terça-feira, 23 de março de 2010

Caso Nardoni: Metendo o Dedo na Ferida

- Há uma rua perto de casa que chama Raquel da Cunha. Mas eu sempre confundo o nome, achando que chama Queiroz da Cunha. Por que será isso, hein?

- Desculpa, não prestei atenção no começo. Chama como a rua? Raquel da Cunha ou Queiroz da Cunha?

- Ih. Agora não lembro. Sempre confundo.

- De qualquer forma, você quer saber por que confunde, certo?

- Certo.

- Deve ser por conta da Raquel de Queiroz. Você deve fazer uma associação bizarra subconsciente e acaba trocando o Raquel pelo Queiroz. Só mantém o Cunha. Ainda bem que você não associa também o Cunha ao Euclides. Dariam várias combinações. 

- É. Raquel da Cunha, Queiroz da Cunha, Raquel de Euclides e Queiroz de Euclides. 

- Isso.

- Merda. Por que você foi me falar isso? Agora já tenho munição para confundir mais. E isso me deixa puto.

- Falando em nomes, e o Caso Nardoni, hein?

- Como é o nome da rua mesmo?

- Sei lá.

- Euclides de Queiroz?

- Era Raquel ou Queiroz da Cunha.

- Ah. Tá. Vou tentar manter o Euclides fora. Se entrar, fodeu. Dizem que repetindo, ou ouvindo, algo 12 vezes, já fixa na cabeça. Quero evitar o Euclides. 

- Tá. Mas deixe-me repetir: falando em nomes, e o Caso Nardoni, hein?

- O que tem isso? Que assunto mais chato.

- Então, queria que eles ficassem em liberdade.

- Acha que são inocentes?

- Não sei É que queria fazer uma experiência.

- Fazer um teste para saber se são culpados ou inocentes? Deixá-los soltos e fazê-los adotar outra criança? Se em 5 anos ela caísse da janela, eles seriam culpados. Se ela passasse ilesa, eles seriam inocentes. É isso?

- De onde você tirou isso?

- Da minha cabeça.

- Vindo de um lugar que confunde um simples nome de rua, não esperava ideia melhor.

- Mas pensa bem, nunca ninguém vai saber o que realmente aocnteceu. O julgamento não provará nada. Mas minha experiência empírica seria a prova cabal de culpabilidade ou não.

- Bom, eu queria deixar o Alexandre Nardoni solto por outro motivo. Quanto à mulher, eu a queria presa.

- Para?

- Bom. É uma experiência.

- Depois fala de mim.

- Mas é uma experiência válida. A primeira mulher dele chama Ana Carolina. A segunda, Ana Carolina. Com ele solto e ela, presa, ele teria que arrumar outra namorada. 

- Ter, ter, ter, não teria.

- Não teria, é fato. Mas você sabe como é homem. Não aguenta um rabo de saia. 

- Sei.

- Daí, queria saber se a terceria namorada seria Ana Carolina.

- Você acha que ele ia namorar a Ana Carolina? A cantora? Acho que não, hein. Ela é lésba, eu acho.

- Bom, se ele arrumasse outra Ana Carolina, saciaria minha curiosidade. Mas se começasse a namorar uma moça que gosta de outras moças e ainda fosse cantora da MPB, aí saciaria a minha curiosidade e as manchetes da mídia por meses. Essa minha experiência faria todo mundo ganhar. 

- Bom, para sua experiência, ele não precisaria ser solto. Ouvi falar que presos recebem muitas cartas de interessadas. Era só ele escolher a moça pelo nome do remetente. E, ademais, nas prisões, sempre há travestis. Vai que algum deles não se chama, artística-detentamente falando, Ana Carolina.

- Sei não. A maior parte dos travestis que conheço chama Pamela, Ronalda e Rogéria.

- Você conhece travestis? E tantos assim, para separar por maior e menos parte?

- ...

- Hein?

- Quantas vezes mesmo a gente tem que falar ou ouvir algo para aquilo entrar na cabeça?

- 12. 

- Euclides da Cunha, Raquel de Queiroz, Cunha de Queiroz, Raquel de Euclides, Queiroz de Euclides, Euclides da Cunha, Raquel de Queiroz, Cunha de Queiroz, Raquel de Euclides, Queiroz de Euclides, Euclides da Cunha, Raquel de Queiroz.

- Deu 12?

- Deu.

- Chupa, agora você se confundiu inteiro. 

- Merda. 

Um comentário:

joão l.henrique disse...

Claro! rapaz, nem sempre o que
aparenta... É.

Um abraço.