quarta-feira, 30 de setembro de 2009

As Boas Bestas Deste Mundo

- O Brito Júnior é uma boa besta.

- Ah, pronto, descobriu a América.

- Mas dessa vez não foi uma ofensa gratuita. Eu tenho como embasar.

- Não precisa.

- Mas embaso. Não quero ser processado. 

- E se você explicar, tim tim por tim tim porque ele é uma boa besta, escapa do processo?

- Se o Brito Junior ouvir minha argumentação e se convencer de que é uma boa besta, ele não terá motivos para me processar por calúnia ou difamação.

- Se você, especialmente você, convencê-lo de que ele é uma boa besta, então está mais do que provado de que ele é uma boa besta. 

- Por que essa ênfase em "especialmente você"?

- Você não consegue convencer ninguém de nada. Eu lembro de uma vez que tentou pechincar um relógio que uma tia peruana estava vendendo em um camelódromo e, no final das contas, acabou pagando o dobro do preço naquela porcaria. 

- Alto lá. Aquela senhora tinha uma lábia muito boa. E me deu de brinde um cigarro com um fumo típico da região dela no Peru.

- Alguém que não consegue convencer uma senhora de meia idade, claramente com fome, a vender mais barato um relógio de pulso, não pode ser bom em convencer ninguém de nada. E mais: aquilo não era um cigarro típico. Era uma guimba de Hollywood vermelho.

- Como você sabe?

- Eu tinha acabado de jogar no chão. Vi quando ela pegou. Você estava distraído tentando acertar os ponteiros do relógio.

- O ponteiro.

- Só tinha um?

- Só. Achei que era o das horas, porque parecia andar lentamente. Depois, descobri que era o dos minutos e que estava quebrado e não andava.

- Entendo.

- Então quer dizer que aquele cigarro era brasileiro e, pior, era Hollywood? E, pior pior, era seu?

- Bom, a partir do momento que joguei no chão, era de quem pegasse. Foi meu. Depois, daquele rato que tentou comê-lo. Depois, da peruana. Por fim, seu.

- Meu Deus! E eu fumei inteirinho.

- Interinho? Só tinha meio dedo de cigarro.

- Mesmo assim! É, sou uma boa besta.

- Você, sim. Mas e o Brito Júnior, porque ele te faz companhia nesse seleto rol?

- Acabo de ver um comercial que ele fala bem da lei do Serra de parar de fumar em ambientes fechados.

- E todo mundo que é a favor dessa lei é uma boa besta?

- Não sei. Mas ele é uma boa besta porque elogia a lei e termina dizendo "e eu posso falar com propriedade, porque já fui fumante". Esse tipo de argumentação é de cretino. Só quem fala com propriedade sobre deixar de fumar em ambientes fechados é ex-fumante? 

- Por essa lógica, o Serra deveria ser ex-fumante para poder proibir com propriedade o fumo em São Paulo. Ele é ex-fumante?

- Não sei. Tem cara de ex-coroinha. 

- Inveja. Sempre quis saber qual o gosto de hóstia.

- Tem gosto de nada.

- Então, acho muito cretino esse lance de "eu posso falar porque sou" qualquer coisa. É como se só gordo pudesse falar de gordo, só negro pudesse fazer piada com negro e assim por diante. Eu acho que qualquer um pode falar com propriedade sobre qualquer coisa, desde que estude, desde que entenda do assunto.

- Nossa, que inflamada! 

- Não é imflameação ou inflameamento. Esqueci o termo correto. Trata-se de uma simples constatação. Eu posso falar com propriedade sobre o Brito Junior porque, conforme já provamos ali em cima, sou uma boa besta.


terça-feira, 29 de setembro de 2009

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Reunião de Pauta do Dois Vezes Um

- Eu acho que está faltando um apelo visual no Dois Vezes Um

- É impressão minha ou você acabou de colocar um link para o mesmo lugar em que estamos conversando e que, possivelmente, leva as pessoas para o mesmo lugar que elas já estão?

- Isso. É um link para aqui mesmo.

- Deve ter alguma figura de linguagem que defina isso aí que você fez. Sei que não é metáfora nem hipóerbole, porque são as duas únicas figuras que sei do que se tratam. 

- Deve ser uma gradação remissiva ou coisa assim.

- Mas é um tanto inútil, não? É como entrar em um carro pelo lado do motorista. Sentar, dar a partida e, em vez de acelerar, desligar o carro e sair pela outra porta. 

- Mais ou menos isso. Só que o seu exemplo é definido como idiotice. O meu link é uma gradação sistemática.

- O que você sugere para ilustrarmos o Dois Vezes Um?

-  Olha aí, falou mal mas tá usando a gradação anti-tangênica.

- Essa gradação é remissiva, sistemática ou anti-tangênica?

- Sei lá. Não sou o Pasquale. 

- Já te contei que uma vez perguntei pessoalmente ao Pasquale o diminutivo de moto? A dúvida era se era motinho ou motinha.

- E o que ele disse?

- Que iria chutar. E que o chute dele era motinho. 

- O Pasquale assumiu que iria chutar?

- Assumiu. A partir de então, sempre que eu precisei usar o diminutivo de moto, recorri à motolina.

- Motolina?

- É. Nesse mesmo dia do Pasquale, horas mais tarde, contei ao meu pai o ocorrido. Ele foi taxativo "até minha vó sabe que o diminutivo de moto é motolina". Falou com tanta certeza que não tive como duvidar.

- Mas seu pai não é o Pasquale.

- Mas falou com uma certeza que eu acho que convenceria o próprio Pasquale. 

- Será que podemos passar adiante essa conversa toda de Pasquale, links com gradação retroativa e falar sobre as imagens no Dois Vezes Um?

- Sim. Pensei em colocar um apelo visual no site. Umas tirinhas ou algo assim. A gente publicaria dois caboclos conversando. Manteria os diálogos, mas atrairia pessoas que só vêem as figuras ou que são analfabetas.

- A idéia é boa. Já pensou na situação em que os dois personagens conversariam?

- Ah, acho que sentados em um banco de praça ou jogando videogame resolveria. É na frente da TV ou no banco da praça que saem as maiores bobagens que se fala por aí.

- Quem senta em banco de praça para conversar e falar besteira?

- Além do Cazalberto? Meu pai.

- Considerando a Praça é Nossa e seu pai como referências, acho que realmente as praças do Brasil são um celeiro de asneiras no país.

- Bom, então, vamos criar as tirinhas?

- Vamos. Deixa eu abrir o Paint Brush para ver no que dá. 

- Faz algo bem feito, hein. Não vai esculhambar. 

- Não, não. Estou até pensando em usar umas imagens bacanas, de gente bonita. 

- Tipo o Lionel Ritchie e aquela ex-vocalista do Kaoma?

- Isso. Mas eu sempre achei que no lugar do cabelo do Lioenel, ficaria legal uma bolacha Maria.

- Eu sempre achei que no lugar do cabelo dele ficaria melhor uma bolacha de água e sal. 

- Hummm. Peraí, deixa ver o que sai aqui. 

- Ok.

- ...

- ...

- Pronto.

- Que rápido! 

- É. Eu manjo de Paint Brush.

- Posso ver?

- Sim. Vou mandar no seu email. 

- Beleza. Valeu.



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- Em breve.

- O quê?

- Dois Vezes Um também com tirinhas.

- Ótimo. Agora, chega dessa gradação simeônica. Já me irritou.

sábado, 26 de setembro de 2009

Como Você Chegou Aqui Tão Rápido?

- Eita!

- O quê?

- Como você chegou aqui tão rápido?

- Rápido? Eu demorei, até. Passei oito vezes pelo mesmo semáforo propositalmente. Havia uma entregadora de papel muito bonita e eu não resisti. Tive que xavecá-la.

- E resolveu xavecá-la em prestações, passando oito vezes por lá?

- É que o farol abria muito rápido. Mas ela foi irredutível. Disse que estava trabalhando e não podia sair com clientes.

- Você era cliente?

- A partir do momento que eu aceitei o papel, na primeira passada no semáforo, virei. 

- Que azar.

- Pior é que peguei o papel as oito vezes. Um inferno.

- Agora entendo a sujeira no seu carro. Mas o que eu queria saber é como você veio para cá tão rápido.

- Como assim?

- Acabo de te ver ali fora. Você passou num Puma rosa, buzinando. 

- Eu? 

- É. 

- Não, não. Eu estava aqui. Sentadinho, quieto. Pensando em como deixar de ser cliente da faroleira.

- Mas eu tenho certeza que era você no Puma rosa.

- Puma, o carro?

- É.

- Você me parou e veio conversar comigo?

- Não, não. Você passou a 100 km/h. Quase me atropelou.

- Eu passei a 100 km/h? Eu dirijo que nem uma velha, pô. Bem vagarosamente mesmo. E você sabe disso. Além do que, se eu passei tão rápido, como você tem certeza que era eu? Você só deve ter visto de relance.

- É. Tem razão. 

- E tem outra. 

- O que?

- Se eu passasse em um Puma rosa por você, estacionasse o carro em frente a uma máquina de teletransporte...

- Teletransporte?

- Deixa eu acabar. E depois de estacionar, me teletransportasse aqui para dentro, chegando antes de você. 

- Certo.

- Você me perguntaria como cheguei tão rápido? 

- Pergunta errada?

- Sem dúvida. Você devia perguntar onde eu arrumei um Puma rosa. E mais: o que eu tinha na cabeça para adquiri-lo e sair correndo por aí, a 100 km/h.

- Tem razão. É que hoje estou com a cabeça na lua. Tem certeza que não era você?

- Olha a pergunta.

- É mesmo. Onde você arrumou um Puma rosa?

- Não era eu, cacete.

- Mas eu só posso perguntar isso. Depois que você responder, daí sim eu pergunto como voc~e chegou aqui tão rápido.

- Mas a partir do momento que não era eu, não sei dizer onde eu consegui o Puma rosa. Se bem que...

- O quê?

- Só em um lugar eu poderia conseguir o Puma rosa. 

- Onde?

- Nos anos 80. 

- Ah, rá. E como você chegou aqui tão rápido?

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Rei Eduardo e a Bolivianada

- Costela, eu tava aqui pensando que quando você tiver filhos, poderia batizar um deles de Reeduardo. 

- Poder, poderia, Buchabick. Mas pensei também, além de Bruce Willisvelton, que será o primogênito, em batizar um filho de Rei. Seria Rei Eduardo, como o Rei Eduardo da Escócia que também era Rei Eduardo da Inglaterra.

- Estou vendo aqui a capivara do tal Rei Eduardo. Ele era casado com a Leonor de Castela.

- Olha aí, quase uma mulher minha: Leonor do Costela.

- Tem nome de mulher de dono de bar. 

- Repare no nome da filha do Rei Eduardo: Beregenária. Me diga se, com esse nome, tem como ser bonita. Não tem.

- Eu fecho os olhos e vejo a Beregenária como algo próximo ao Bolinha usando uma peruca ruiva.

- Falando em peruca ruiva, hoje passei muito tempo assistindo a um leilão via internet.

- E o que peruca ruiva tem a ver com isso?

- É que eles leiloam de tudo. Cachaça, carro, casa. Leiloaram uma lancha que valia R$ 20 mil e ela saiu por R$ 5 mil.

- Sempre quis uma lancha. Perdi a oportunidade.

- Pois é. Mas parece que sempre rola esse leilão. Fiquei impressionado com a quantidade de coisas e com os preços. Se eu for lá um dia, é capaz de sair montado em um unicórnio rosa.

- Tem até unicórnio sendo leiloado?

- Tem tudo. O único problema é que eles não mostram o produto antes. Só informam as condições. 

- Tem tudo mesmo? Até escravos?

- Então, estou esperando chegar a hora do leilão dos escravos, só para saber quanto tão valendo hoje em dia.

- Se tiverem canela fina, valem bastante.

- Teria que ver os dentes também, mas como eu disse, eles não mostram o produto antes.

- Uma pena.

- Se bem que desconfio que seja tudo boliviano. Aí sai barato.

- Não fala assim. Tenho a maior dó disso.

- Mas eles gostam de ser escravos no Brasil. Não esquenta.

- É, né. Povo trabalhador é outro papo. Quem tinha preguiça eram os índios, que eram também um tanto rebeldes. Aposto que nesse leilão, eles tentam empurrar os índios.

- Tentam sim. Certeza. Até maquiam, botam roupas coloridas nos índios, dão flautinhas e tentam empurrar como bolivianos legítimos.

- Daí o cidadão de bem arremata o escravo e, na esquina, já percebe que comprou índio por boliviano. É só passar em um camelô que o escravo pára, pedindo pro dono comprar espelhinhos.

- Pois então. Já escrava branca, que é bom, só em boutique cara.

- Acho que só em leilão da Oscar Freire. E olhe lá.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Alá, Meu Bom Alá

 - Cara, olha isso: Detidos 20 muçulmanos enquanto realizavam orgia no fim do ramadã.

- Por Alá!

- Repare que eram 20 mulçumanos e três prostitutas.

- E elas tinham entre 17 e 43 anos. Eles, entre 20 e 30 anos.

- Isso dá quase 7 mulçumanos por prostituta. 

- Imagina a cara dos 7 que ficaram com essa prostituta malaia de 43 anos. Devia estar meio sambada, né?

- "O último que chegar é mulher do padre!"

- Ou melhor: "o último que chegar é Maomé do árabe!"

- Isso não faz o menor sentido.

- Eu sei, mas consegui encaixar Maomé e árabe na mesmo frase. E rimou com mulher e padre. Me dou por satisfeito. 

- Sobre a questão da beleza malaia na meia-idade, duvido muito que a Malásia produza prostitutas maduras de alta qualidade.

- Ah, não produz nem prostituta nem não prostituta. Duvido muito que haja por lá algo do naipe da Luiza Brunnet ou da Vera Fischer.

- Ou mesmo da Ana Maria Braga. Acho que nasceu na Malásia, se for mulher, passou dos 25 já aparenta 87. 

- E mesmo assim essa mulçumanada foi lá e passou fumo. Repare que a reportagem diz que foram 48 horas initerruptas de orgia. 

- Se eles fizeram essa orgia toda com malaias de idade avançada e ainda tendo que repartir com mais seis, imagina a sujeira que não vão aprontar no Céu quando derem de cara com 12 virgens só para eles.

- Vai ser um Deus nos acuda.

- Ou melhor: "vai ser um Alá de burka".

- Isso não faz o menor sentido também.

- Eu sei. Mas encaixei Alá e burka na mesma frase. E burka rima com acuda. Me dou por satisfeito.


quarta-feira, 23 de setembro de 2009

O Estranho Caso do ET Panamenho

- Que dó desse ET que os panamenhos pegaram de pau. Acho que foi um erro fazer isso.

- Dó? Que medo, isso sim. Melhor matar do que dar bobeira. Todo mundo sabe que com relação a ET panamenho, deu mole, eles já tão chupando sua medula. 

- Tá na cara que esse ET não tinha capacidade de fazer isso. Ele foi morto por umas crianças a pedradas. Pior: foi morto por umas crianças PANAMENHAS a pedradas. E panamenho é um povo reconhecido internacionalmente pela falta de vitamina A, B, C e D no sangue.

- Vai ficando com dó, vai. Assim que os comparsas estelares deles chegarem e acabarem com metade da população do Planeta, quero ver a dó que você vai ter. 

- Era um ET pobre-diabo. Se no planeta dele todo mundo for igual, não acabam nem com a população de Diadema. 

- Mas Diadema é chapa quente, meu chapa.

- Tá. Usei um mal exemplo. Não acabam nem com a população de São Caetano do Sul.

- Será?

- Nem acabam. São frouxos. Por isso me deu dó. São inofensivos. A partir do momento que uma criança panamenha é ameaça para sua raça, é sinal que a extinção se aproxima a passadas largas.

- Pode ser. É que sempre fico com pé atrás quando o assunto é ET. 

- Eu sempre confundo o "Canto do Cisne" com o "Canto da Sereia".

- Está mudando de assunto ou isso tem a ver com ETs?

- Mudei mesmo. Nunca sei qual é qual.

- O Cisne canta quando sente que vai bater com as 10. Assim, a expressão é usada para definir algo que está no fim. A Sereia canta, com sua voz tão linda e melodiosa, para atrair marinheiros que, quando vão ao seu encontro, acabam tendo o mesmo fim do Cisne: vão pro saco.

- Então a gente pode dizer que o Canto da Sereia é o Canto do Cisne pros marinheiros?

- Positivo. 

- Por isso que eu confundo. 

- Eu nunca tinha cruzado as duas histórias. Acho que agora vou confundir também.

- Voltando ao ET. Podemos dizer que encontrar os trombadinhas panamenhos foi seu Canto do Cisne?

- E que seu Canto da Sereia foi também os meninos panamenhos, já que eles o atraíram para a morte.

- Olha, segundo as crianças, não foram eles que atraíram. O ET que avançou neles e tenou agarrar suas pernas. 

- Cacete. Será que o Canto da Sereia do ET foi sua pedofília?

- Ou sua tara por pernas. 

- Nunca saberemos, já que o mataram.

- Eu não disse que isso havia sido um erro?

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Educar é Ensinar para o Infinito

- Daí eu ouvi "hoje vou fatiar perobo". E deu no que deu.

- Quer dizer que ele já chegou tilapiando a beirada?

- Exatamente. Daí eu pensei "ou corro e me salvo ou fico e vou para o beleléu". Daí, corri. Mas fui para o bebeléu, por uma infelicidade do destino.

- Como assim?

- Bom, ni qui eu sai correndo, achei que a porta estava aberta. Mas a porta não estava aberta. Era de vidro mesmo.

- Foi estilhaço para todo lado?

- Para todo lado, nada. Pra um só: meu corpo. Me ralei todo. Ó isso aqui, ó. Dói só quando eu respiro.

- Falando em respiro, estou com um problema meio grave. Estou com algo cheirando mal dentro do meu nariz. E a cada respirada, eu sinto esse odor horrendo. Alguma coisa deve ter estragado ali dentro. Acho que foi algum pêlo ou meleca.

- Meleca quando estraga vira ranho. 

- É?

- É. Prova disso é que as pessoas as cospem ou as assoam. Já viu gente cuspir ou assoar meleca? Eu, nunca. Já ranho... vixe. É expelido com um asco tão grande que as pessoas até apostam quem cospe mais longe.

- Eu já ganhei medalha de prata em um concurso de mijo à distância, por falar nisso. 

- Davam medalha nesse concurso? Que organizados, hein?

- Pra você ver como são as coisas, tinha até regra. Só podia tomar água duas horas antes do embate. Coca-cola, por exemplo, era considerado dopping.

- Quem diria que a organização chegou ao concurso de escatologia.

- Pois é. Aliás, sobre escatologia, tenho uma dúvida. Falar de espinha é escatologia?

- Não sei. Por quê?

- Porque eu queria dizer "falando em escatologia, outro dia me surgiu uma espinha e...". Posso falar isso?

- Pode falar o que quiser. Quem sou eu para te regrar?

- Bom, então, como eu dizia, por falar em escatologia, outro dia cocei o queixo e achei uma espinha. Aí, como ela ficava sob a barba, começou a me incomodar deveras. Quanto mais eu futucava, mais me incomodava. E os pêlos da barbicha ali, atrapalhando meu futuco.

- Aí você resolveu se barbear para coçar melhor.

- Já te contei isso?

- Depende. Quando você acabou de se barbear não encontrou nada sob a barba e concluiu que a espinha havia nascido na própria barbicha?

- Isso. Já ouviu essa história?

- Não.

- Ah, então, vê só que coisa estranha. Quando eu acabei de me barbear, não encontrei nada sob a barba. Sabe qual é a minha conclusão?

- Que a espinha havia nascido nos pelos da barbicha.

- Isso! Como você sabe?

- Já aconteceu comigo isso, certa feita. Mas no lugar da espinha, foi um galho. No lugar da barba, folhas. No lugar de mim, um jacarandá.

- Nossa! E aí, como você resolveu a questão?

- Ah, comprei uma tesoura de jardinagem e mandei bala.

- Ficou bom?

- Mais ou menos. O Edward Mãos de Tesoura faria melhor. E o Wolverine, pior. Acho que no final das contas, ficou na média.

- Será que o Wolverine nunca precisou amolar aquelas garras?

- Num duelo entre o Edward e o Wolverine, quem você acha que levava?

- Duelo do tipo briga ou de jardinagem?

- Num duelo neutro. Tipo em um concurso de quem come mais salsicha e bebe mais cerveja.

- De cerveja, Wolverine leva. De salsicha, Edward. Assim sendo, declaro empatados.



domingo, 20 de setembro de 2009

O Rosto Mais Esquecível do Mundo

- Ai galera, só eu ou mais alguém aqui acha a Didi a cara do Fábio Assunção?

- Galera? Que galera? Só eu estou aqui, meu filho. 

- Ah, é. Foi o hábito de falar com um megafone para as multidões.

- Megafone? Multidões?

- Um dia te conto. Agora não tenho tempo para isso. Devemos debater uma questão mais urgente. 

- Que é a suposta semelhança entre o Renato Aragão e o Fábio Assunção, correto?

- Não, não. Eu disse a Didi. No caso, me refiro à Didi Wagner, aquela ex-VJ da MTV que hoje em dia completa a grade 100% chata do Multishow com mais um programa 100% chato que me foge o nome agora.

- Ah. É uma loirinha. Sei quem é.

- Então, ela não é a cara dele

- Até que é viu. Ponto para o rapaz do megafone.

- Obrigado, obrigado. Sou ótimo fisionomista e um rei na arte de descobrir "separados no nascimento". Vide que fui o primeiro a descobrir que a Sandra Bullock é a cara do finado Michael Jackson. E que o Ricardo Gomes é a cara do Morrissey. Isso entre outras percepções, claro.

- Olha, eu até que não sou mal fisionomista. Só tenho problemas com a Elis Regina.

- Tem problemas com ela? Se ela não tivesse morrido, eu sugeriria que você desse uma surra na sirigaita, para parar de causar.

- Hahahaha. O que eu quero dizer é que tenho problemas com a fisionomia dela.

- Essa é fácil: ela é a cara e a voz da Maria Rita. Próxima, por favor.

- Não, você ainda não entendeu. Eu tenho uma dificuldade danada em reconhecê-la. Se eu a encontrasse na rua...

- Além de ser médium.

- Além de passar direto por ela, não descobriria que sou médium, porque eu não a reconheceria e, portanto, não saberia que trata-se de uma alma penada.

- Deixa ver se entendi: você vê fotos, vídeos, etc, da Elis Regina desde que nasceu. Mas passados cinco minutos, não lembra mais do rosto dela, é isso?

- Isso. Toda vez que estou vendo TV e aparece ela cantando, eu fico esperando os créditos para saber de quem se trata. Ela, para mim, tem o rosto mais esquecível do mundo. 

- Cacete. E esse negócio pode atrapalhar sua vida, né?

- É? Mas ela já morreu. Acho que não tem problema.

- Mas aí é que está. Voltemos à questão da mediunidade. Se você a visse e a reconhecesse, saberia que é médium. Poderia tirar uns trocos com uns livros psicografados em nome do "espírito Elis Regina". Se pans, até gravaria um disco. Ficaria rico e, com sua grana, poderia me patrocinar.

- Patrocinar em que?

- Nesse meu dom natural de descobrir separados pelo nascimento. Eu ia rodar o mundo e ficar rico e famoso, só apontando para as pessoas na rua ou mostrando fotos de revistas. Ia ser a minha glória. 

- Jesus! 

- Aliás, você já reparou que a Mariana Weickert é a cara do Fred Mercury?

- Como?

- E que a Karina Bacchi é a cara do Pato Donald?

- Nunca agradeci tanto aos céus por não ser médium.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Com muito menos, Galileu fez miséria

- Se a gente cavar um túnel em linha reta, passando pelo centro da Terra, quanto será que dá de distância daqui até o Japão?

- Não sei se daqui, em linha reta passando pelo centro da Terra, chegamos até o Japão.

- Mas considerando que cheguemos. Quanto será que dá de distância?

- Deixe-me pensar. 

- Como informação adicional, te digo que o Pré-Sal está 7 quilômetros Terra adentro.

- Para que eu usaria uma informação dessas?

- Ah, sei lá. Galileu descobriu que a Terra era redonda só olhando para o Sol. Acho que com uma informação sobre a distância do Pré-Sal podemos calcular melhor.

- Galileu era gênio. A gente, não.

- Será que era gênio mesmo? Ou será que era um chutador que acertou?

- Como assim?

- Naquela época devia ter todo tipo de gente defendendo teorias sobre o formato da Terra. Um que dizia que era quadrada, outro, plana. Um, que era sustentada por uma macarronada gigante suspensa por um enorme coelho. Outro, que era a macarronada que segurava o coelho. Daí, entre tantos chutes, alguém iria acertar. No caso, Galileu.

- Bom, o fato é que ele acertou. E somente olhando para o Sol.

- Imagina a miséria que não faria se tivesse uma régua. 

- Vixe, ia ficar pequeno pro Eisntein, pro pessoal da Inquisição e até para o povo do Kumon. 

- Mas, voltando à distância Brasil-Japão via centro da Terra. Acho que, usando o Pré-Sal como base, devem ser uns 23 quilômetros.

- Só? Você tá me dizendo que o Japão e o Butantã tem as mesma distância saindo daqui?

- Não sei. Deixe-me pensar mais. Galileu fez mais do que isso só olhando para o Sol.

- Imagina o que ele não faria com um compasso e uma trena.

- Pois é. Peraí, vou pegar aquela bola de futebol que está jogada ali.

- Ok.

- Ó. Daqui até o meio dela são uns 10 centímetros. Logo, então daqui até a outra ponta são 20 centímetros. Agora, passemos isso para a Terra. Como?

- Sei lá. Que tal multiplicando?

- Certo. Vamos de proporção. Essa bola tem 20 centímetros entre Brasil e Japão. A Terra é quantas vezes maior do que essa bola?

- Um milhão de vezes maior?

- Certo. 20 centímetros vezes um milhão dá quanto? 20 milhões centímetros. O que dá quanto em quilômetros? 

- Hummm. Acho que dá 20 quilômetros.

- Pronto, é isso. Estamos a 20 km Terra adentro do Japão.

- O que torna o Butantã levemente mais perto. 

- Empate técnico, eu diria.

- Exatamente.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Zumbi é o senhor das trevas

— Você acha que zumbi também é gente?

— Zumbi? Do que você está falando?

— Zumbi, tipo morto-vivo, como nos filmes de terror.

— É gente, sim. Mas é gente morta.

— Morta-viva.

— De qualquer forma, não é gente normal.

— Aí é que está o problema. Quem é que decide se é normal? Por exemplo, se existe uma maioria de zumbis em determinado local, por que eles não teriam direito de viver ali da maneira deles?

— Porque estão invadindo um espaço que já tem dono. E comendo o cérebro de todo mundo.

— É mais ou menos isso que os americanos dizem dos mexicanos imigrantes. Mas e o lado dos imigrantes? Eu acho que deviam fazer um filme de terror mais humanitário, com foco na visão dos zumbis.

— Como humanitário? Eles são monstros.

— Ok, foco mais zumbinitário. Imagine o quanto sofre um zumbi. Ele não pediu para estar ali. No entanto, está. E sempre tem gente estourando suas cabeças com espingardas. Ninguém tem dó.

— Sim, claro. Então porque não fazer logo um filme sobre zumbis nazistas...

— Alguma coisa contra os nazistas? Porque já fizeram um filme sobre zumbis nazistas.

— Fizeram? Então acho que agora não falta mais nada neste mundo. Finalmente a obra de deus está completa.

— Ainda faltam um gato com cabeça de leão e filmes que venham redimir mortos-vivos e nazistas. Você não acha que nazista também é gente?

— Por mim até esse gato com cabeça de leão que você falou aí é gente.

— Por deus. Tudo tem limite, herege.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Whoopi das Quantas Mesmo?

- É muito Poliana ver o lado bom da morte do Patrick Swayze?

- Depende do que você vê como "lado bom". Se você falar que é "menos um ator fracassado do mundo", vou dizer que não é lá muito Poliana, não. 

- Ah, não! O lado bom é que, de tanto ler o nome, finalmente aprendi a escrever "Swayze". 

- E o lado ruim é que, agora que ele morreu, você não terá mais muitos motivos para escrever "Swayze". 

- Tem outro lado ruim também. Nunca entendi o filme Ghost direito. Agora que ele morreu, quem vai me explicar?

- O que há para entender no filme? Tudo que você tem de saber é que a Demi Moore beija a Whoopi e mais nada. 

- Adoro essa cena. Eu faria o mesmo se eu fosse a Whoopi.

- Eu faria o mesmo se eu fosse a Whoopi ou se eu fosse a Demi Moore. Tá na TV, tô beijando.

- Aliás, é Whoopi Goldberg ou Golber?

- Sei lá. 

- Acho que teremos que esperá-la morrer para aprender a falar. 

- Se a gente não sabe nem falar, imagina o que ela não terá de passar para que aprendamos a escrever o nome. Teremos que esperar ela ser enterrada viva, descobrirem o erro, a desinterrarem ainda com vida. Então, ela terá de voltar à vida e morrer de novo.

- É mais fácil ela morrer de verdade e voltar como morta-viva.  

- ...

- Não, não. Pensando bem é um tanto complicado morrer e voltar como morta-viva. Imagina a treta que não é escavar para cima, com as mãos meio moles e as unhas descolando.

- Esse negócio de volta do além-vida é complicado para qualquer um, mas não para Whoopi Golbis. Ela tem expiência com isso aí do além-vida. Vide Ghost.

- Ghost tem a ver com voltar da vida? Achei que era um drama lésbo-racial, com um pé no erotismo mediúnico, centrado no amor entre a personagem da Whoopi Golqualquercoisa e a Demi Moore. Pelo menos, foi isso que entendi com a sua explicação.


segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Falta de Ferro no Sangue

- Só tem um jeito de saber se você confia realmente em mim.

- Eu não confio em você. Menos ainda, quando você começa um diálogo com uma frase dessas. Nesses casos, eu realmente desconfio de você.

- É que eu estava pensando em fazer uma experiência e queria contar com sua ajuda, para descobrir no que dá.

- Você quer que eu seja sua cobaia?

- Não é isso. É que eu queria saber se uma pessoa consegue sobreviver por mais de um mês consumindo itens vendidos em farmácias.

- Como assim?

- Eu vejo que há pílulas ricas em zinco, em vitaminas em geral, como A, B, B12, e assim por diante. Sei que há remédios com potássio e ferro. Então, eu queria saber se é possível substituir refeições tradicionais por consumo dessas pílulas, que oferecem em vitaminas e outros elementos da tabela periódica exatamente o que o corpo necessita para suas atividades diárias.

- Que eu saiba, não há vitaminas na tabela periódica.

- Não importa. Você entendeu o espírito da coisa.

- Nesse seu experimento, está valendo beber água?

- Claro. Ou como você faria para engolir essas pílulas? E aí, topas?

- Eu fico um mês sem comer, somente tomando remédios. E você me observa, tira minha pressão, minha temperatura, vê se eu não vou morrer. Daí, no fim do mês, você tira suas conclusões e beleza?

- Eu não tinha pensado em tirar pressão nem em ficar te avaliando. Mas, se você insiste, beleza, possso fazer isso. E aí, topa?

- Você não vai fazer um documentário, não vai fazer anotações e publicar suas conclusões em alguma revista médica, nada do tipo? É só para matar sua curiosidade?

- Isso.

- Nem publicar em um blog?

- Nem.

- Tampouco escrever no twitter ou criar uma comunidade "Já sei o que acontece se as pessoas substituírem comida por remédio" no Orkut?

- Não, não. É só para saciar minha curiosidade mesmo.

- Você paga as pílulas?

- Rachamos meio a meio. Afinal, você iria gastar dinheiro almoçando.

- Tá. Eu topo. Mas, antes, você precisa provar que confia mesmo em mim.

- O que eu tenho que fazer?

- Eu sempre quis saber o que aconteceria se um maluco saísse correndo sem calças pela rua. Se ele somente pararia quando tivesse exausto de correr ou se a população, com porretes e tochas, o alcançaria antes dele virar três esquinas. E aí, topas?

- Eu poderia morrer fazendo isso. Se a população não me matasse, eu morreria de cansaço. 

- Eu sei. O que eu queria saber mesmo é se a pessoa sem calça consegue chegar à terceira esquina sem ser perturbado. 

- Isso é fácil responder. Se for o Usain Bolt, chega. Se não for, é abatido antes. Pronto, respondido. Acabou sua curiosidade. Agora, podemos passar para a minha experiência. Vai almoçar o que amanhã? Pílulas de zinco e capsulas de vitamina A?

- Comecemos com muita vitamina C. Prefiro morrer de inanição, intoxicação ou qualquer outro "ão" do que de escorbuto. 

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Na Subida do Morro

- Soltaram o italiano que foi pego dando uns malho na filha.

- Já não era sem tempo. Achei a maior palhaçada isso aí.

- Eu também. A filha é dele, ele faz o que bem entender. Se quer beijar, bolinar, etc, que o faça e ninguém tem nada com isso.

- É exatamente o que penso. É a mesma coisa quando reclamam que neguinho bateu na própria esposa. Ué, se eu não posso bater na minha mulher, posso bater na mulher de quem?

- Na dos outros é que não é, né? Como diria o Moreira, não é direito bater numa mulher que não é sua.

- Agora, voltando à questão da pedofilia italiana. Isso é uma coisa que me deixa tremendamente irritado.

- Pedofilia?

- Isso. Se tem um bicho que é porco é criança. Come terra, lambe parede, se caga, se mija. E aí vem um caboclo e quer dar beijo, entre outras coisas? Ah, não dá. Esse pedófilos parece que acharam a língua no lixo, pô.

- Mas nesse caso do italiano, era filha dele. Acho que ele sabia onde ela havia colocado a boca. Pior é quando não é da família, quando tem procedência duvidosa. Aí, sim, é pior.

- Pois é isso que eu digo.

- Mas olha, eu acho que os pedófilos não estão lá muito preocupados com saúde, doenças, etc. Nem com a idade eles se preocupam para chegar chegando.

- Pelo contrário, eles se preocupam com a idade sim. Passou de 16, estão fora.

- E do jeito que está esperta a mocidade hoje em dia, aposto que eles pedem RG para não levar gato por lebre.

- "Jura pela sua mãe que você tem 12 anos? Sei não, hein. Tá me parecendo 18. Deixa ver o RG!"

- Hahahaha. "Pô, mas isso aqui é sua carteira de motorista!"

- Hahahaha. Ou estende a carteira de trabalho.

- Se bem que, no Brasil, qualquer pessoa com mais de 6 anos já tem carteira assinada. Veja o caso dos meninos-carvoeiros.

- Alto lá! Menino-carvoreiro, com oito anos, já tem até esposa e filhos para sustentar. E tem muito trabalho. Mas te garanto que eles não têm carteira assinada.

- Se o menino-carvoeiro casa e tem filhos, se ele der selinho nos filhos na piscina, podemos considerar pedofilia? Afinal, ele é uma criança também.

- Ah, não, não é pedofilia. É namoro de criança. No máximo, incesto de criança. Não mais do que isso.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Sai Você Antes, Quero Ver Seu Rebolado

- E uma mulher usando begala?

- Já peguei.

- E uma com tapa-olho?

- Pegava.

- De peruca pintada com Grecin 2000?

- Pegava.

- Com três dentes em cada gengiva?

- Já peguei com dois. E paguei por isso.

- Manca?

- Opa. Tamos aí.

- Peluda?

- Si, si.

- Tonya Rama?

- Que porra é essa?

- A versão feminina do Tony Ramos.

- Ah, tipo a Claudia Ohana? Fácil.

- E barbada?

- Barba rala?

- Não. Fechada mesmo, como a do Chompiras.

- Uh. Com farofa. 

- E com barba rala?

- Também.

- E homem que mudou de sexo e virou mulher?

- Se mudou de sexo, é mulher. Pegava.

- E mulher que mudou de sexo?

- Já foi mulher? Pegava.

- Se uma árvore criasse vida, chegasse chegando e desse mole para você?

- Àrvore é mulher, né? Pegava.

- E a Hebe?

- Tá na TV? Se é famosa, pegava. Com exceção, claro, da Ana Hickman.

- Ué? 

- Ela é demais. E eu me conheço muito bem. Se a Ana Hickman chegasse muito perto, minha língua ia enrolar, minhas pernas, bambear. No fim das contas, seria mais fácil eu ter uma crise de pânico e de choro, ou entrar em combustão espontânea ou ter um choque anafilático do que pegar. Só de falar o nome dela, já fico todo arrupiado, espia.

- Mas que honestidade, hein!? Taí, te admiro. Você conhece seus limites.

- Tá sendo irônico?

- Nada. De verdade, gostei da sua sinceridade. De tanto que admirei, jamais iria te zuar. Da minha boca não sairia uma frase irônica.

- Pego.

- Quem?

- Você não disse Verônica


quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Um Pescoço, Duas Cabeças

- Eu estava vendo um comercial bem idiota que começava com "imagine algo que nunca ninguém imaginou". Daí, passava para "vá lá e faça isso" ou coisa que o valha e terminava com um "e aí, você poderá dizer: eu estive lá". 

- Eu já vi. É um da Smirnoff, se não me engano. 

- Isso. Ou é de alguma outra bebida vagabunda que quando misturada com Red Bull fica uma gostosura. Toda bebida vagabunda com energético fica boa, já reparou?

- Misturar Kaiser com Red Bull não resulta em gostosura. E olha que Kaiser é uma cerveja bem vagabunda.

- Isso porque você não colocou Red Bull suficiente. 10 latas de energético despejadas sobre meia colher de Kaiser transformam a cerveja em gostosura.

- E também em outra coisa que não é cerveja.

- Mesmo porque Kaiser não é bem cerveja. Tá mais para chorume.

- Churume com muito, muito Red Bull deve ficar bom também. 

- O correto é chorume ou churume?

- Na dúvida, usemos o termo "suco de lixo". Que acha?

- Acho propício. Mas voltemos ao comercial que diz "imagine algo que ninguém nunca imaginou". Isso não dá para fazer.

- Como não? Eu acabo de imaginar o Ringo Star com um rabo de peixe no lugar das pernas. Aposto que nunca ninguém imaginou isso.

- Você está me dizendo que ninguém, entre sete bilhões de pessoas, em 59 anos, nunca, nem em um segundo, pensou no Ringo Star transformado em sereio?

- 7 bilhões de pessoas? 69 anos?

- Acho que a Terra tem sete bilhões de habitantes. Esse é o universo de pessoas que poderiam imaginar que estou considerando. Deixo de lado seres extraterrestres e animais, para limitar o espectro imaginativo.

- E os 69 anos?

- 69 anos é a idade do Ringo. Imagino que as chances de alguém tê-lo imaginado com um rabo de peixe antes mesmo dele nascer diminuam muito, embora seja possível que algum Nostradamus da vida tenha imaginado. De qualquer forma, considero um universo limitado a 69 anos e sete bilhões de pessoas para você não reclamar.

- Não reclamo.

- Pois então, você me garante mesmo que nunca ninguém imaginou o Ringo Star com um rabo de peixe? Que nem por um segundo um morador do Himalaia imaginou o Ringo sereio antes de dormir? Ou que um esquimó, em uma alucinação resultante da aspiração em excesso de fumaça de óleo de foca queimado, pensou na cena?  

- Não garanto, claro. As possibilidades são muitas. Mesmo porque rabo de peixe e Ringo Star são coisas até que populares.

- Menos do que barbatana de tubarão ou do que o John Lennon, mas, mesmo assim, populares. Viu como é duro imaginar algo que nunca ninguém imaginou? 

- Acabo de imaginar você com uma segunda cabeça saindo do seu pescoço. E essa segunda cabeça é a do Chico. Na cabeça do Chico, há um papagaio pousado. O papagaio, chamado Sheila, fala sem parar "José Serra para presidente". Isso é inédito, não?

- Quem é Chico?

- Um amigo do meu pai do tempo em que eu era pequeno. Ele tinha um papagaio de verdade. Chamava Sheila. Só não sei se o papagaio gostava do José Serra a ponto de defendê-lo para a presidência da república. De toda forma, isso me parece inédito.

- Você me garante isso? 

- Quem mais imaginaria essa bobagem?

- Existe mais alguém que me conhece, que conhece o Chico e que conhece o papagaio dele além de você?

- Ixéste. Meu pai, minha mãe, minhas irmãs. Acho que uns dois tios meus e uns primos aí. Mas acho que eles não são bobos a ponto de imaginarem você com duas cabeças, um papagaio e o Pedro Simon para presidente.

- Você me garante isso? Garante que um desses seus tios nunca encheu o caneco e em suas ilusões etílicas imaginou minha cabeça, a do Chico e a Sheila sobre o mesmo pescoço?

- Difícil garantir isso. Mas meus tios não bebem, logo, seria muito complicado eles pensarem isso bêbados.

- Não muda de assunto. Você jura por sua mãe e por tudo o que é mais sagrado que eles nunca imaginaram isso?

- Tá. Não juro.

- Viu!? 

- Quando eu tinha uns 12 anos, escrevi uma história de terror. A personagem principal era a Samantha Taylor. Ela era meio amaldiçoada. Nunca mostrei essa história para ninguém. Quando eu tinha sete anos, possuía um relógio amarelo, quadrado e digital, muito invocado. Neste momento, imagino a Samantha Taylor equilibrando esse relógio na testa. No ombro dela, a Sheila pede José Serra para presidente. Pronto, taí algo que nunca ninguém imaginou porque nunca ninguém leu a história e ninguém sabe como é a Samantha Taylor.

- Ela era loira, baixinha, com um olhar penetrante?

- Não. Era a Luiza Brunet, mas com uma pinta no rosto, tipo a Marilyn Monroe. Eu dei a ela o nome de Samantha Taylor só porque as duas primeiras sílabas formavam a palavra "Satã". 

- Satã?

- Já mencionei que era um conto de terror?

- Ah, sim. E, falando nisso, já reparou que hoje é dia 9/9/9? É o contrário de 6/6/6.

- Rapaz! É o dia do Capeta Plantando Bananeira. Ou do Capeta Bizarro, que no fim das contas é Deus.

- De volta à Samantha Taylor, acabo de imaginar a cena. Vi na minha frente a Luiza Brunet pintada com um relógio amarelo e quadrado na testa. Viu como é difícil imaginar algo que nunca ninguém imaginou? Você imaginou, mas eu também. Chupa!

- Eu imaginei a cena 5 segundos antes de você. Até eu tê-la imaginado, ninguém mais no mundo havia pensado nisso. Pronto, provei que é possível imaginar algo que nunca mais ninguém imaginou. 

- Tá. Provou seu ponto. Mas mesmo assim, o comercial não pára em pé porque diz algo como "vá lá e faça acontecer". Depois de você imaginar algo que nunca ninguém imaginou, como vai fazer isso existir? Vai pegar a Luiza Brunet, pintar a cara e colocar um relógio na testa dela, para fazê-la equilibrar?

- Isso eu acho até possível. O complicado mesmo vai ser convencer um papagaio a defender o Serra para presidente. 

- É, pensando bem, não dá. Tudo tem limite.

- Te falei.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Polícia e Bandido

- Não gosto de policial gordo.

- Eu não gosto de mulher com coisa verde presa no dente.

- Coisa verde quer dizer o que? Um papagaio preso no dente?

- Não. Coisa do tipo alface, couve, aliche. Além de me dar aflição por eu nunca saber o que fazer, se aviso que tem um negócio verde lá ou deixo quieto, ainda acho que fica feio. Não orna, manja?

- Aliche não é verde. É cinza.

- O que só torna as coisas piores.

- Mas eu não gosto de policial gordo porque não condiz com a condição de policial. Eles deveriam estar em forma para o caso de precisarem correr atrás de bandido, não? 

- Acho que não. Pra que correr se você pode atirar?

- Mas no caso de ele estar desarmado e precisar correr atrás de um bandido, é batata que vai perder na corrida. Mesmo porque todo bandido, consciente que é da sua profissão, é magro e está em forma.

- Acho que os bandidos são magros porque são tudo drogado, não porque são conscientes da profissão.

- Não importa o motivo. O fato é que em uma corrida o gordo toma um pau do magro. E, no Brasil, o gordo é o policial e o magro é o ladrão. Acho muita falta de noção e profissionalismo os policiais não cuidarem do corpo.

- Os policiais passam a maior parte do tempo sentados, não é fácil manter a forma assim. 

- Quem disse que ia ser fácil? O problema é o princípio. Você cortaria o cabelo em um barbeiro careca, iria a uma fonoaudióloga com dislalia ou sairia para almoçar com uma vegetariana que tem como prato preferido alcatra mal passada?

- Não saio com vegetarianas.

- Por quê?

- Elas têm maior probabilidade de ficarem com coisa verde nos dentes. Só de pensar no que fazer, me arrepio todo.


sábado, 5 de setembro de 2009

Comédia de Erros Tupiniquim

- Por que seu cabelo tá desse jeito, Daniell?

- Não amola. Tô chegando da delegacia.

- Foi dar parte do cabelereiro que fez isso aí?

- Barbeiro, por favor. Cabelereiro é coisa de mulher. Barbeiro, de homem.

- Foi dar parte do barbeiro que resolveu passar a máquina zero somente do lado esquerdo da sua cabeça, deixando seu cabelo intacto do outro lado?

- Não. O barbeiro, na verdade, estava junto na delegacia. 

- Já sei. Você resolveu sair sem pagar, o que eu considero justo, haja vista esse corte bisonho. Aí, o barbeiro achou ruim, te chamou de caloteiro e toca todo mundo para a delegacia. Se quiser, eu posso testemunhar a seu favor. Eu também não pagaria por essa porcaria aí.

- Não é nada disso. Eu estava cortando o cabelo. Pedi para o barbeiro raspar, porque cansei de esconder a careca e as entradas sob esse topete. E...

- Meio topete.

- Como?

- Agora é um meio topete. O barbeiro raspou a metade de cá, olha.

- Ah, sim. Bom, o fato é que cansei de me enganar e enganar os outros e assumir a carequice. 

- Para ser honesto, você não enganava ninguém. Todo mundo via que você tava ficando careca. Mas nunca ninguém te alertou porque era muito engraçado vê-lo saindo da piscina com um filete de cabelo e você todo pomposo, se achando cabeludo.

- Quer acabar de ouvir a história ou não?

- Ah, tá. Desculpe.

- Então, daí pedi para o barbeiro raspar. Quando ele estava na metade do serviço, com a máquina, faltou luz. Eu não me abalei muito, porque achei que ele pudesse terminar o trabalho com a tesoura e a navalha. Mas o barbeiro ficou bravo com o pessoal da Eletropaulo, que estava mexendo em um poste do outro lado da rua e que, provavelmente, havia sido o responsável pelo corte de energia.

- Aí ele foi tirar satisfação com o povo da Eletropaulo?

- Sim. Mas à distância. Com a tesoura e a navalha nas mãos, posicionadas sobre minha cabeça, começou a gritar para o pessoal da Eletropaulo vários impropérios.

- Que perigo! 

- Também achei, mas não consegui me mexer e fugir do barbeiro bravo. Ele demorou tanto para iniciar o corte com a máquina que minhas pernas dormiram. 

- Se você posicionasse uma caneta BIC no interior do seu tênis, a dormência passaria na hora.

- Que simpatia mais besta. Além do que, eu estava de chinelas.

- Chinelo.

- Que seje, sr. macumbeiro. Posso terminar?

- Que seja. Pode.

- Bom, daí estou eu lá imobilizado...

- Por falta de uma caneta BIC, diga-se.

- E de um tênis também. O pessoal da Eletropaulo não gostou do que o barbeiro gritou para eles e vieram tirar satisfação. 

- Não acho que seja boa coisa tirar satisfação com um barbeiro bravo e, ainda mais, armado de uma tesoura e uma navalha.

- Ambas cegas, conforme percebi da pior forma possível no intervalo entre o pessoal da Eletropaulo entrar na barbearia e o barbeiro parar de xingá-los e tentar terminar meu corte.

- Mama mia! E daí, na confusão, passou a polícia e foi todo mundo para a delegacia?

- Antes fosse. Quando já se passavam uns 10 minutos de bate-boca e eu ali, ainda imóvel...

- Como sua perna dorme, não?

- Rapaz, ela estava até babando e roncando, de tão profundo que estava o sono.

- Já te falei que se você tivesse uma BIC, ela serviria de despertador?

- Meio da confusão, entraram dois sujeitos na barbearia e anunciaram um assalto. Renderam todo mundo: eu, o barbeiro e os dois caboclos da Eletropaulo. 

- Que cousa!

- Vai vendo. Aí eles pegaram as carteiras e os celulares do barbeiro e dos Eletropaulos. Quando chegaram em mim, tivemos um impasse.

- Não me diga que você deu de herói e quis sair na mão com eles?

- Não te digo. Expliquei aos dois simpáticos meliantes que minha carteira, assim como meu celular e tudo mais que eles queriam, estavam em meu bolsos traseiros da calça. E que eu estava com as pernas dormentes.

- Por falta de BIC.

- É. E que, por isso, ia precisar da ajuda deles para pegar tudo, já que não conseguia me mover sozinho.  

- E eles?

- E eles, muito compreensivos para dois sujeitos claramente mal intencionados, resolveram me erguer para que pudessem me assaltar.

- Que sena linda.

- Sim, linda, Sasha

- Sasha?

- Esquece. A cena foi linda. Só que nessa distração dos bandidos, entretidos em me levantar, o barbeiro conseguiu fazer sinal para uma viatura que passava na frente do salão no momento em que o assalto se dava.

- E toca todo mundo para a delegacia?

- Você acha que é fácil assim? Foi mais ou menos isso que aconteceu, mas tivemos mais um probleminha antes disso.

- Troca de tiros?

- Antes fosse. Quando os policiais entraram, o barbeiro apontou para nós e disse "assalto! assaltantes."

- Hummm.

- Aí os policiais olharam para nós três e entenderam na hora que era um roubo a mão armada.

- As armas nas mãos dos bandidos facilitaram a compreensão, acredito eu.

- Sim. Mas na confusão e gritaria, eu acabei sendo confundido com comparsa dos malacos, já que eu estava sendo abraçado pelos bandidos no momento em que a polícia entrou no recinto. 

- E o barbeiro não disse nada?

- Na hora que entrou a polícia, ele esqueceu do assalto e resolveu voltar a bater boca com os Eletropaulos, que não deixaram por menos e gritaram vários impropérios. 

- Que pastelão. 

- Só faltou torta de merengue na cara. 

- Dava para improvisar com creme de barbear. Já vi isso no Chaves.

- Dava mesmo. Mas não improvisaram. Sei que aí a polícia tentou conter também os brigões. E levou todo mundo para a delegacia, em dois grupos distintos. O dos ladrões e o dos brigões.

- Mas você não era brigão nem ladrão.

- Eu sei disso. Você sabe disso. Mas o delegado não sabia disso, nem os policiais. Então, eu já estava sendo autuado como "punk chefe da gangue de assaltantes" quando finalmente consegui convencer o delegado a perguntar para o barbeiro se eu era ladrão.

- E o barbeiro confirmou.

- Confirmou. Mas demorou até o delegado permitir que interrogassem o barbeiro. Os policiais juravam que tinham me visto abraçado com os meliantes. Logo, eu só podia ser da gangue. E por "ser punk", tava na cara que eu era o líder.

- Mas aí pintou o barbeiro e esclareceu, correto?

- Correto. Demorou, mas me liberaram. 

- Quando foi isso tudo?

- Ontem de manhã.

- E você só foi liberado agora?

- Não, não. Me liberaram ontem, por volta das 18 horas mesmo.

- E por que você só chegou em casa agora?

- Minhas pernas. Só acordaram hoje de manhã. Acho que estavam com sono atrasado.

- Não tinha BIC na delegacia?

- Nem perguntei. A polícia brasileira é muito sucateada, sabe?

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Nota do Autor: 

- Quer dizer que o texto acima você começou a escrever em 2005?

- Tive a idéia em 2005. Aí, de ontem para hoje, sonhei com ela e resolvi escrever.

- E por que você cita o Daniell lá no começo?

- Porque, no meu sonho, o Daniell era o personagem principal.




sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Universal compra a Turma da Mônica

- Então quer dizer que a Disney comprou a Marvel?

- Tá atrasado, filhão. Já faz uns dois dias, pelo menos.

- É, eu sei. Mas só lembrei de comentar sobre o assunto agora.

- E o que você ia comentar?

- Nada. Só mesmo o "então quer dizer que a Disney comprou a Marvel"?

- Não ia fazer um comentário estúpido sobre algum encontro entre personagens da Disney e da Marvel?

- Não tinha pensado a respeito.

- Não mesmo? Não ia falar que se o Hulk casasse com a Margarida ia surgir um papagaio gigante e burro, tipo o Louro José?

- Não.

- Nem que se a Minnie cruzasse com The Flash ia nascer o Ligeirinho?

- Não. Mesmo porque o The Flash é da DC Comics, não da Marvel.

- E também não ia caçoar do Mickey por ter sido chifrado pelo The Flash ou do Pato Donald, por ele ter sido chifrado pelo Hulk?

- Não, mesmo porque...

- E não ia zoar o Pateta, o Pluto, o facista do Coronel Cintra, o Wolverine, o Homem-Aranha e o Thor?

- Não, não ia.

- Nem ia comentar, assim como quem nao quer nada, que um boquete da Clarabela no Coisa ia dar pedra nos rins daquela vaca?

- Nem que.

- Não ia falar que os parques da Universal, nos Estados Unidos, vão ter que mudar vários brinquedos, porque boa parte deles faz referência a heróis da Marvel? 

- Nope. 

- Nem que esses brinquedos vão ter que ser repintados e, no lugar dos heróis, o pessoal lá vai ter que usar os personagens da Turma da Mônica.

- Nã, nã.

- Nesse caso, então, porque você puxou o assunto?

- Como eu disse, só queria iniciar mesmo uma conversa fática. Só queria dizer "então quer dizer que a Disney comprou a Marvel".

- Ah bom.

- "Ah bom" por quê?

- Porque odeio quando zoam com a Turma do Mickey e com os heróis da Marvel ao mesmo tempo. 

- É mesmo? Não sabia.

- É sim. É como se estivessem sacaneando minha mãe. 

- Então não vou falar que o Tio Patinhas camufla. E que o Homem de Ferro, de tanto que bebe, só pode ser broxa. 

- Aí pode.

- Como assim?

- Você zuou o Tio Patinhas. Depois, o Homem de Ferro. Em separado, tudo bem. Não gosto mesmo é quando usam dois personagens de universos distintos e os unem em prol de uma piada grosseira.

- Se eu dissesse que o Tio Patinhas queria dar pro Homem de Ferro, mas ele não comeu porque é broxa, daí você ficaria bravo?

- Exatamente.

- Então não vou dizer.

- Obrigado.

- De nada. Mas que isso é meio estranho, ah é. Você é meio maluco, não? E um pouco encanado demais com essas coisas de broxisse e viadagem. Ui, ui, ui, ui.

- Pode me zuar, não ligo. Não metendo Marvel e Disney no balaio, estou tranquilo.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Trilogias e sexologias

— Muita gente fala de Star Wars, De Volta para o Futuro, Indiana Jones, mas minha trilogia preferida da história do cinema é a de Porky’s.

— Indiana Jones tem cinco filmes, filho. Como será que se diz isso, pentologia? E Star Wars tem seis filmes, ou seja, sexologia.

— Pouco importa. Na essência isso aí tudo é trilogia. O que veio depois dos três primeiros filmes é tudo perfumaria. Que eu saiba, só Rocky conseguiu ultrapassar essa barreira, mantendo o nível de excelência nos seis filmes.

— Menos o Rocky 5, vai?

— Rocky 5 é ruim mesmo. Mas aí a gente pode encaixar no lugar dele o Rambo I e fica uma sexologia de primeira qualidade.

— Rambo, sim, é uma boa trilogia.

— Mas já lançaram o Rambo 4. Se bem que, pensando bem, como já tiramos o Rambo I pra encaixar na sexologia de Rocky, então Rambo é uma trilogia de fato mesmo. Mas uma trilogia ruim.

— Melhor que a de Porky’s.

— Não, não. Era justamente o que eu dizia. Porky’s é a melhor trilogia do mundo. A do Kieslowski, por exemplo, fica no chinelo.

— Heresia.

— Peguemos Porky’s I. É um retrato crítico da decadência da sociedade americana. Expõe o preconceito com os judeus, os abusos de pais alcoólatras, os dramas existenciais da juventude...

— Puta chatice.

— Mas tudo isso em meio a idas e vindas a um puteiro fuleiro, festas de putaria, pegadinhas de putaria, trepadas e uma grande lição sobre como realizar uma vingança de superior qualidade.

— Aí, sim. Puta filmão!

— E Porky’s 2 vai por aí também, mas aí a molecada tem que aliar essas putarias todas com uma briga feia com a Klu Klux Klan. E depois da KKK, a briga é com uma espécie de liga das senhoras católicas, que na verdade são protestantes. Barra pesada.

— De fato, com esses elementos, não tem como ser ruim.

— No terceiro filme eu fico com um pouco de pena do Porky, que estava ganhando a vida quase honestamente com um barco-cassino e acaba se fudendo de novo na mão da molecada. O que salva o filme é que todos os atores já passaram dos 30 anos e fazem papel de quem está no colegial.

— E isso é bom?

— Não é muito, mas o filme foi o precursor desta prática e abriu um precedente, o que faz dele o “Cidadão Kane” dos filmes e séries de adolescentes.

— Chato de novo.

— Mas para compensar isso tudo, o diretor enfiou na trama um jogo de basquete incrível, várias chantagens e mais um monte de putaria.

— E tem gente que ainda não entende por que o cinema é chamado de a Sétima Arte.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Parabéns, Corinthians!

- Por que você está vestido assim? 

- Hoje é dia do Corinthians. Resolvi vir com a camisa do clube para homenagear. Aliás, Parabéns! E vai, Corinthians!

- Parabéns para você também. E "vai, Corinthians!" para você também.

- Oxalá, São Jorge! 

- Mas, me diga, e este shorts e este meião? Vai jogar bola depois do... ou melhor, vai jogar bola durante o expediente?

- Não. É que eu quis homenagear o Timão decentemente. Aí vim com o uniforme completo.

- E essa peruca amarela?

- Homenagem ao Biro-Biro.

- E esse papel crepom amarelo colado no seu rosto?

- O Biro tinha bigode, não tinha?

- Graças a deus ele não jogava de fio dental.

- Pensei a mesma coisa pela manhã, enquanto me produzia para vir trabalhar.

- Por isso demorou tanto? Já tá quase na hora do almoço.

- Pois é. Fiquei na dúvida sobre o bigode. Até decidir, não sai de casa.

- Dúvida entre colocar ou não?

- Não. Dúvida entre pintar de canetinha, usar crepom ou celofane. 

- Bom, já que tá quase na hora do almoço, vamos aproveitar e ir almoçar? Estou com tanta fome que comeria um dálmata.

- Eu também estou. Só não comeria um dálmata, porque estou evitando carne vermelha. Mas comeria uma asinha de anjo a passarinho.

- Asinha de que?

- De anjo. Manja aquela entidade que ninguém sabe o sexo e que aparece de vez em quando por aí, tocando trombeta ou harpa, de vestido e com uma auréola na cabeça? Imagina que delícia aquela asa frita. Nem deve ter colesterol. Hummmm.

- Bom, eu não sei onde vende asinha de anjo nem dálmata. Então, a gente podia ir no MacDonalds mesmo. Que acha?

- Boa. Vamos no seu carro?

- Está sem o seu?

- Cassaram minha carta.

- É mesmo? Estourou nos pontos?

- Não. Me pegaram dirigindo com um ET sentado no banco do passageiro e ele não estava usando cinto. Deu infração gravíssima interestelar. Cassaram na hora.

- Estourou os pontos por barbeiragem, né?

- É. Mas você quase acreditou na história do ET, né?

- Quase. Quando você falou que ele estava sem cinto, percebi que era mentira. ETs são interplanetariamente conhecidos por respeitarem as leis de trânsito.  

- Não sabia.

- Pois é. Além do que... hey! Se cassaram sua carta, você veio como para cá?

- Ônibus.

- Vestido assim? Não foi discriminado?

- Pelo contrário. Quando o cobrador me viu, achou que eu fosse o Biro-Biro de verdade e me deixou passar por baixo da roleta. Uma beleza!