comigo". Pelo menos, foi o que ela disse.

- Pois é. Mas fiquei sabendo que, na verdade, ela odiava andar de mãos dadas com você. Você anda muito devagar e ela não aguentava. Como ela acha que a base de uma relação é andar de mãos dadas no mesmo ritmo, ao cair da tarde de sábado, em um shopping entulhado de gente, ela considerou que vocês dois não tinham futuro.

- Como você sabe tudo isso?

- Orkut.

- Rapaz... Agora reparo que havia mesmo algo errado. Como fui cego!

- Desenvolva.

- Quando íamos ao cinema, assim que entrávamos no shopping, ela soltava minha mão e dizia "vou ao banheiro, vai indo na frente. A gente se encontra na porta do cinema". E sempre que eu chegava no cinema, ela já estava lá. Com os ingressos comprados, uma pipoca e um refri em cada mão, para evitar andar de mãos dadas comigo.

- E você nunca percebeu isso antes? Não achava estranho ela dizer que ia ao banheiro e chegar antes de você?

- Já comentei que ando devagar, né? Pois então. 

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Empapado no Trabalho

- Cara, você tá suando pra diabo. Está passando mal? Precisa de algo? 

- Preciso de uma toalha. Isto não é suor, é água de chuva.

- Você está expelindo água de chuva pelos poros?

- Não. Está chovendo lá fora. E eu vim trabalhar a pé, hoje.

- Já ouviu falar em guarda-chuva? Custa uns R$ 10 em qualquer esquina. 

- Já ouvi falar. Mas não uso.

- E custa R$ 10 se o tempo estiver nublado. Se estiver fazendo sol, dá para comprar por R$ 3 de qualquer chinês de procedência duvidosa.

- Chinês vendendo algo e procedência duvidosa, na mesma frase, sugere redundância ou pleonasmo.

- Sei disso. É tipo "música ruim do Tony Garrido" ou "atuação com cara de cão pidão do Nicolas Cage".

- Exato. Bom, mas a questão não é o preço. Eu não uso guarda-chuva por política pessoal.

- Você tem algo contra guarda-chuvas?

- Não exatamente contra eles. É que se está garoando ou chovendo fraco, acho que não vale a pena tirá-los da mochila. Acho desconfortável ficar andando com o braço levantado, carregando aquele trambolho.

- Você prefere chegar todo molhado, como está agora?

- Prefiro chegar um pouco molhado a ficar com dor no braço.

- Mas aparentemente está chovendo para diabo lá fora.

- Quando a chuva é muito forte, daí também prefiro não usar o guarda-chuvas. Com ele ou sem, vou me molhar de qualquer jeito. Logo, prefiro ficar molhado sem dor no braço do que molhado com dores.

- Para você usar guarda-chuva, precisa de uma chuva meio termo?

- Não, não. Preciso de uma chuva chuva. Se for muito fraca, é garoa. Não configura chuva. Se for muito forte, é toró. Para usar um guarda-chuva, preciso de pura e simplesmente uma chuva. E é muito difícil encontrar isso nos dias de hoje.

- Já pensou em usar capa de chuva? Não te fará doer o braço.

- Sim. Mas aí entra a questão estética. Capas de chuva são feias demais. Eu jamais sairia na rua usando uma capa de chuva. Muito feio e demodê.

- Hey! Não era você que estava defendendo o uso de pochetes outro dia?

- Eu defendia que as pochetes são úteis. Não disse que usaria uma.

- E não usaria?

- Não sei. Meus documentos eu carrego no bolso. O celular, também. Não carrego mais quase nada por aí. O que eu colocaria em uma pochete?

- Um guarda-chuva?

- Hummm. É, pode ser. Melhor do que colocar capa de chuva, aquela coisa brega e ultrapassada. 

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Viagem no Tempo e Efeito Brabuleta

- Você pudesse avançar 10 minutos no tempo, o que faria?

- Só 10 minutos?

- É. 

- Que miséria. Prefiro nem avançar então. Deve cansar à toa.

- Tá. Te dou 15 minutos, então.

- Só?

- Como você reclama. 

- Mas é que 15 minutos é pouco. Isso somente seria útil no intervalo de uma partida de futebol. E mesmo assim, se eu estivesse no estádio. Porque se estou vendo pela TV, gosto de assistir os melhores momentos e os comentários do Caio.

- Você gosta de assistir os melhores momentos de um jogo que você acbaou de assistir? Não é meio repetitivo.

- Não acho. Eu torço para os lances que deram errado darem certo. Se meu time está perdendo, torço para empatar nos melhores momentos.

- Sabe que a chance disso acontecer é zero, né?

- Assim como eu avançar 15 minutos no tempo.

- Certo. Mas supondo, somente supondo, que você pudesse avançar 15 minutos no tempo, o que faria?

- Acho que deitaria em uma rede e esperaria os 15 minutos passarem, já que não conseguiria fazer nada de útil.

- Você não dá valor mesmo à viagem no tempo, não é?

- Dou. Mas 15 minutos não é viagem. É, no máximo, um traslado no tempo. 

- Quanto tempo você gostaria de viajar no tempo para parar de reclamar.

- O suficiente para poder mudar o resultado pró meu time.

- Mas somente viajar não mudaria. Você teria que se infiltrar em um jogo, no gramado. Saber quando iria sair um gol e entrar e chutar para fora. É muito mais complicado do que viajar no tempo. Precisa de logística.

- Tem razão. Pensando bem, não gostaria de viajar no tempo. Sabe o efeito brabuleta?

- Aquilo lá que diz que uma brabuleta que bate asas na China pode causar um fruracão nas América?

- Não.

- Não? Claro que é.

- É. Eu sei que é. Você sabe que é. Então, por que declamou a frase em tom de pergunta?

- Sei lá. Como você é implicante. O que tem o efeito brabuleta?

- Bom, ele diz que algo que eu faço aqui, agora, pode mudar alguma outra coisa do outro lado do mundo, não?

- Sim.

- Pois, então, não preciso viajar no tempo para mudar um resultado pró meu time. Basta eu viajar para o outro lado do mundo e realizar uma série de procedimentos aleatórios. Em algum momento, isso vai causar um efeito brabuleta e ajudar meu time a ser campeão. 

- O duro é saber o que fazer e a hora certa para realizá-lo.

- O que fazer é fácil: vou assoviar e chupar cana ao mesmo tempo. A hora também é fácil de descobrir: farei direto, o tempo todo. Uma hora isso resulta em um gol pró meu time.

- Por que chupar cana e assoviar?

- Quando uma pessoa quer fazer tudo ao mesmo tempo não dizem que ela quer chupar e assoviar cana?

- O contrário.

- Sim. Assoviar e chupar. Logo, isso resume todas as ações do mundo em uma só. Assoviar e chupar cana é a contração de todas as ações do mundo. A aglutinação de tudo em um ato simples, mas complexo e contraditório.

- Não parece simples.

- Mas é, se comparado a fazer todas as coisas do mundo ao mesmo tempo.

- Sim. Aí é simples.

- Bom, então é isso. Vou ao Japão assoviar e chupar cana initerruptamente. Isso há de mudar a sorte do Fluminense.

- Você é Fluminense?

- Sou.

- Hummm. Então recomendo que poupe seu dinheiro, seu assovio e sua cana.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

A Crível História do Ca(r)darço

- Moço! Moço! Moço!

- Oi?

- Seu tênis está desamarrado.

- Hummm. Obrigado.

- ...

- ...

- Moço!

- Oi?

- Seu tênis está desamarrado. 

- Eu sei. Você acaba de me dizer.

- E você não vai amarrar, não?

- Estou com uma mega preguiça. E já estou quase chegando ao meu destino final. Quando chegar lá, talvez eu arrume.

- "Destino final". Ui. Que coisa mais enigmática.

- Como?

- Nada, nada. E então quer dizer que o senhor não vai amarrar?

- Não. Estou com preguiça. Mas agradeço a preocupação.

- Preocupação é o diabo! Já que eu tive a fineza de avisá-lo, o senhor poderia ter a educação de abaixar neste instante e amarrar o cacete do tênis.

- Olha, minha senhora, eu não queria dizer. Mas já que a senhora insiste no assunto, informo-te: não é o tênis que está desamarrado. É o cadarço do tênis. E não me venha com figuras de linguagem para explicar sua burrice. Em segundo lugar, não estou com vontade de amarrar o diabo do cordão. 

- Mas é muita falta de educação mesmo, não? Eu apressei o passo para alcançá-lo. Aí, tirei o fone do ouvido, estiquei o braço para cutucá-lo e informá-lo do tênis...

- Cadarço.

- Do cardarço...

- Cadarço.

- Cadarço, que seje.

- Que seja.

- Cuma?

- Deixa para lá.

- Bom, daí tirei o fone do ouvido, estiquei o braço e o informei que o senhor corria risco de queda ou, para ser fatalista, de morte. E o senhor nem para dar uma abaixadinha e amarrar o negócio? Acho que o senhor me devia isso, pelo menos.

- A senhora estava ouvindo o que no fone?

- Jota Quest.

- Bom, se parou de ouvir por 10 minutos, por minha causa, eu lhe fiz um favor. Me agradeça.

- Cuma?

- Agradeça.

- Não estou entendendo.

- Se eu amarrar o tênis...

- O cardarço, burraldo. Você mesmo...

- Tá, tá. Se eu amarrar o cadarço, você me agradece?

- Sim. 

- Então espera aí.

- ...

- ...

- ...

- Pronto. 

- Tchau, até mais.

- Não vai agradecer?

- Menti. Eu te fiz um favor informando sobre seu tênis. Não sei porque teria que agradecer.

- Porque a essa hora seu WalkMan não deve estar mais tocando Jota Quest. Você escapou de uma boa graças a mim.

- Deixa ver.

- ...

- É mesmo. Acabou.

- A rá, sabia. Te fiz um favor.

- Começou o disco solo do Marcelo Camelo.

- Argh! É, pensando bem, não precisa agradecer.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Morar em S.Bernardo é Difícil

- Muito se fala da criminalidade em passarelas, né?

- "Muito se fala" é exagero. Mas às vezes a gente ouve notícias de pessoas que foram assaltadas em passarelas, sim. Principalmente de madrugada ou quando o sol já sumiu. 

- Pois eu sei de um jeito de diminuir a criminalidade nas passarelas do Brasil. Principalmente de madrugada.

- Implodi-las? Assim como você queria implodir a Basília de Aparecida?

- Não, não. A idéia é bem mais simples. Não sei como não pensaram nisso antes. 

- Talvez porque ninguém se preocupe com os assaltos, em especial, em passarelas. Afinal, não é todo mundo que mora em uma cidade como São Bernardo que tem uma Anchieta cortando-a no meio. Aposto que se não existisse a Anchieta, o povo de São Bernardo não ia conseguir sair do quarteirão de tão perdido que ficaria.

- Isso que você acaba de dizer não faz o menor sentido para nossa conversa.

- Eu sei. Mas eu sempre quis usar essa frase. 

- Bom, meu projeto para diminuir a criminalidade nas passarelas é simples: colocar um guichê, um guichezeiro e uma cancela em cada ponta dela.

- Guichezeiro?

- É. O operador do guichê. Em cada guichê haveria um estoque de armas de fogo. Quando o cidadão de bem fosse pegar a passarela, passaria no guichê, escolheria a arma de fogo e atravessaria a passarela com o revolver na mão. Quando ele chegasse do outro lado, devolveria a arma e prosseguiria viagem. Duvido muito que algum ladrão tivesse coragem de abordar outra pessoa na passarela sabendo que ela portava uma arma.

- Por esse princípio, se as pessoas andassem armadas por aí, haveria menos criminalidade.

- Não, não. Por aí, há sempre a dúvida se a pessoa tem arma ou não. No caso das passarelas, haveria a certeza de que quem vem lá está armado. Assim, melhor não mexer e deixar para assaltar quem quer que seja longe da passarela.

- Como lá embaixo, cerca de 3 metros longe do guichê.

- Isso.

- Mas aí a pessoa seria assaltada do mesmo jeito. Só não seria na passarela.

- Aí já não é problema meu.

- E tem outra coisa: essa sua idéia é bem rebuscada sim. Não é mais fácil colocar policiamento nas passarelas? Isso inibiria os ladrões.

- E se não inibisse? Imagina o cidadão de bem lá em cima, na passarela, e de repente vai ser assaltado Aí, aparece a polícia. O coitado ia ficar em um fogo cruzado dos diabos. Eu acho que se se quer algo bem feito, deve-se fazer você mesmo. Distribuir armas para o transeunte passarelístico é a minha forma de diminuir os assaltos em passarelas.

- Que tal implodir as passarelas e criar teleféricos sobre as estradas? Assim, o cidadão atravessa sentado e não tem como ser assaltado.

- Lógico que tem. Quando um carrinho que vem passa pelo que vai, eles praticamente se encontram. Nesse momento, o ladrão pode, em um movimento brusco, roubar o coitado. E mais: se o ladrão for esperto mesmo, vai fazendo a rapa: assalta todos os cidadãos que vem em sentido oposto em uma travessia de teleférico. É uma espécie de arrastão às avessas. Um ladrão e 10 pessoas assaltadas.

- Mas pode-se colocar policiais na saída do teleférico. Quando o ladrão descesse, seria pego.

- E você acha que ele iria até o fim? Provavelmente se jogaria do teleférico assim que estivesse com os pertences das vítimas. Ia se jogar lá na autopista, lááááááá embaixo.

- E morreria atropelado. Pronto, resolvido o problema. Teleféricos no lugar de passarelas e policiais nas pontas. Se o ladrão não quiser ser preso, morre atropelado.

- Ai também não. Sou contra a pena de morte. 

- Mas não é pena de morte. É suicídio opcional. Ou o cara vai preso ou se joga. Se se jogar, a culpa não é sua.

- É. Mas supondo que ele calcule e pule exatamente no interior de um carro conversível de luxo. Aí, cairia no banco, com os pertences dos cidadãos do teleférico. Depois, jogaria o motorista para fora do carro e fugiria em alta velocidade. Pronto, além de sair vivo e ileso, ainda escapa rico.

- A gente está falando de um ladrão brasileiro qualquer ou do Bruce Willis interpretando o John McClane?

- Achei que estivéssemos falando de passarelas.


terça-feira, 20 de outubro de 2009

Rivaldo, Zidane ou Zico?

- Rivaldo ou Zidane?

- O quê?

- O que o quê?

- Rivaldo ou Zidane o quê?

- Quem você prefere, Rivaldo ou Zidane?

- Como o quê?

- Como jogador, obviamente. Mesmo porque eu não acho que você esteja preparado para responder qual dos dois é melhor fritando um ovo, por exemplo.

- Fritando um ovo, sou Zidane. 

- Como?

- Ele é francês meio marroquino. Aposto que cozinha melhor do que o Rivaldo.

- Tá. Mas e como jogador?

- Rivaldo.

- Eu também prefiro o Rivaldo. Mais títulos, mais completo. Rivaldo ou Zico?

- Faz-me rir, né? Rivaldo novamente. Mais título, chegou a fazer gol fora do Maracanã e tudo mais.

- Zidane ou Zico?

- Zidane. Além do que, o Zidane soube terminar a carreira. O Zico encerrou a dele em uma sequência interminável de 132 jogos, se despedindo do Flamengo, da Seleção, do Japão, das Mulatas do Sargentelli. Já o Zidane deu uma cabeçada na final da Copa e saiu andando. Isso é coisa de gênio.

- Assim como aquele bigodinho do Rivaldo. Coisa de gênio.

- Ou de office-boy de 13 anos de idade.

- E cozinhando um ovo, Zidane ou Zico?

- Zico.

- Mas e o lance do Zidane ser francês marroquino?

- É. Mas quem você acha que entende mais de ovo: um francês marroquino ou um galo? Ainda mais sendo um galo de quintino?

- É. Me convenceu.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Ora que melhora*







* Com  colaboração involuntária de Daniell Rezende

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Universo Hanna & Barbera Revisitado

- Sabe o problema em andar no banco de passageiro de um motorista mal educado?

- Além de passar por poucas e boas?

- Antes de concordar, devo informar que não ouvia a expressão "poucas e boas" há mais de 10 anos.

- Você não assiste a Scooby-Doo? O Salsicha diz isso o tempo todo.

- Não assisto. Não gosto de nenhum desenho Hanna & Barbera.

- Como não?

- Ué, é sempre a mesma porcaria. Só muda o bicho e o lugar onde ele mora. É o macaco que fica numa loja de animais, o jacaré que vive num lago, o leão da montanha que ocupa uma jaula em um zôo, um hipopótamo que mora em um balão.

- Hey! Alto lá! O Peter Potamus não mora em um balão, ele o usa para viajar no tempo. 

- Dá na mesma. Como eu dizia, só mudam os animais, o meio de transporte e a habitação. Mas todos falam, são meio mongóis o desenho todo mas, apesar da burrice, se dão bem no final das histórias. Hanna & Barbera parece uma Arca de Noé bizarra às avessas.

- Por que bizarra às avessas?

- Porque na Arca de Noé original os animais ficavam dentro dela, apertados em casais para procriar e não falavam merda nenhuma. No universo Hanna & Barbera, os animais ficam espalhados pelo mundo, nunca trepam e só falam merda.

- Ai, ai.

- Mas deixe-me falar sobre o problema de andar de passageiro com um motorista mal educado.

- Diga.

- Tudo o que ele faz de errado, você faz junto. Se ele resolve andar pelo acostamento, você é cúmplice. Se ele corre demais, dá fina em pedestres, buzina para umas gostosas, liga funk no último volume, você, automaticamente, é considerado mal educado também. As pessoas te olham de esguelha e tudo mais.

- Concordo. É como ser preso por associação com o tráfico. No caso, você é mal visto por associação com o Dick Vigarista.

- Quem é Dick Vigarista?

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Zé Ruela e Gente Boa

- Quanto mais senso de humor tem o cidadão, mais inteligente ele é. Quanto mais frases feitas ele usa, mais imbecil ele é. Essa é a minha definição para a humanidade.

- E isso lá é definição?

- Mais ou menos. Eu pego ambos os dados descritos acima, transponho para uma escala de um a quatro. Aí somo, divido, subtraio, faço um logaritmo e tiro a prova dos nove. A média me dá um valor que informa se eu gosto ou não gosto da pessoa. Se eu gosto, defino como "gente boa". Se não gosto, chamo de "zé ruela". Aí, sim, defini.

- Logaritmo? Prova dos nove?

- Tá. Confesso que eu só somo e divido.

- Escala de um a quatro? Não seria melhor criar uma escala de zero a cinco?

- Seria se eu não tivesse dificuldades com qualquer conta com números acima de quatro e menores do que um.

- Mas essa sua definição, de gente boa e zé ruela, bate de frente com aquela sua outra teoria estúpida.

- Estúpida?

- É. Lembra que você dizia que não gostava de pessoas com alma presa e que, por outro lado, se dava bem com pessoas de alma solta? E, assim, dividia a humanidade em duas partes, de acordo com a frouxidão da alma.

- Outros tempos, meu caro. Outros tempos.

- Aliás, o que você queria dizer com "alma presa" e "alma solta"?

- Outros tempos, meu caro. Outros tempos.

- Aliás aliás, o que você quer dizer com "outros tempos, meu caro. Outros tempos"?

- Que eram outros tempos, meu caro. Que eu entendia o mundo de forma diferente da que entendo hoje. 

- Você diria que seu atual conceito de zé-ruelice está para a sua outrora teoria da alma presa como a gente-bonice está para a alma solta?

- Diria.

- Então podemos dizer que esses tais "outro tempos" na verdade estão ligados mais a uma questão semântica do que, propriamente, a um efeito temporal que acabou por transformar um conceito em outro.

- Acho que sim.

- Em outras palavras: você só mudou as definições.

- Mais ou menos. Lembre-se dos complicados cálculos matemáticos, como logaritmo e prova dos nove, que influeciam na minha concepção.

- Mas você havia dito que somente somava e dividia. E que sua escala era de um a quatro. Não me parece algo muito intrincado de se fazer.

- Mas eu disse que a casa decimal tendia ao infinito? Acho que esqueci de mencionar isso, não é mesmo? Sendo assim, você acha simples somar 1,365476 com 3,45654 e dividir por dois?

- Dá 2,411008.

- Espertinho. E uma pessoa com esse quociente é gente boa ou zé ruela?

- Aí não sei. Você não havia me dito qual era o valor de corte. 

- Pois então saiba que esse número é exatamente o seu valor na minha escala gente-bonice-zé-ruelice.

- E esse valor quer dizer o quê? Eu sou o que na escala?

- Jamais saberá, seu zé ruela.