sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

A Origem, Versão 2x1

- Tive um sonho horroroso com você essa noite.

- Desenvolva.

- Só de alembrar, me arrupio tudo.

- Aconte logo.

- Tá. Eu sonhei que estava associando fotos aos contatos do celular.

- Que sonho cibernético.

- É. Eu tenho esses sonhos, às vezes. Certa feita, sonhei que o Clodovil me pagava com um cheque pré-datado. E o banco do cheque não era banco, era a Seicho-no-ye. Pior que eu ia descontar e não tinha fundos.

- Também... cheque de igreja. Só faltava você receber um cheque do banco Praça é Nossa e achar que tem fundo.

- Pois é. Tenho muito sonho estranho. Daí, voltando ao meu sonho contigo, eu estava organizando os contatos no celular. E tinha contato de telefone, tinham contas de email, amigos do Facebook, do Orkut, tudo misturado.

- Sei.

- Aí, quando eu fui associar sua foto aos seus dados, fiz uma bobagem e associei seu número de celular às contas - fotos, email, Gtalk, Orkut - de uma tal de "Simplísmente Sheiloca Princesa".

- Sei.

- Aí, toda vez que o telefone tocava e era você, aparecia a foto da Simplísmente Sheiloca Princesa, abraçada com uma zebrinha de pelúcia, no visor do meu telefone.

- É isso é pesadelo?

- Você pergunta porque não viu o naipe dela.

- Ruim?

- Era, mas a zebra era pior. Aí, eu mexia, mexia, mexia e não conseguia resolver. Aí a saída que achei foi pegar seu celular e jogar fora, para você parar de me ligar. Pensei em te matar também, mas achei muito grave. Pensei em jogar fora meu celular, mas não queria me prejudicar, mesmo porque fiquei mais da metade do sonho acertado os contatos. Aí não tive saída a não ser jogar seu telefone fora.

- Aí isso resolveu seu problema?

- Não sei. Porque na hora em que eu estava fatiando seu celular com um cutelo afiado como o diabo, acordei.

- Eu sabia que você ia me contar toda essa história antes mesmo de você me contar.

- Como?

- Simples. Eu li esse texto antes de você publicar.

- Mas se não tava publicado, você ainda não havia interagido. E, sendo assim, você não poderia ter lido. Ou poderia?

- Poderia. Se essa conversar foi um sonho.

- Será?

- Nunca saberemos. A não ser que...

- Que...

- Seu celular toque. E seja eu te ligando e apareça a Simplísmente sei lá quem no visor.

- Ai.

- Ó lá. Tá tocando.

- É mesmo. Mas não é você. Você tá aqui na minha frente.

- Sim, mas se for um sonho, pode ser eu. E então... vai lá atender, vai.

- Ai, meu Deus.

- Vá!

- Tenho medo.

- Vai lá, pô. Quer apostar algo, para te encorajar? Eu aposto que não é um sonho. Você aposta que é. Que acha? R$ 100.

- Tá. Vou lá.

- Se eu perder, te pago com um cheque da Seicho-No-ye.