segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Esqueçamos a Geisy, Por Enquanto

- Você sabia que é impossível alguém se suicidar prendendo a respiração? 

- Sabia. Já tentei fazer isso e fui mal sucedido.

- Você tentou se matar prendendo a respiração?

- Mais ou menos. Eu estava morrendo de soluço. Já soluçava fazia uns 3 dias seguidos. Daí, resolvi prender a respiração a sério. A ideia era beirar a morte e parar o soluço ou morrer tentando. Do jeito que ia, não tava dando.

- Obviamente, você não morreu. Logo, se curou.

- Não. Quase morri. Mas quando voltei a respirar, o soluço persistiu. Deu tudo errado, em resumo.

- E você desistiu de morrer nesse meio tempo?

- Sim. Quando eu estava quase partido dessa para uma melhor, vi minha vida inteira pela frente. E nesse filme, percebi que ainda não tinha plantado uma árvore, nem escrito um livro e nem tido um filho. Aí, resolvi viver mais para realizar essas três coisas.

- Eu plantei aquelas sementes de feijão no algodão na escola. Também já pichei uns muros e cuidei de um peixinho dourado quando era mais novo. Será que já posso morrer?

- Hummm. Acho que não. No máximo, pode ter um AVC, mas sem comprometer todo seu sistema nervoso. 

- Vixe, então ainda preciso comer muito arroz com feijão para morrer.

- Muito mesmo. Se você tivesse colhido abobrinha em fazendas australianas por seis meses, escrito um blog sobre a experiência e ainda tivesse cuidado de uma das abobrinhas tal qual um filho, vestindo-a com um terninho e levando-a à escola, acho que quebraria seu galho e deixaria morrer. Mas esse seu histórico é uma vergonha. 

- É?

- É. Aceitei o AVC. Mas, pensando bem, isso aí que você fez te garante, no máximo, uma tendinite. Se você morrer hoje, vai ser ridicularizado no Céu. 

- Nossa, vou me cuidar, então. Se eu vou ser ridicularizado em um lugar em que todo mundo usa toga, imagina o que não vão fazer comigo no Inferno. 

- Vão te colocar um chapéu de burro e mandar você ficar no cantão, olhando para a parede. Eu, se fosse você, tratava de ir plantar uma árvore, escrever um livro e fazer um filho.

- Para garantir, estou pensando em plantar umas dez árvores, re-escrever a lista telefônica de Pequim e ter filhos quadrigêmeos. Como eles devem levar, no mínimo, nove meses para nascer...

- No mínimo.

- No mínimo, não vou dar sopa para azar. Vou amanhã em um mercado e sequestrarei umas 3 crianças abandonadas pelas mães nos carrinhos de compra, enquanto elas pegam condimentos em outros corredores. Cuidarei desses pivetes como se fossem meus filhos. Daí, sim, estou garantido. Se for para o Céu, ninguém vai rir de mim.

- Olha, com sequestro de crianças nas costas, acho que você vai pro Inferno.

- Mas ninguém vai me ridicularizar lá, né?

- Não. Talvez você até seja canonizado, de tanto que vão te respeitar. 

- Ótimo. Odeio ser feito de palhaço.

- E se eu pegar essas três crianças e ensinar a bater carteira ou assaltar em farol? O que será de mim no Inferno? 

- Ah, aí é certeza que de canonizam duas vezes. Se pans, até te pagam um salário e te descolam suprimento vitalício de Lucky Strike vermelho.

- Rapaz! E se eu aproveitar, já que vou para o Inferno mesmo, além de escravizar essas crianças, também re-escrever a lista telefônica de Pequim mas com os números todos trocados e plantar, em vez de 10 árvores comuns, 10 plantas carnívoras devoradoras de gente e sedentas por sangue?

- Ah, aí ganha canonização, medalha de honra ao mérito e Hollywood vermelho para toda a eternidade.

- Ah.

- Como?

- Acho que vou só escrever um livrinho mixuruco mesmo, além de regar minha samambaia mais vezes e tratar melhor os gatos que vivem lá em casa. 

- Nossa. Por que essa mudança de feitio?

- Odeio Hollywood vermelho. Éca. 


3 comentários:

Alinne Celestino disse...

sim sim desculpa a demora para responder o comentario! *-*
tipo parceria, topas? *-*

Isabel disse...

É possível trocar um livro por várias edições de revista e um filho por vários cães tratados com o maior carinho? A árvore eu já plantei.

Buchabick disse...

Oi, Isabel. Acho que é possível, sim. Mas vai ouvir vários risos abafados quando chegar oa céu. ;)