quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Ressaca Pós-Carnaval

- Olha aí quem apareceu... depois de 10 dias sumido. 

- O carnaval foi longo, sabe?

- E dolorido, pelo jeito. Você está mancando.

- Mancando é o de menos. Olha esses roxos no meu braço. E repare nessas chagas aqui. 

- Jesus!

- É o que penso. Ou sou a reencarnação de Jesus ou apanhei tanto quanto ele nos últimos dia. 

- Mas o que você fez para estar assim?

- Pulei carnaval, ué.

- Ou caiu no carnaval? Porque pela situação do seu supercílio...

- Ah, isso? Nem doeu tanto. Acho que desmaiei antes de dar de cara nos peitos de uma senhora desconhecida, que passava pela minha frente em certo bloco. 

- O peito de uma senhora abriu seu supercílio.

- Acho que ela usava silicone industrial.

- Era uma senhora ou um travesti?

- Não sei. Acabo de dizer que desmaiei antes de dar de cara nela. Ou nele.

- Por acaso ou vocês estavam se conhecendo?

- Ao acaso. Eu estava me envolvendo com umas pessoas estranhas, vestidas de oncinha. Quando me libertei, tropecei, bambeei e quando vi que ia cair, um mecanismo de defesa interno resolveu me desmaiar. Aí, dei de cara nesses peitos mais duros que o diabo.

- Que horror. E essa tatuagem aí, é nova?

- Isso? Não é tatuagem. É sujeira. Parece que ficou tão encrustada que não consegui tirar ainda. Nem com 7 banhos. Semana passada, na quarta-feira de cinzas, estava pior, bem maior. E parecia uma imagem de Nossa Senhora. Tive até que fugir de uma multidão que achava que era uma aparição voluntária dela e que eu era uma espécie de iluminado ou coisa assim.

- Pensaram isso porque não te viram engalfinhado com oncinhas e travestis.

- Pois é. Mas isso não foi o pior. Ouvi frases bem humilhantes neste carnaval. Foi de mendigo para baixo.

- Defina "mendigo para baixo".

- Um cara que eu nunca tinha visto perguntou se eu era traficante. Outra, de pudim de cachaça. Uma terceira moça disse "vou ali me despedir das minhas amigas e você vem comigo. Mas não abre a boca, porque não quero que elas me vejam saindo daqui sabendo que estou com um bêbado." Teve também banana, boboca e vadia.

- Vadia?

- É. Teve um dia que fui para a folia vestida de Geisy Arruda.

- Meu deus! E você ainda gosta de carnaval, depois de tudo isso?

- Não muito. Mas já estou pensando em, ano que vem, sair fantasiado de Dilma Roussef.


Um comentário:

Juliano Barreto disse...

Me fez lembrar da canção 'Homem Lindo' - Velhas Virgens:

Ela adentrou o recinto
Sem sinal de ter pinto
E veio andando em minha direção
Me Pediu: "me leve ao toalete"
Era vermelho o seu corpete
Lá fomos nós na contramão
Ela é ele? Ele é ela?
Larguei sem saber ao certo
Confesso que cheguei bem perto
Ela é ele? Ele é ela?
Maravilhosa indo e vindo
Na cama de domingo a domingo
Se era homem, era um homem lindo
Sem sinal de ter gogó
Ora, amigos, tenham dó
Até os ombros eram femininos
Não tinha barba nem pêlos no peito
Ora, homem, tome jeito
Os seus pés eram pequeninos