segunda-feira, 11 de maio de 2009

Gripe Suína e Febre do Rato

- Hoje, eu fui em uma banca de jornal comprar papel de Zona Azul e a vendedora estava com uma daquelas máscaras contra gripe suína.

- Isso foi onde? Em Acapulco?

- Não, não. Foi em uma banca da Faria Lima mesmo. Quase esquina com a Rebouças. Muito estranho.

- Sabe o que eu estava pensando? Que se essa moda de máscara contra gripe do porco pegar, os surdos que aprenderam a ler lábios vão ter a sensação de que ficaram surdos pela segunda vez. Deve ser um trauma e tanto.

- Eu pensava que, ao contrário do seu pensamento negativista, talvez isso seja uma boa. Como a maior parte da população mundial é feia, se começar a usar máscaras, o mundo ficará mais belo. Ou, na pior das hipóteses, menos feio.

- Outra vantagem dessa máscara é que ela protege contra o mau hálito. Tanto isola o odor da boca dos outros como seu nariz do cheiro. E, caso você acorde e esqueça de escovar os dentes, basta apelar para a máscara.

- Estou te falando, rapaz... Só há vantagens nessa história de histeria, pânico, choro e ranger de dentes causados pelos porcos mexicanos.

- A longo prazo, a maior parte da população mundial não só se esqueceria, como simplesmente não escovaria mais os dentes. Todo mundo ficaria banguela, além de ter mau hálito. Mas isso não teria problema porque todo mundo usaria a máscara. E sob a máscara, vale tudo: falta de dente, gengivite, bigode mal feito, queixo mal formado.

- Minha tia Idalina, que tem um bigode e tanto, talvez se sentisse prejudicada. Além dela, quem iria se queixar seriam os surdos, não?

- Sim. Mas nas maiores revoluções da humanidade, sempre há uma classe que sai perdendo. Poucos se dão mal em pról da benésse de muitos. É algo justo.

- Quem saiu perdendo na revolução industrial? 

- Primeiramente, os trabalhadores agricolas e braçais da Inglaterra. Depois, muitos outros trabalhadores.

- E quem saiu perdendo na revolução feminista?

- O Jece Valadão.

- Ah. Bom, pelo visto, dessa vez os surdos vão dançar direitinho. 

- Direitinho, direitinho, eu não diria. Mas vão dançar. Isso, é claro, se essa epidemia ganhar o mundo.

- Li hoje de manhã que ela chegou à China. E se ela já estava lá há 12 horas, agora já há pelo menos um trilhão de pessoas com a gripe. Claro que o governo chinês pode resolver tudo do modo chinês, que é matando todo mundo ou arrancando o aparelho respiratório completo dos cidadãos com suspeita de gripe. Mas se ainda não fez isso, talvez seja tarde demais.

- E quando você diz suspeita de gripe, quer dizer qualquer gripe vagabunda, e não exatamente a suína, né? Porque se tem uma coisa que o governo chinês manja é de exterminar vírus, não importando de que tipo ou quantas pessoas estejam com eles. Cortam o mal pela raiz.

- Na dúvida, espirrou vai pro paredão.

- E se começam a aparecer muitos casos, sempre dá para usar a Muralha da China como paredão.

- Torçamos então para que os chineses durmam no ponto e vacilem por mais algumas horas. Daí, o mundo tá salvo da feiúra e do mau hálito. Para sempre.

- Quem diria que o futuro da humanidade estaria nas mãos dos mexicanos e dos chineses, hein?

- Eu diria. Já imaginava isso. Mas nunca tive coragem de dizer para ninguém, por acreditar que poderiam me taxar de maluco.

- Sério isso?

- Sério. Em fevereiro deste ano, sonhei com um enorme Bezerro de Ouro, com um sombrero e de olhos puxados, espirrando. Interpretei que era um indício da gripe suína e de como ela tornaria a humanidade mais bonita.

- Você não deveria ter sonhado com um porco espirrando para chegar à essa conclusão?

- Você já ouviu falar em gripe do Bezerro de Ouro?

- Não.

- Nem eu. Por isso, por associação, conclui que era um sinal de uma gripe do porco.

- Mas em fevereiro ainda não havia gripe suína.

- Ah, não amola. E vou encerrar por aqui porque esse post já tá grande demais.

Um comentário:

fabio disse...

Que puta post grande, hein, Bucha, tanto que só consegui ler até a penúltima frase do diálogo. Mas gostei do que li...