sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Pior do que a Ana Maria Braga de Madonna?

- Já te contei que meu pai nasceu em um povoado que não existe mais?

- Ele é de Atlântida?

- Eu disse "povoado". Não "cidade e/ou distrito subaquático mitológico que desapareceu sabe Deus por que cargas d´água se é que um dia existiu cujo prefeito era o Aquaman".

- Ah. Tá.

- Mas até que você passou perto.

- Ele nasceu num povoado que o Aquaman era prefeito?

- Não. Nasceu em um finado povoado do Maranhão chamado Olhos D´Água. Bem ou mal, ambos os locais tem a ver com água.

- Olhos D´Água acabou em uma enchente?

- Não. Briga de família mesmo. A similaridade reside no nome de Olhos D´Água e no fato de Atlântida ter muita água.

- Me explique como briga de família pode acabar com um povoado? Só existiam duas famílias por lá?

- Acho que tinham umas 4 ou 5, pelo que meu pai conta. Mas é que quando foram acabando os familiares, nego foi logo matando vizinho, amigo, bicho de estimação. Quando perceberam que era tarde demais, acabou a cidade. 

- Perceberam, não. Quando percebeu. Deve ter sobrado um só por lá. Aí ele matou o penúltimo. Olhou para os lados, não viu ninguém mais para atirar. Aí, fez que não era com ele, deu de ombros, e saiu assoviando qualquer coisa até a cidade mais próxima.

- Acho que é por aí mesmo.

- E como foi que seu pai escapou desse fim?

- Saiu para comprar cigarros. 

- E, como todo mundo sabe, quem sai para comprar cigarros, nunca mais volta. Foi assim que ele se salvou?

- Não. Parece que ele fumava cipó. E é bem difícil encontrar cipó para vender. Aí se atrasou. Quando voltou, não viu ninguém e foi pra uma cidade vizinha ao povoador morar.

- Meu sonho era ter nascido em uma cidade ou povoado que tivesse acabado por briga de família. Ou, pelo menos, que não existisse mais. Pena que nasci em São Paulo.

- Eu queria ter nascido em uma cidade que o prefeito fosse o Aquaman. Vice, Príncipe Namor. 

- Sei não se um príncipe ia admitir eleições. Acho que ele ia querer governar na marra.

- Mas o Aquaman não ia deixar. Ele é presidencialista. Ou melhor: prefeitalista.

- E o Namor, monarquista. Como faz?

- Veja bem, a questão é a prefeitura. Nunca ouvi falar que príncipe tinha que governar cidade. País, sim. Acho que com essa conversa-mole, dava para convencer o Namor. Será que não?

- E lá o namor ouve alguém? Se ele usa aquela sunga rídicula, não foi por falta de aviso. Aquilo é mais ridículo do que aquelas coisas que o Clóvis Bornay usava no dia-a-dia.

- Bom, então eles ia ter que decidir no tapa. 

- Ih. Já vi que o final ia ser igual a Olhos D´Água. 

Um comentário:

Alinne Celestino disse...

adorei os seus dialogos! ilários mesmo, topas fazer uma parceira, eu te linkei no meu blog, me linka tbm? beijão;*
http://alemdehistorias.blogspot.com/