terça-feira, 24 de agosto de 2010

O Estranho Caso do Maratonista Sedentário

- Você iria em um cabeleireiro careca?

- Nunca! 

- A-há. Então você acha que uma condição congênita antagônica à profissão é determinante para o sucesso ou insucesso laboral do indivíduo? 

- Como é?

- Você acha que um cabeleireiro não pode ser careca?

- Ah, isso? Não, acho que pode sim.

- Mas você disse que nunca iria a um cabeleireiro careca.

- Sim. Mas é porque não vou a cabeleireiros. Frequento barbeiros, sabe? Sou machão.

- Tá. Entendi. Então me diga: você iria a um barbeiro careca?

- Claro. Meu barbeiro, por exemplo.

- É careca?

- Sei lá. Tá sempre de chapéu. Nunca pensei no que tem ali embaixo.

- Tá, mas então você iria a outro barbeiro, que fosse careca, no caso?

- Nunca...

- A-rá!

- Mas é porque sou fiel ao Afrânio, meu barbeiro. Nunca mudaria de barbeiro.

- Sei, sei. Então, deixe-me mudar a pergunta. Você iria a uma nutricionista gorda?

- Não iria. 

- A-rá!

- Mas é porque não vou a nutricionistas. Minha vizinha é nutricionista e falo diretamente com ela, quando preciso. Aliás, a consulto quase todo dia.

- É mesmo?

- Mais ou menos. Eu saio para trabalhar no mesmo horário que ela e sempre a encontro. Aí digo "bom dia". Ela responde "tudo bem?". Eu digo "sim". "Ela, que bom, continue assim". E pronto, acho que estou oficialmente consultado.

- Só porque ela pergunta "tudo bem?"?

- É. Tudo, pelo que compreendo, compreende tudo. E tudo inclui o café da manhã, o almoço e o jantar. Quando ela diz "continue assim", acredito que seja uma receita de como proceder. 

- Ela é gorda?

- É. Muito. 

- Bom, então você iria a uma nutricionista gorda. 

- Possível. Mas ela é minha vizinha. E vizinha a gente não escolhe. 

- Pô. Tá. Você iria a uma manicure sem unhas?

- Eu ou ela?

- O quê?

- Quem sem unhas? Se eu não tivesse unhas, não iria, não. Afinal, ia fazer o que? Pedir para ela pintar meus dedos?

- Não, não. No caso, ela. A profissional, a manicure. Se ela não tivesse unhas, você iria até ela, pagar pelos serviços da dita cuja?

- Jamais!

- Por quê?

- Porque tenho aflição de gente sem unha se roçando em mim.

- Tá difícil de responder à minha questão, hein.

- Mas você também não facilita. Só pergunta idiotice. 

- Ok, mais uma tentativa. Iria a um travesti ginecologista?

- Mas eu sou homem.

- Se fosse mulher, iria a um ginecologista travesti?

- Peraí. Travesti ginecologista ou ginecologista travesti?

- Faz diferença?

- Ô se faz. 

- Nesse caso, se fosse um travesti ginecologista, iria. Se fosse um ginecologista travesti, não. 

- E você deve ter um bom motivo para isso. 

- Tenho. Se é um travesti ginecologista, entendo que o cidadão primeiro se travestia. Aí, fez faculdade, se formou e optou pela profissão de ginecologista, mesmo na condição de traveco. Acho bonito, um exemplo de superação. 

- E o contrário?

- Bom. Se é um cidadão que virou ginecologista e, posteriormente, resolveu se travestir e trabalhar à noite, aí acho que não rola.

- Por quê? Porque um travesti não pode atuar na medicina?

- Até pode. Mas como trabalha à noite, deve ter muito sono durante o dia. E eu não gostaria de ser tratado por alguém bocejando. Odeio ver o céu da boca alheio.

8 comentários:

Alex Mecenas disse...

Eu não iria num urologista viado.

Belloni disse...

Uma vez eu fui numa iridóloga gorda. Até o olho dela era gordo. Mas não faz mal, não fui para emagrecer, fui para resolver um problema de alergia, que também não deu certo.

Tempo Livre disse...

Eu não teria aulas com um professor analfabeto... Faz sentido?!

Adorei, morri de rir!

bjs

Flávia D'Álima disse...

Então pior q ginecologista traveco é ginecologista c/ pinta-sapata não tenham dúvida...

Anônimo disse...

queria saber onde o cara que faz as perguntas queria chegar... :/

GM.Bermeo disse...

HUASHUASHUAS muito bom XD bela conclusão sobre travestis XD

Nayara Oliveira disse...

auhauauhahhauuhahua

Oi, to invadindo aqui pq já venho acompanhando a um tempo.


Muito bom, a gente sempre tem uma desculpa para o preconceito, mas convenhamos o raciocínio é obvio: como podemos confiar em um especialista que não aplica seus conhecimentos em si? dificil.
Adorei!

Anônimo disse...

odeio admitir mas creio que um ginecologista travesti, deva entender mais de frescura feminina do que num ginecologista macho!!!