quarta-feira, 28 de julho de 2010

O que diabos faz um maçom?

- Pensei em um argumento para um filme.

- Conte-me.

- Um bêbado começa a tremer porque tá com abstinência de álcool. Ele quer parar de tremer. Aí, ele encontrar uma garrafa de pinga. Quando vai virá-la goela abaixo, como tá com tremedeira, a deixa cair no chão. Fim. 

- E como ia chamar o filme? "Ironia idiota"?

- Algo assim. Agora preciso pensar em como preencher os outros 120 minutos. Mesmo porque essa cena dá só uns 30 segundos. 

- Eu queria fazer um filme sobre a Maçonaria. Mas primeiro preciso descobrir o que eles fazem.

- Eu sei o que os maçons fazem. Passam o tempo todo negando que são maçons. E só. Isso também daria um filme bem curto. Olha só: se seu bêbado for maçom, já temos 1 minuto de filme. Agora, só faltam 119 minutos.

- Sabe o que demora? Baliza. Podemos colocar uma cena de alguém fazendo uma baliza com o carro. Esse bêbado, no caso. Se ele estiver tremendo, demora mais ainda para terminar a baliza. Pronto, já temos uns 5 minutos de filme.

- Melhor ainda. O maçom bêbado treme para a porra. Aí, vê uma garrafa na rua e pára o carro apressado. Só que a vaga é apertada e ele demora muito para entrar. Quando entra, desce do carro com pressa. Mas não percebeu que está na porta de uma garagem. Um cidadão de bem diz a ele "moço, tá na frente da garagem". Aí é uma meia hora para o bêbado tirar o carro, achar outra vaga, descer e buscar a cachaça.

- Bom, agora só faltam 90 minutos.  

- A gente pode preencher com perguntas idiotas e também com muito colorido. Alguns mortos-vivos e umas garotas com biquinis dos Estados Unidos jogando vôlei em uma piscina indoor também podem ajudar a passar o tempo.

- Beleza. E para dar uma aumentada na parada e ainda passarmos por intelectuais, podemos colocar trilha sonora do Los Hermanos e do Chico e incluir umas perguntas estúpidas, que passam pela mente do mendigo.

- Que tipo de perguntas?

- Ah, sei lá. Por exemplo: por que se escreve maçom com eme no final, mas a congregação é chamada de maçonaria e não maçomaria. 

- Cacete. Que dúvida boa. Por que será, hein?

- Sei lá. Mas a gente pode revelar isso no filme. 

- Podemos. Mas como? Temos que perguntar para algum maçom. Você conhece algum?

- Não. Mas isso é fácil. Saímos à rua perguntando quem é e quem não é. O primeiro caboclo que negar é maçom. Aí, é só perguntar para ele esse lance gramatical. 

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Bom dia, seus lindos!

- Vai vendo.

- Vai.

- Depois de receber muitos emails por engano, achei o diabo do "Sérgio Vinicius" que nunca recebia os emails. Falei com ele e vivo encaminhando os emails errados. 

- Que bonito.

 - Daí, ontem, recebi um que me pareceu estranho e encaminhei. Hoje, revendo, descobri que era pra mim mesmo.

- Gênio

- Agora, mandei outro email para ele dizendo que era pra mim mesmo. 

- E ele?

- Não respondeu. Deve ter ficado confuso. 

- Como você o encontrou?

 - Resolvi procurá-lo porque chegaram a mandar uma NOTA FISCAL por engano para mim. Aí achei que tudo tinha limite.

- Rapaz...

- Pior é que só vem por engano email de trabalho, de faculdade. Aposto que putaria, piada de mau gosto, essas coisas, ele recebe direitinho.

- Aliás, ia te perguntar, como você tinha achando o cara. Porque eu recebo muito e-mail por engano, para outra pessoa que tem o mesmo nome que o meu. 

- Bom, quando recebi a nota fiscal, vi que o cara trabalhava com informática e veio o nome completo dele. Aí digital "Sérgio Vinícius" no Google e em um dos primeiros links achei um blog de um tal "Sérgio Viníicius" que era perito em informática.

- Puta merda. Vai ver que meu caso é bem parecido. Mas eu não tenho como ficar chutando.

- Se receber uma nota fiscal, fica fácil. Ou mesmo algo meio revelador, como "Oi, Vanessa, excelente o filme pornô que você fez com o apelido Megera Pintuda, hein". Aí você procura um travesti chamado Vanessa na internet e resolve.

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Conversado com @vannmarques


quinta-feira, 22 de julho de 2010

Furadeiras, água, cadarço desamarrado, essas coisas

- Hoje um cara me ofereceu uma furadeira na rua.

- Como assim?

- Estava vindo para cá e cruzei com um sujeito, que balbuciou algo. Tirei o fone e perguntei o que ele queria. Achava que era informação. Mas não. Ofereceu uma furadeira. Queria vender. Ele estava também com três relógios na mão. Mas isso ele não ofereceu.

- Esse sujeito vai pastar para vender. Qual a chance de ele cruzar com alguém na rua que queira uma furadeira?

- Foi o que eu disse para ele. Falei para ele anunciar no Mercado Livre, que era mais jogo. 

- E ele?

- Bom, foi daí que eu percebi que era material roubado que ele queria me vender. Ele disse "o que é Mercado Livre?". Aí eu expliquei. 

- E ele?

- Ele disse algo como "vixe, maria. Já deu um trabalhão roubar isso aqui. Agora vou ter que me matar, ou matar alguém, para roubar um computador e roubar essa tal internet. Daí preciso invadir esse Mercado Livre. Prefiro ir tentando me desfazer disso aqui no boca-a-boca ou na base da intimidação".

- E você?

- Dei um "boa sorte" e saí andando.

- Você já reparou como acontece coisa estranha contigo? Que os tipos mais esquisitos aparecem para conversar com você, do nada?

- Já. Mas conclui que há um bom motivo para isso.

- Que seria?

- Sou bonito.

- Como é?

- As pessoas vêem minha beleza. Aí, querem se aproximar de qualquer jeito, para tirar uma casquinha, sabe? Então me oferecem furadeiras, pedem água, avisam que meu cadarço está desamarrado, essas coisas.

- Baseado na minha vasta experiência de mundo, eu diria que você tá falando abobrinha.

- Por quê?

- Porque tirando nas novelas, ninguém tem coragem de chegar perto de pessoas bonitas. Isso é um fato. Beleza intimida as pessoas. Quanto mais bonita, menos a pessoa é abordada. É por isso que todo mundo casa com gente feia e o mundo anda cada vez mais horroroso. Ao passo que as pessoas bonitas estão cada vez mais solitárias, esperando envelhecer ou torcendo para terem um acidente e ficarem desfiguradas, para, finalmente, ter uma conversa na fila ou no elevador com outras pessoas.

- Você tá me dizendo que as pessoas conversam comigo na rua porque sou feio?

- Eu converso com você porque você é feio. Se você fosse bonito, eu estaria mudo aqui. 

- Acho que sou feio mesmo. Quando eu estou sozinho, vivo conversando em voz alta comigo mesmo. Se eu fosse bonito, ficaria mudo. Mas não, falo até que com certa frequência. Isso prova que sou feio, né?

- Isso. E também que você é louco.

terça-feira, 20 de julho de 2010

40 dias jejuando, meditando e assistindo a filmes com explosão e mortos-vivos

- Hoje fiz uma experiência antropológica-espiritual vindo para cá.

- De novo?

- Como de novo?

- E aquela vez que você resolveu passar 40 dias só jejuando, pensando, esperando, meditando e assistindo a filmes com explosão e mortos-vivos?

- Ah, naquela época eu estava em outra fase. Já passou. Agora estou nessa de experiências antropológicas-espirituais.

- Sei. E em que consiste isso?

- Bom, na verdade, só queria dizer que hoje, ao sair de casa, percebi que um dos cadarços do meu tênis estava desamarrado. 

- Seu pênis? Hahahaha.

- Babaca!

- Eu sei. 

- Então, aí resolvi não amarrar. 

- E você deve ter um bom motivo para isso, além da preguiça de abaixar.

- Sim. Juntando o útil à preguiça, resolvi vir para cá com ele desamarrado, só para ver quantas pessoas na rua iriam me avisar que ele estava desamarrado.

- Pelo jeito, ninguém avisou. Ele continua desamarrado. Estou vendo que não há a solidariedade da porta do carro meio aberta ou do erro de digitação no MSN no caso do tênis desamarrado. 

- Não é o tênis que é desamarrado, é o cadarço. Hahaha.

- Babaca.

- Eu sei. Mas você que começou com o negócio do pênis. Me explica esse negócio da solidariedade aí, que não conheço.

- Acho que li em um texto do Luis Fernando Veríssimo. De um jeito mais inteligente e polido, ele dizia mais ou menos que todo mundo caga para todo mundo. Bate a carteira, taca fogo em mendigo, fecha no trânsito, fura fila. Mas basta alguém ver, no trânsito, a porta de outro carro mal fechada, meio aberta, avisa. Buzina, abaixa o vidro, faz sinal. É a solidariedade da porta meio aberta.

- E o negócio do MSN?

- Mesmo princípio. Mas isso aí fui eu mesmo que descobri. Toda vez que escrevo algo errado no nick ou no subnick, por erro de digitação...

- Ou por burrice.

- Babaca.

- Eu sei.

- ...Por erro de digitação, alguém me avisa. Com a maior delicadeza do mundo, mas me avisa. Pelo visto, isso não é aplicado ao cadarço.

- É verdade. Veja meu caso. Vindo para cá a pé, cruzei com umas, chuto, 100 pessoas. Delas, uma só um senhor me avisou que eu estava com o tênis desamarrado.

- Se ele avisou, porque seu tênis continua desamarrado?

- Porque para me vingar de todos que não avisaram, acabei dizendo para o senhor que eu sabia que estava desamarrado mas que não ia amarrar. E comecei a contar minha experiência para ele.

- E ele? Te chamou de mal educado, lunático, debilóide ou... BABACA?

- Eu sei

- Tá, mas e ele?

- Nem ouviu.

-  Era surdo?

- Não. Quando comecei a falar, passou por nós Passat velho com a porta meio aberta, bem mal fechada. O senhor saiu correndo atrás e me deixou falando sozinho, com o tênis desamarrado e minha experiência antropológica-espiritual.

- Você não sabe o que significam as palavras "antropológica" e "espiritual", ?

- Não faço ideia.

- Percebo. Não use como nick no MSN, ok?

- Ok.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Dilma, Serra e a Final da Copa


- E o Henry, que tá dando chilique sobre a mão do Luiz Fabiano na Copa?

- O da França?

- É.

- Pra mim, qualquer atleta da seleção francesa de futebol que jogou a Copa de 2010 devia ficar quieto e usar chapéu com orelha de burro pelos próximos 4 anos. Ha, e a cada semana seria obrigado a subir em um coreto em qualquer praça francesa e receber uma via de 20 minutos, sem reclamar. Em silêncio. Não importa se tem razão ou não. Com o papelão deste ano, perde qualquer moral.

- Concordo. Aliás, entre os três maiores papelões desta Copa, em primeiro coloco a França.

- E o segundo e terceiro?

- Espanha em segundo. Holanda, terceiro.

- Como?

- Bom, Espanha e Holanda fizeram dois papelões pelo jogo final. Nenhum dos dois times queria ganhar de jeito nenhum. E a Espanha, nem isso conseguiu. A Holanda, pelo motivo inverso fica em terceiro.

- O Robben, eu metia no calabouço ainda no primeiro tempo. A final me pareceu um marco do fim do futebol mundial como o conhecemos. 

- Ainda espero fervorosamente que anulem a final e dêem a Copa para a Alemanha. Ou para o Uruguai, como campeão filosófico da parada.

- Verdade. Onde já se viu um campeão da Copa que nunca foi campeão antes? 

- E já dá para falar que a Holanda assumiu o posto de Botafogo do futebol mundial, não? 

- Ah, podemos. Sem pestanejar.  A diferenã é que o Botafogo quer ganhar. A Holanda, não.

- Era muito amarelo em uma final só. Tentaram perder e não fazer gol ao extremo. A final da Copa foi uma espécie de Bangu e Coritiba. 

- Se fosse para os penaltis, era capaz de todos os jogadores errarem. 

- Certeza. COmo já falaram por aí, o Mick Jagger devia estar com a camisa metade da Holanda e metade da Espanha. 

- E o polvo, hein ?

- Acho que tava pelado. Afinal, quem é que nada de roupa?

- Ele não erra uma. 

- O polvo deveria escolher o próximo presidente do Brasil. 

- Sem dúvida.

- Colocam dois potes, um com a ração e a foto da Dilma e outro com a ração com a foto do Serra. E ele abraça. Quem você abraçaria?

- Difícil. Preferia que esquecessem de colocar a foto de um dos dois. Aí eu ia para o pote só com ração, sem Serra ou Dilma.

- Se você abraçasse um pote só com ração, seríamos governados, por 4 anos, por um grande amontoado de comida de polvo. 

- Melhor que a Dilma e o Serra, não?

- Não sei, nunca comi. Será que parece com ração de cachorro?

- Bom, o polvo poderia não abraçar nada e apontar para si mesmo. 

- Isso quer dizer o que?

- Várias coisas. Que seríamos governados pelo povo.

- Ai, ai.

- Ou pelo Lula.

- Por quê?

- Lula e polvo não é tudo a mesma coisa?

- Teria mais sentido se fosse um sapo barbudo que escolhesse o presidente. 

- Baixou o Collor aí?

- Em mim? Não. Mas se o sapo barbudo pegasse guache e se pintasse, daí seríamos governados por uma mistura de Lula com Collor.

- Credo. Prefiro o...

- Serra?

- Não. O... a....

- A Dilma?

- Não. A comida de polvo mesmo. 

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Colaboração involuntária de @terciors


 

segunda-feira, 12 de julho de 2010

No MSN, com Daniell Rezende

- Aí, Buchabick, o que o Bruno desencavou: http://youtu.be/watch?v=6QLr0jYSCBw

- Porra, vocês têm um montão de vídeos aí. Dá-lhe Starving Bluesmen Quartet!

- Justamente. Tem um DVD com as duas primeiras apresentações, que eu nunca vi.

- Eu já vi. Tenho aqui o DVD.

- Imaginei. Você tem absolutamente tudo do Starving Bluesmen Quartet. Deve ter até quando a gente abriu pro Latino, num show que eu nem estive.

- Tenho sim. Acontece que, de manhã, todo dia e há mais de 12 anos, um gato misterioso aparece na minha porta com algum material do Starving

- Isso é meio assustador, não?

- Isso porque você nunca viu o gato. Tem cabeça de leão.

- Sim. Mas é assustador, principalmente, porque o Starving Bluesmen Quartet não tem 12 anos.

- O mais assustador mesmo foi no dia que veio uma cueca que tinha uma caricatura de todo mundo do trio quarteto.

- Ah, essa cueca eu tenho. Fizemos 300 mil e encalharam. Eu só uso ela agora.

- Foi ela que deu orginem à banda, imagino. Algo como "Se a gente pode ser estampa de cuecas, podemos fazer qualquer coisa! Vai, Tigrão! Grrrrr!"

-  Mais ou menos isso. A gente vendia na porta do barzinho. E aí o dono do lugar perguntou se não era melhor a gente fazer uma banda. A banda, na verdade, foi só pra tentar desencalhar as cuecas.

- Sei disso tudo. Uma vez o gato apareceu com um VHS com um curta-metragem documentário sobre a banda. Tinha 32 segundos, mas deu para entender bem a origem, o auge e a queda.

- Sim, resumindo, dá isso mesmo.

- Só não ficou claro se você morreu mesmo e foi substituído por um sósia ou se você mesmo substituiu o sósia, que era o vocalista original. Precisaria ver a versão extendida. Mas o gato trouxe essa versão em LD. E ninguem tem LD hoje em dia.

- Na verdade, o sósia morreu e colocaram um outro sósia no lugar. Eu nunca fui da banda mesmo. E isso explica o fato de eu não ter material nenhum da banda. Exceto as cuecas.

- Hummm. Não sabia disso. Provavelemente estava nos slides que o gato trouxe outro dia, mas que fiz corpo mole para ver.

- Ah, não. Esses slides são do nosso ensaio sensual.

- Ah, isso eu já vi. Isso aconteceu em um dia que o gato apareceu com as mãos abanando. Quando reclamei, ele fez assim com os ombros, acendeu uma lanterna e fez show de sombras com as maãos, na parede, encenando o ensaio sensual.

- Aí não era o gato. Era eu mesmo, fantasiado de gato. O ensaio sensual exigia.

- É mesmo? Já te falaram que fantasiado de gato você fica um gato?

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Além do Starving Bluesmen Quartet, Daniell atende aqui, aqui e em carreira solo também.

sábado, 10 de julho de 2010

Dando um Reforço no Lanche da Galera

- Você acha que o Bruno joga papel na rua?

- Como é?

- Ah, estava pensando. Se um cidadão comete um assassinato, por exemplo. Será que, no dia-a-dia, ele é uma pessoa pacata, que se comporta bem no trânsito e joga o lixo na lixeira, ou será que joga o lixo no chão e vive fechando os outros no tráfego?

- Pela cara dele, posso chutar. Serve?

- Vai ter que servir.

- Bom, acho que ela fecha os outros no trânsito, mas que não joga lixo no chão, não.

- Interessante. Isso quer dizer que ele só é transgressor para certas coisas. Certo?

- Basicamente. Você, por exemplo, nunca roubou nada na sua vida, correto?

- Correto. Nem bala quando era criança, nem chiclete. Nada, nunca. Aliás, foi por isso que parei de ir a uma antiga psicóloga. Ela me acusou de ter roubado um boné, por conta de um desenho que fiz. Fiquei tão indignado, principalmente por ela não acreditar na minha, depois de todas as minhas negativas, que parei de frequentar o consultório.

- O que diabos você desenhou? Uma caricatura do Ronald Biggs?

- Não. Um rapaz com a mão no bolso. Ela entendeu que as mãos no bolso era sinal de que eu tinha roubado algo.

- Algo como o corpo fala levado ao mundo da ilustração infantil?

- Por aí. Tentei explicar para ela que eu desenhei as mãos no bolso porque não sabia desenhar mãos mas ela não acreditou. Eu tava vendo a hora que ela ia chamar o 190.

- O que ela dizia?

- Ah, não lembro bem. Algo como "você não me engana, ladrãozinho".

- Bela psicóloga, hein. Mas, voltando à vaca fria...

- Não. Não quero mais falar da psicóloga.

- Quero dizer, voltando ao assunto. Você nunca roubou nada. Mas no truco vive roubando. Acho que é o mesmo no caso do Bruno. Não joga papel no chão, mas vive matando.

- Falando nisso, estava lendo uma notícia interessante. Presos esperam que Bruno reforce time do presídio.

- Reforço é reforço. Aposto que eles ficaram muito tristes quando o Edmundo foi absolvido naquele caso de atropelamento.

- Verdade. Imagina a tristeza da população carcerária norte-americana quando o OJ Simpson saiu impune daquela matança contra Deus e o mundo e a mulher dele.

- Por essa ótica, imagino que as presas do Brasil torçam para a Dona Palmirinha matar alguém ou roubar qualquer coisa. Assim, presa, ela poderia dar um reforço no lanche da galera.

- Alto lá. A Dona Palmirinha jamais iria fazer algum mal para alguém.

- Sei não. Ela vive assassinando o português. "Nóis vumo fazê isso, amiguinha." "Vamo pegar os prato e colocar nos forno." Daí para pegar gosto pela coisa e envenenar mais alguém é um pulo.

- Acho que não. Acho que ela é o típico caso que assassina o português, mas nunca jogou a matemática no chão ou fechou alguém no truco.

- Será?

- Ah, é certeza.

- Certeza, não. Batata. Aposto que a dona Palmirinha prefere essa expressão.

- Conhecendo o linguajar dela, acho que tá mais para "é batatas" ou "são batata".

- Ou "tudo batato". Certo?

- Batata.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Quem foi que roubou a sopeira?

- Passei por uma saia justa dos diabos agora.

- O que rolou?

- Estava quase chegando aqui quando um mendigo me parou na rua.

- O que ele queria?

- Viu que eu estava com essa garrafa de um litro e meio de água mineral e me pediu um gole.

- E você ficou em dúvida em dar água a um homem com sede?

- Claro que não. Dei a água imediatamente. O problema é que só foi aí que percebi que estávamos no meio da rua.

- E?

- E aí o cidadão resolveu beber ali mesmo, no meio da rua, impedindo o tráfego dos carros.

- Começou um buzinaço?

- Começou. E ele estava tão entretido com a água que não sabia se puxava ele para a calçada ou se deixava beber ali mesmo, atrapalhando o tráfego.

- E o que você fez?

- Bom, de saída, achei que ele não fosse demorar muito. Aí resolvi não interromper.

- Ótimo.

- Mas foi só impressão. Porque depois da primeira golada, ele só parou para comentar algo como 'melhor, só se fosse vodka' e depois voltou a beber a água calmamente. Sem se preocupar com o trânsito. 

- Bom, aí acho que já era bom você ter o puxado para a calçada.

- Também. Mas aí considerei que se ele era um sem-teto, então a rua é a casa dele. Que direito eu tinha para tirá-lo de dentro de casa? 

- Como?

- Bom, depois acabei me distraindo com a frase sobre a vodka. Fiquei pensando se ele beberia a vodka com a mesma desenvoltura que bebia a água. Na sequencia, considerei que se eu passasse por ele com uma garrafa de vodka, se ele iria pedir um gole ou ia logo me roubar.

- Pronto. Agora só porque é pobre não pode ser honrado. Eu acho que é provável que ele pedisse. E educadamente.

- É. Eu conclui que sim. Mesmo porque antes de passar por ele, percebi ao longe que ele já havia parado mais dois transeuntes cheio de petições. Para um, pediu cigarros. Para o outro, isqueiro. Em ambos os casos foi prontamente atendido.

- Sempre no meio da rua?

- Sempre. E, pensando bem, acho que depois que ele me devolveu a água e eu vim para cá, ele ficou lá parado, ainda no meio da rua. Acho que ele gosta muito do local. Realmente, deve ser a casa dele. 

- Ainda bem que você não vinha para cá com uma garrafa de vodka. 

- Por quê?

- Ah, se ele virasse meia garrafa de vodka, dificilmente iria conseguir ficar parado ali, guardando caixão no meio da rua e, por conseguinte, atravessando e atrapalhando o trânsito.

- É verdade. Não ia conseguir ficar dentro de sua própria casa, curtindo uma boa bebedeira. Que mundo é esse em que pessoas de bem não conseguem nem beber em paz, que já aparecem carros buzinando e passando pela sua sala?

- Verdade. Um cidadão de bem não pode nem tomar um rabo de galo no seio do seu lar que já aparece um Opala fumaçando tudo e buzinando como se não houvesse amanhã. E nem outras vias públicas para andar. Que inferno. 

- Por isso que eu sempre digo: este mundo está perdido. E não é de hoje. Maldito Henry Ford. 

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Caso Bruno, A Liga, Cinema em 3D, Essas Coisas

- Se o cidadão é adulto e se apaixona por uma mina de oito anos, mas que tem idade mental de uma pessoa de 30, é considerado pedófilo?

- Eu considero. 

- Não você. Eu quero saber o que a sociedade pensa disso.

- Bom, daí você tem que perguntar para a sociedade. Mas vamos fazer um exercício contrário. Se o cidadão é adulto, mas tem idade mental de oito anos e se apaixona por uma garota que tem oito anos e mentalidade de oito. Ele é pedófilo? É. Logo, o contrário também o qualifica desta forma.

- Eu não sei não. Eis um assunto delicado. 

- Por falar em assunto delicado, e o caso Bruno, hein?

- Só te digo uma coisa: a sorte dele é que quem está investigando a parada é a polícia mineira. Aí, como são incompetentes que só, podem levar anos para encontrar o culpado. Ou podem ainda se distrair com alguma borboleta no meio do sítio do goleiro e esquecerem o que estão fazendo.

- Ou prender o goleiro do Vasco ou o Júlio Cesar, por engano. 

- Se o caso estivesse nas mãos da polícia de Pernambuco, aí sim o Bruno tava na roça. Nunca vi tanta truculência em uma polícia. Antes mesmo de ser indiciado, já tinham tacado spray de pimenta nos olhos dele. 

- Ah, primeiro iam espancar. Depois, esquertejar. Depois, juntar os pedaços do Bruno, jogar pimenta nos olhos dele e, aí sim, interrogar. Ele é bem sortudo mesmo.

- Falando em futebol, já viu um programa da Band chamado "A Liga"?

- Vi outro dia um trecho. Estavam passando a vida dos travestis ou coisa assim.

- Isso que ia comentar. O programa é um intensivão sobre travestismo. Já assistei três vezes e, em todas elas, eles debatem o assunto.

- Isso é ranço da Band e, talvez, uma herança do Comando da Madrugada, com o Goulart de Andrade. O que ele gostava de enfiar travesti no programa não era pouco.

- Verdade. Em um mês, eram quatro programas. Uma semana, ele retratava a vida dos travestis. Em outra, o dia-a-dia dos naturistas. Na outra, dava uma matéria sobre transplante de coração. Na última semana, juntava tudo isso aí e ainda mostrava um enxerto de silicone industrial no peito de um travesti naturista com problemas no coração. Era uma beleza.

- Outro que gostava muito de travesti era o Silvio Santos no Show de Calouros. A diferença é que ele chamava travesti de transformista. E realmente parecia acreditar que eles eram, na verdade, mulheres se passando por homens que se fantasiavam de mulheres.

- Por isso que eu sempre defendi que o SBT é o melhor canal do Brasil. Muito melhor do que a Band, que é uma espécie de Gazeta metida a besta.

- Como assim?

- Ah, a Gazeta conhece as próprias limitações. Ela se contenta com a Kátia Fonseca e com o Chico Lang. Já a Band, procura a Adriane Galisteu e o Vampeta. É tudo a mesma coisa, mas a Band acha que tem grife.

- Falando em grife, como foi o negócio do 3D no cinema?

- A transmissão do jogo do Brasil, em 3D, no Cinemark?

- É. Você não foi lá ver?

- Vi.

- E aí?

- Bom, ao começar a transmissão do jogo, me senti tonto. Fiquei na dúvida se era ressaca da noite anterior ou se, realmente, o diabo dos óculos e do efeito em três dimensões causava o enjoo. Ainda na dúvida sobre o assunto, fui surpreendido por uns respingos no meu pé direito. Pensei que o 3D estava em um estágio de avanço tal que permitia voar suor dos jogadores pela tela. Daí vi que obviamente não chegamos neste estágio de desenvolvimento. Na verdade, foi a senhora com labirintite ao meu lado que não aguentou o mal estar causado pela transmissão daquele jogo modorrento e botou os bofes para fora, bem ao meu lado. Já comentei que eu achava os óculos 3D bem mais bonitos quando uma lente era azul e outra vermelha?

- Não.

- Pois é, eu acho. Acho que o 3D retrocedeu muito desde que eu era criança. Agora os óculos são escuros. Antes, era o mesmo efeito ruim, mas você, pelo menos, ficava mais bonito, mais na moda, mais tchans. De volta à vaca fria, à senhora passou meio mal e tals, mas resolvemos isso rapidamente. 

- Como?

- Bom, ela vomitou e desmaiou. Meu fotógrafo samoano, que estava para cima e para baixo fazendo fotos do pessoal dentro do cinema, tirou o pulso dela e me informou que ela estava viva. Mas desmaiada. Aí achei que já que o vômito era dela, seria bom usar a roupa da velhinha para limpar meu tênis e minha calça. Feito isso, resolvi mudar de lugar. 

- Falando em limpeza, eu estava pensando em abrir uma loja especializada em limpeza. Iria vender coisa para lavar e limpar de tudo.

- Como assim? 

- Ia vender sabão, candida, detergente, sabonente, bucha, pano, pasta de dente, escova de dente, etc. Ia ser um repositório de itens para lavar a casa, as roupas e o próprio corpo. Ia ser um shopping da limpeza. O que você acha?

- Bom, para ser completa a coisa, você ia ter que vender umas ervas e sal grosso, para lavar a alma. E também uns laxantes, para limpar o intestino. Tem que pensar em tudo.

- Boa. Posso ainda expandir os negócios e lavar dinheiro para o crime organizado. Mas isso é só no futuro. Mas, me diga, você levantou e deixou a véia desmaiada lá?

- Eu aprendi nas minhas aulas de medicina que desmaio é quase o mesmo que dormir. E que também é quase o mesmo que entrar em coma. A diferença é que os sonhos do desmaio são bem ruins. Os da dormida são mais ou menos. Os do coma é uma luz vindo na sua direção ou você indo na dela. O resto, é tudo igual, sem tirar nem por.

- Logo, repito a pergunta: deixou a véia desmaiada lá?

- Deixei. Mas incumbi meu fotógrafo samoano de tirar o pulso dela de tempos em tempos. Coisa que, olhando de longe, do meu novo lugar, percebi que ele não fez sequer uma vez em 90 minutos. 

- Você não voltou lá para, ao menos, checar se estava tudo bem?

- Bom, eu havia incumbido o fotógrafo, certo? Achei que era problema dele, a partir do momento em que eu passei o abacaxi para a mão dele. 

- Tem lógica nisso. Mas e o jogo em 3D, como foi?

- Ah. Achei que a imagem fica um pouco tremida quando tiramos os óculos. E eu passei uns 80 minutos sem eles.

- Como assim? 

- Os óculos me davam tontura e eu estava com medo de vomitar em alguém e desmaiar na sequência, tal qual a véia.

- Medo? Desmaiar não é o mesmo que dormir, que o coma e etc? Tava com medinho, é?

- A bem da verdade, a bem da verdade, não estava com medo de desmaiar. Mas de colocarem meu fotógrafo samoano para tomar conta de mim. Nunca vi um cidadão tão relapso com enfermos. Mas ele bate fotos que é uma beleza.

- Que bom.

- Também acho.

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Colaboração involuntária, @terciors

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Depois da Mosquistossomose e da Rabose...


- Cara, criei o nome de uma doença, mas ainda não sei bem o que ela causa.

- Qual seria? 

- Tenho medo de ir muito para o óbvio. Chama “adolfobia”.

- Acho que isso aí tem a ver com ter medo de ter a coragem de ter medo de alguma coisa. Mas nao sei exatamente que coisa. 

- Caralha! Parece bem complexo.

- É muito. Tanto que dá até para escrever com “ph”. 

- A cura é complicada também, né?

- A cura é foda. Acho que só cura colocando vinagre na cabeça e cobrindo com pano depois.  

- Tipo piolho, imagino.

- Isso. Mas tem que deixar por 364 dias.

- Rapaz... Aparentemente, então, a Dona Florinda tinha isso.

- Tinha. O Milton Nascimento também.

- O foda dessa doença é que às vezes ela dá um sintoma inverso. A pessoa fica com coragem de ter medo de alguma coisa que ela tem coragem.

- Exatamente. Por exemplo, subir em um banquinho... 

- Adolphobia é foda.

- Ainda sobre o exemplo do banquinho. A pessoa tem coragem de subir. Mas, aí, medra. E fica com a coragem desse medo.

- Já senti isso com banquinhos.

- Acho que esse é o caso clássico da doença. 

- Vi um banquinho e tremi que só.

- Eu também. Mas aí parei de tremer. Quando vi, tava enchendo uma bexiga. Parei na metade, com medo. 

- É muito comum esse mal em pessoas decisivas, mas que ficam indecisas pra decidir o que já sabem estar meio que decidido.

- Sim, sim. E tem também o clássico medo de ter coragem de ter medo de tirar par ou impar.

- Quando ela se decide em tirar par ou ímpar, acaba colocando na hora agá um sinal de joken pô. Mas depois jura que é zero. 

- Ou pior: se encorajam quando pensam que podem ganhar com par. E quando vai jogar ímpar, desvia a mão, coloca no bolso e lança uma moeda para o cara ou coroa.

- Uma ou cinco moedas.

- Isso é adolphobia aguda.

- Se não me engano, a doença que nasceu na Alemanha nazista.

- Sim. Um soldado alemão com a doença oito dias para decidir se levava um cidadão para o campo de concentração mais próximo. Na dúvida, depois de oito dias, só conseguiu colocar uma toca com álcool na cabeça. Foi fuzialdo sob pena de viadagem.

- Se fosse vinagre, teria se curado e sido levado o preso 

- Pena que, na época, a ciência ainda não havia descoberto a cura por vinagre.

- Inclusive, esse soldado hoje é colocado como um precursor da cura. Tem busto dele pelo mundo inteiro 

- Exatamente. A coisa evoluiu do álcool do vinho que vira vinagre. Como a medicina é engraçada, né?

- Muito.

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Diálogo real, travado com Dr. @rogeriovaquero

terça-feira, 18 de maio de 2010

Melhor ser surdo do que ouvir Carcass

- Hoje aconteceu uma coisa muito inusitada no metrô, na hora que eu tava vindo pra cá. 

- Você veio para cá de metrô?

- Sim.

- Como, se não tem metrô aqui perto? Aliás, não tem metrô nem na cidade. 

- Você não n0tou que demorei mais tempo para chegar aqui do que o de costume?

- Sim.

- Então, foi isso. 

- Foi isso o quê?

- Então, estava eu no metrô. Ao meu lado, uma senhora idosa. Eu estava distraído, ouvindo umas músicas com meu fone de ouvido.

- Vai mudar de assunto assim, sem mais nem menos?

- Mudar? Ué, eu não estava falando justamente de algo que aconteceu no metrô?

- Tá, mas é que... deixa. O que tem a velha?

- Bom, aí estou ouvindo o Symphonies of Sickness, do Carcass. Cantarolando e tals.

- Que merda. Ninguém com mais de 20 anos ouve Carcass.

- Eu ouço.

- Crianção!

- Ninguém com mais de seis anos chama outra pessoa de "crianção".

- Bobão!

- Tá, tá. Bom, aí, de canto de olho, eu vejo a mão da velha me oferecendo o fone de ouvido dela.

- Sei.

- Considerei que ela queria fazer um swing de fones. Queria que eu entregasse o meu, para escutar o que eu ouvia. E ela me daria o dela. Considerei uma experência esquisita, mas topei.

- E o que ela ouvia?

- Então, somente ao colocar o fone dela no meu ouvido e não ouvir nada, reparei que não era um fone. Era um aparelho de surdez. Pelo que percebi da pior forma possível depois, ela havia tirado do ouvido para limpar, porque estava cheio de cera.

- Irônico você colocar um aparelho de surdez no ouvido e não ouvir nada. E ela gostou de Carcass?

- Acho que nem ouviu. Sem o aparelho de surdez, ela não deve ouvir nada. Eu mesmo, depois que recuperei meus fones, também não consegui mais ouvir o Carcass ou coisa alguma.

- Por quê?

- Como disse, o aparelho da velha estava cheio de cera. Impreguinou meu canal auditivo e me deixou surdo até eu parar em uma farmácia para lavar.

- Em farmácias fazem lavagem de ouvido?

- Não sei. Pedi isso, mas não conseguia ouvir o que o farmacêutico dizia. 

- Você ficou surdo dos dois ouvidos?

- É. Depois que coloquei o aparelho da véia na minha orelha esquerda e achei que fosse um fone, conclui que estava surdo daquele ouvido. Aí, mudei de orelha, o que acabou só por piorar as coisas.

- Incrível!

- Pois então. Cheguei à farmácia e pedi lavagem, mas não entendia a resposta do atendente. Apelei logo para o que eu mesmo podia fazer. F~ça-você-mesmo e tudo mais. Comprei listerine, álcool e umas pedras de crack, logo atrás da farmácia. Misturei tudo num pote, mergulhei um cotonete dentro e meti na orelha. 

- Resolveu?

- Na orelha direita, sim. Na esquerda, que estava um pouco mais afetada pela cera, não muito. Quer dizer, deixei de ficar completamente surdo nela, já que o total silêncio foi substituído por um zumbido chato. De qualquer forma, é melhor ouvir um zumbido do que ser surdo.

- É melhor ser surdo do que ouvir Carcass.

- O quê?

- É melhor ser surdo do que ouvir Carcass.

- O quê?

- É melhor ser surdo do que ouvir Carcass.

- O quê?

- É melhor ser surdo do que ouvir Carcass.

- Eu ia perguntar "o quê" de novo. Mas depois da terceira perdeu a graça.

- Crianção!

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Pão com Pipoca e Açúcar

- Ontem eu estava com tanto sono, mas tanto sono, que dormi durante o jantar. Dei de cara na comida.

- Se você estivesse com tanto sono assim, teria dormido antes do jantar. Tipo umas seis da tarde.

- Mas eram seis da tarde. Lá em casa o pessoal janta cedo.

- Hummm. Mas e aí, deu de cara em quê?

- Em uma sopa de ervilhas.

- Queimou a cara?

- Nada. O sono era tanto que eu estava pescando fazia horas. Deu tempo da sopa esfriar. Na verdade, fiquei com a ponta do nariz gelada.

- Ainda bem que você não estava jantando uma planta carnívora. Senão, seu nariz ficaria mordido, não congelado.

- E quem é que come planta carnívora?

- Tive um vizinho que jantava isso todo dia. Era vegetariano radical. Aí comia a planta para, além de se alimentar, meio que para se vingar dos carnívoros. Como dizia que não ia comer gente, comia a planta e se sentia vingado.

- Não comia gente por não ser caníbal ou por ser vegetariano?

- Não sei. Mas dava na mesma: não comia do mesmo jeito. Aliás, um caníbal vegetariano come o que?

- Gente de soja.

- Não parece bom. 

- Nada de soja é. Mas esse meu vizinho aí gostava mesmo de coisa estranha. Lembro que uma vez me chamou para lanchar na casa dele e me serviu pão com pipoca e açúcar.

- Não parece tão estranho.

- Nem se eu te falar que o açúcar era mascavo?

- Aì, sim, a coisa muda de figura. Era mascavo?

- Não era. Era refinado. O pão era francês. A pipoca, microoondas. Cara mais previsível, não?

- Acho que sim. Se eu comesse pão com pipoca e açúcar, usaria exatamente esses ingredientes. Talvez substituísse o açúcar por adoçante, se estivesse de regime. Mas só. No final das contas, esse lanche estava gostoso?

- Médio. Se eu pudesse, substituiria a pipoca por um queijinho. O açúcar por um presuntinho. E meu vizinho pela Erika Mader. Aí, sim, a coisa ficaria boa.

- Com a Érica Mader, meu chapa, até pão com pipoca.

- E com açúcar?

- Não vamos exagerar também.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

A Garota Caiu na Rua...

- Daí, ela me pediu ajuda para... para...

- Fazer um filme pornô?

- Não. Para... como é que fala mesmo?

- Amarrar o sapato?

- Não, porra. Para...

- Comer mandioca? Fazer dobradura com papel? 

- Não. Para... para... 

- Para fazer dobradura sem papel?

- Aí meu Deus. Para...

- Comer uma macarronada da mama sem mastigar?

- Não, cacete. Para...

- Ela te pediu ajuda para soletrar a palavra "ambíguo" no programa do Caldeirão do Hulk.

- Porra, porra. Não. Para...

- Trocar pilha de um rádio? Escalar os 20 maiores jogadores que usaram bigode na história? Coçar sua omoplata? Definir o gênero de omoplata, se é "o omoplata" ou "a omoplata".

- Hum, hum. Para...

- Fazer um cafuné? Fazer um filme pornô?

- Você já chutou essa.

- E não era, né?

- Não. Aliás, você está chutando aleatoriamente há alguns minutos. Você tem alguma idéia sobre o que eu estava falando?

- Eu achava que estava acompanhando seu raciocínio. Mas se não tem a ver com filme pornô, mandioca, dobradura, macarronada, soletramento, pilhas, bigodes, gênero de palavras, então em algum momento eu me perdi.

- Soletramento?

- É. O ato de soletrar.

- Não seria soletração?

- Não, acho que não. De qualquer forma, me perdi na sua história. O que você dizia mesmo antes de chegar na parte de que ela te pediu ajuda para algo indefinido. 

- Que uma garota andava na minha frente esses dias. Aí ela escorregou e caiu no chão. Eu parei para ajudá-la. Ela estendeu a mão e aí me pediu ajuda para... aí meu Deus, para... com o se fala mesmo?

- Fazer um filme pornô?

- Não. Uma pena. E ela era meio boa até. Mas não sei se teria coragem de ficar pelado na frente de câmeras. Se fosse ajuda para uma peça pornô, acho que aceitaria. Acho teatro arte mesmo. Até o pornô. Já filme é coisa de alienado. 

- Então não consigo fazer idéia de que tipo de ajuda ela queria, já que estava ali no chão, com a mão estendida.

- Pois é. Depois eu até saquei o que era, mas não lembro a palavra agora.

- Você a ajudou a levantar?

- Nada. Não sabia bem o que ela queria. Fiquei confuso. Perguntei se estava bem, ela disse que sim. E estendeu a mão. Aí dei uma bica na mão dela e sai andando. Achei que fosse me assaltar, com aqueles dedos ágeis. 

- Entendo.

- Demorou um pouco, mas conclui que ela estava se fazendo de coitada para me assaltar. Certeza que queria ajuda para... para...

- Aumentar o número de idiotas que caíram no velho golpe da mulher indefesa e gostosa no chão, que acaba surrupiando a carteira do bom samaritano, que, na ânsia de a levantar, não percebe que está tendo sua carteira subtraída pela mão-leve.

- Exatamente! Era isso que ela queria como ajuda. Não sei como estava me fugindo essa expressão.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Um assalto à moda antiga

- Vi um assalto à moda antiga hoje.

- Você viu um homem à cavalo, com um lenço no rosto, invadir o banco do condado, dar dois tiros para cima e fugir com os sacos de dinheiro, levantando muita poeira por onde passava? Ah, claro, e não sem antes dar uns tiros no xerife local?

- Não foi um assalto tão à moda antiga assim. 

- Conte-me.

- Conto-lho. Um cidadão parou de moto do lado de uma moça, em um ponto de ônibus, que segurava uma bolsa. Ele disse "passa a bolsa". Ela disse "não!". Ele disse "passa!". Ela "não!". Ele puxou. Ela repuxou. Depois de 3 minutos, ela conseguiu ficar com a bolsa. Deu umas bolsadas no infeliz e ele saiu correndo. 

- Isso não foi um assalto, mas uma tentativa de assalto. 

- Nada. Quando eu disse que ele saiu correndo, ele realmente saiu correndo. Largou a moto lá. A moça, que não quis esperar o ônibus, pegou a moto e levou embora. O assalto foi dela nele e não o contrário.

- E isso é um assalto à moda antiga?

- É, você tem razão. Nem tanto. A tentativa de assalto foi à moda antiga. O assalto em si foi bem moderno e às avessas. Achei que nunca fosse ver um negócio desse na vida.

- Coincidência.

- Você viu algo parecido hoje?

- Não. Mas vi algo que nunca achei que fosse ver.

- Um gato com cabeça de leão?

- Não. Um cidadão correndo atrás de uma mulher, tentando bater nela com um cação. Achei que nunca fosse ver uma surra de cação na vida. E vi. 

- Outra coisa que vi por esses dias, e também me impressionou, foi uma balança quebrada.

- Essas de pesar pessoa?

- É.

- Por que te assustou?

- Achei que um negócio feito para aguentar neguinho obeso pulando em cima e se lamentando das calorias fosse bem resistente. 

- Pode até ser, mas às vezes a balança chegou ao limite extremo da exaustão e desmaiou, entregou os pontos, sei lá. Vai que o Jô Soares se pesa nela todos os dias.

- Nesse caso, não foi à toa que ela quebrou. Além do peso físico dele, teve que suportar o ego do gordo mala. Aí é dose para balança de caminhão. E mesmo assim, não sei se seria suportável.

- Fato. Sempre que entro em um avião, examino se o Jô Soares, o Milton Neves, o Boris Casoy ou a Fernanda Young não estão presentes. Duvido que a aeronave aguentasse tanto ego. Sejam eles juntos ou separados. 

-  Sempre que entro em um avião, vou vestido de padre. Duvido que Deus tenha coragem de meter abaixo e matar um avião com um padre dentro.

- Mas você não é padre.

- Shhhhhhh. Fala baixo. Eu sei disso. Você sabe disso. Mas duvido que o todo poderoso, onisciente e onipresente, saiba.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Vagner Love, el fobista

- Descobri ontem que o Vagner Love é muito fobista. Daí, não tive alternativa a não ser torcer contra ele e contra o Flamengo.

- O que diabos é fobista?

- Não sei. Mas meu pai disse com tanta ênfase, que não tive dúvidas de que ele é 100% fobista.

- Olha, pensando bem, acho que é mesmo. Vamos analisar a carreira dele.

- Acho que nem precisa ir tão longe. Olha as trancinhas. Repara no jeito de correr. A malemolência e o olhar quase brejeiro. É, sim, um fobista.

- Eu acho que fobista tem mais a ver com a carreira. Artilheiro da série B, mais ou menos no CSKA, volta à série A do Brasil defendendo o Palmeiras e se mostra um mindingo. Aí, vai jogar no Rio e, se aproveitando das traves grandes do Maracanã e do condicionamento físico dos anos 40 dos adversários, vira atração quase principal. Pegue todas as informações, as condense e, aí sim, temos um tremendo de um fobista. Quiçá, o maior do Brasil.

- Eu diria que é o maior fobista do mundo.

- Não é. Do mundo, acho que é o Val Kilmer.

- Esse aí é o maior fobista fracassado do mundo. O Love faz parte do rol de fobistas ainda não completamente fracassados.

- Sei não. Acho temos quase um empate no quesito fobismitismo entre Val Kilmer e Love. A diferença fica no fato de que um já é fracassado. O outro está no caminho certo.

- O que só faz do Love mais fracassado que o Val Kilmer, já que o primeiro nem é mais fracassado que o segundo. O Kilmer ganha no quesito fracasso, mas perde em termos de fracasso no fobistismo. O Love, enquanto quase fracassado, é um fobista na acepção pura da palavra, se excluirmos o ponto "quase completamente fracassado no caminho certo para tal objetivo".

- E qual é a acepção pura da palavra fobista?

- Taí. Não sei bem. Vou perguntar para o meu pai.

- Não foi seu pai que disse, certa feita, que o diminutivo de moto não era nem motinho nem motinha, mas motolina?

- Ele mesmo.

- Ah, então aproveita a sapiência dele e pergunta se o Christopher Lambert é muito ou pouco fobista também. Sempre tive a impressão que ele era um pouco... um pouco... então, um pouco uma palavra que eu não sabia nunca qual era. Se pans, era fobista.

- Beleza. Vou aproveitar e consultá-lo e perguntar se ojeriza é com "o" ou com "agá".

- Será que ele sabe isso também?

- Ele é praticamente um oráculo.

- Sabe tudo?

- Não. Mas o que não sabe, inventa. E ai de você se discordar. 

- Te devora?

- Não. Te tira de fobista.

- Credo! Manda só um abraço, então.

- Será mandado.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Das Coisas Saudáveis da Vida

- Se motoristas de ambulância ganhassem comissão por produtividade, certeza que eles iam atropelar pessoas de propósito só para poderem enfiar na caçamba e tirar uns trocos a mais.

- Sei não. É o mesmo que dizer que se açougueiro ganhasse comissão por fazer carne moída, eles iriam fatiar as pessoas a torto e a direito, só para ganhar mais um pouco.

- Sabe que eu estava pensando isso hoje de manhã. Até apressei o passo quando estava perto de um açougue, só por medo de ser picado.

- Hoje de manhã, não consegui pensar em nada. Entrei no banco distraidamente e tomei um susto enorme. Foi tão grande que, de tão atônito, levei umas duas horas para me recobrar.

- Foi assaltado?

- Nada. Entrei na fila do caixa automático e tals. Quando reparei nas pessoas ao redor, vi que na minha frente estava uma mulher que tinha o corpo mais disforme que já vi em uma pessoa sem que ela fosse oficialmente deformada.

- Era gorda demais? Ou magra demais?

- Difícil definir em linguagem humana. Mas vou tentar te dar uma idéia clara. Imagina um vaso.

- De quê?

- Barro. Com um pouco de argila.

- Certo.

- Pinta com tinta guache vermelha.

-  Ela era índia?

- Certeza que não. Se fosse, os índios teriam sacrificado em homenagem ao deus sol ou sem motivo religioso bem demarcado. Em resumo: a sacrificariam só para livrar a aldeia daquela feiura.

- Entendo.

- Agora, pinta com um pouco de amarelo por cima.

- Ainda com o guache?

- Não. Pode ser com gema de ovo cru.

- Tá ficando feio.

- Agora cola umas penas no vaso. Pega uma cabeça de gente, pode ser uma bem parecida com a do Abraham Lincoln, e coloca dentro do vaso.

- Éca.

- Agora, jogue água até a borda. Se a cabeça boiar, pronto. Temos uma imagem aproximada do que vi hoje.

- E se a cabeça não boiar?

- Aí todo meu esforço de descrição foi em vão. A imagem fica bem distante da mulher do banco. Uma pena.

- Mas eu acho que cabeça bóia.

- Pode imaginar isso?

- Acho que posso, peraí.

- ...

- CREDO! Que disformidade.

- Viu. E isso porque só falei de uma parte do corpo dela. Quer que descreva a parte de riba?

- Ué, e essa cabeça boiando no vaso?

- É só até a cintura. Continuo?

- Hummm. Não sei se quero.

- Bom, acho que se eu continuar, quando chegar nos ombros, você já estará cego. Daí pra cima, é perda de lucidez na certa.

- Então deixa quieto. 

- E para piorar, ela ainda demorou na máquina. Parece que não sabia bem como operar. Os outros dois caixas estavam quebrados e eu não tve alternativa a não ser esperar.

- Hummm.

- Quando ela finalmente saiu, eu estava ainda em estado de choque. Esqueci minha senha, o que ia fazer no caixa e tudo mais. 

- Perdeu seu tempo, então. E o pior: sofrendo.

- Fato. Acho que nesses 10 minutos na fila, perdi coisa de umas semanas de vida. Seria mais saudável se eu tivesse fumado um cigarro. 


terça-feira, 13 de abril de 2010

Durma com um barulho destes

- Tô com um problemão.

- Eu também. Estou com uma calça de moletom bem justa e sempre que me movo na cadeira, a costura avança pro meu saco e esmaga minhas bolas.

- Que horror.

- Pois é. É a quarta vez que seguro o grito hoje.

- Ah, então é por isso que você deu um grito agorinha.

- É. Tem uns gritos que não consigo segurar.

- Ah, tá explicado. Como você tava de fone, achei que fivesse ouvindo Michael Jackson. "Who´s bad", manja?

- Cara, você tem mesmo problema. 

- Tenho. Não te disse? Coloquei uma música para despertar no meu celular que me faz dormir, na verdade.

- Muda a música, uai. 

- Mas é uma música tão fofa, que não tenho coragem. Prefiro cochilar ao som dela e me atrasar para os compromissos do que evitá-la.

- Com medo da resposta, te pergunto. Qual é a música?

- Não sei o que Abbys, do Slayer

- E Slayer é fofo? E Canibal Corpse é o que? Sublime?

- É um pouco. Eu acho que aquela pose deles, do Slayer, é tudo fachada. Por trás dos bastidores,, eles devem afofar carneirinhos e soltar bolhinhas de sabão?

- Por trás dos bastidores ou nos bastidores?

- Olha, do jeito que eles são fofos, aposto que afofam carneirinhos nos bastidores e por trás dos bastidores.

- Falando em fofo e em questões de áudio, tive um professor de biologia que tinha uma voz doce que só. Era começar a assistir a aula e me dava um sono danado. Muito melhor dormir com a voz dele do que ouvindo Slayer. Tanto dormi que nunca aprendi nada de biologia.

- Eu aprendi um pouco, mas bem pouco.

- Aliás, ele entrava na aula, abria a boca e eu abria a minha. Mas no meu caso, para bocejar.

- Hahahaha.

- Aliás, só de pensar nele, me dá sono. Meu coração até fica meio vermelho, só de lembrar a voz.

- Vermelho? Mas coração é vermelho mesmo.

- É?

- É.

- Te falei que nunca aprendi nada de biologia.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Museus, Futebols e as ex-mulheres do Netinho reunidos

- Vai vendo como são as coisas.

- Como são?

- Esses dias, estava visitando um museu. E pedi para um cidadão bater uma foto minha.

- Ele disse que sim, você deu a máquina e ele saiu correndo, te roubando o equipamento na cara larga?

- Não, nada disso.

- Que pena, a história ficaria bem mais legal se fosse isso. E ainda te daria uma lição valiosa: nunca pedir a um cidadão com uma meia-calça na cabeça, com a camisa do Corinthians e usando calças cáqui para bater uma foto sua.

- Ô, debilóide. Posso terminar minha história? A qual, aliás, me deu uma outra lição valiosa, diga-se.

- Pode. Mas lembre-se: nunca peça a um mascarado com uma meia calça para bater uma foto sua.

- Certo. 

- Então, prossiga.

- Pois então. Aí pedi para o caboclo bater a foto e ele, amavelmente, se prontificou a fazê-lo. Até aí, tudo normal.

- Sim.

- Bateu várias fotos, até. Me entregou a máquina. Fui olhar e estava tudo muito ruim. Boa parte delas tremidas. Outro tanto, cortando minha cabeça ou minhas pernas.

- Aí você foi reclamar?

- Não, claro que não. Imagina. O cara tinha feito um favor. Achei por bem ficar quieto. Mas o problema é que ele veio perguntar se estavam ok.

- E?

- Bom, daí eu disse que sim. Que alguma tinham ficado meio estranhas, mas que não tinha problema. Aí ele justificou dizendo que era fotógrafo profissional.

- Formado pela APAE?

- Hahahaha.

- Aliás, como alguém justifica algo que fez bisonhamente dizendo ser profissional naquilo? Não seria o contrário?

- Ele disse que, como era fotográfo profissional, não poderia tirar fotos boas em horário de folga sem cobrar nada. Seria uma espécie de postura ou principio profissional.

- Que coisa mais estranha.

- Exato. Disse que se batesse fotos com maestria estaria, em momento de folga, exercendo a profissão. Que isso não seria correto e, mais, injusto com seus patrões, que pagavam para ele tirar fotos enquanto eu, com um simples pedido verbal, conseguiria seus préstimos.

- Que história mais sem pé nem cabeça. É como se eu pedisse para você pegar um papel no chão e você dissesse que não, porque é um gari profissional e não limpa nada fora do horário de trabalho.

- Exatamente.

- Ou se esticasse a mão para te comprimentar e você se recusasse, alegando que é mímico profissional e não faz gestos fora do horário de trabalho.

- Como é?

- Acho que agora exagerei.

- Tá. De qualquer maneira, peguei a máquina, agradeci o fotógrafo e resolvi ir ver outras coisas no museu.

- E acabou a história?

- Mais ou menos. Antes de sair, o fotógrafo me deu o cartão dele e disse que, precisando, estava à disposição. Daí, eu virei as costas e ele me cutucou. Voltei a ele e ele me perguntou as horas.

- E?

- E eu disse que eram 7 e meia da noite.

- E?

- Como era  dia claro ainda - para ser exato, era de manhã -, ele estranhou. E até mesmo disse: 'ué, mas não é de manhã?'. 

- Por que você mentiu?

- Disse a ele que era cuco profissional e não podia responder corretamente, já que não estava ganhando nada com aquilo. Achei que ficou tudo elas por elas, nesse caso.

- Isso me lembrou uma vez, que fui jogar bola com uns desconhecidos, em uma praia em Cuba.

- O que tem a ver?

- Então, vi uns caras jogando bola e fui perguntar se podia entrar. Disseram que sim. Era um bando de turistas iranianos, mais um punhado de guatemaltecos e eu, brasileiro.

- Sei.

- Quando me apresentei, eles logo ficaram cabreiros. Todos me queriam no time, só pelo fato de ser brasileiro.

- Já te vi jogando futebol. É patético, para dizer o mínimo. Parece muito o Curly, dos Três Patetas tentando fritar um ovo.

- Pois então, eu sei disso. Você sabe disso. Mas a turistada não sabia. Fama de brasileiro é essa aí.

- Ainda bem que você não é mulato, se não tinham de proposta casamento ali mesmo na praia.

- Pensei nisso também. De qualquer forma, foi minha melhor partida. 

- Fez gol e tudo mais?

- Nada. Aos 4 minutos de jogos, eu já tinha apanhado mais do que ex-mulher do Netinho de Paula. Um inferno mesmo. 

- E como jogou tão bem?

- Só apanhei. O pessoal não me deixava dominar a bola e já vinha passando o rodo. No final das contas, sai mancando, todo roxo e sem encostar na bola. E ainda assim, todo mundo veio me dar os parabéns. Ah, a fama dos brasileiros é mesmo uma coisa ímpar. 

- E você ficou feliz em apanhar?

- Claro. Se me deixam dominar uma bola, percebem que tenho dois pés esquerdos e a coordenação de uma maria mole dotada de vida. Como não deixaram, não fiz papelão. E, no dia seguinte, ainda brigaram para me por no time. 

- Você jogou dois dias seguidos?

- Não, claro que não. Quis parar no auge. E parei.

terça-feira, 30 de março de 2010

Sócrates, cerveja, Zidane e mais cerveja

- Adivinha quem eu encontrei no final de semana.

- O Juca Chaves.

- Errou.

- O José Vasconcelos.

- Tsc, tsc.

- A Fafi Siqueira.

- Não.

- A Consuelo Leandro.

- Essa aí já morreu. Impossível ter encontrado.

- Bom, não sabia que você não era médium. Agora que já sei, ficou fácil. Vou riscar da minha lista comediantes de quinta categoria que já tenham morrido. Ficarei só com os vivos.

- Tá. Mais uma chance.

- Marcelo Tas.

- Ué, você não falou que ia riscar comediantes sem graça?

- Só os que morreram. O Tas tá vivo, não tá?

- Não sei dizer.

- Bom, fala logo.

- Dr. Sócrates.

- Que legal. 

- Foi em Ribeirão Preto. Em um evento em uma fábrica de cerveja. 

- Bacana. Já encontrei ele também. E em um bar. Acho que se qualquer pessoa no mundo sair para beber mais de 4 dias seguidos em uma mesma semana encontra o Sócrates por aí.

- Pois é. Eu nem queria ser tiéte, mas fui. Até tirei foto com ele. Olha só, que beleza.



- Coisa linda. Esse óculos também é uma beleza. 

- Pois é. Mas perdi. Comprei na semana passada e perdi durante esse evento. Perdi também dois copos. O terceiro comprado não deu tempo de me desfazer involuntariamente. 

- Bom, esse óculos aí é melhor perder do que achar. Acho que você teve sorte.

- Obrigado. Agora, sobre o Sócrates, ele é muito simpático. Atencioso e tudo mais. 

- Vocês conversaram?

- Sim. Obviamente. 

- Sobre Rivaldo e Zidane, essas coisas?

- Exatamente. Foi assim.

"Quem é melhor: Zidane ou Rivaldo?"
"Zidane".
"Você ou Raí?"
"Raí".

Aí desisti dele. E ele, de mim. Ambos ao mesmo tempo. Eu estava muito inconvenientemente bêbado. Ele, pelas respostas, lelé da cuca.

- Hahahaha. Já encontrei o Sócrates também, como te disse. 

- Em um bar, certo?

- Sim. E eu também estava um tanto inconvenientemente bêbado. Olha a foto, que legal.


- Tô impressionado com sua cara de feliz.

- Pois é. E tive uma conversa com ele muito semelhante à sua.

- Perguntou quem era melhor, se Zico ou Zetti improvisado na meia?

- Claro que não. Todo mundo sabe que a resposta é, óbviamente, Zetti. Hoje em dia, inclusive.

- E qual foi o teor da conversa.

- Foi mais ou menos isso. 

"Pode tirar um foto, Magrão?!"
"Opa, vamo lá."
"Valeu. Você e o Biro são foda. Os jogadores de hoje são tudo estrelinha, andam com fone de ouvido e um monte de segurança só para não tirar foto".

- E ele fez algum comentário sobre o seu comentário?

- Sim. Soltou um ruído incompreensível e nos separamos.

- Que bonito. Parece até fim de novela do SBT. 

- Mas depois me arrependi da conversa.

- Por quê? Achou que pegou pesado com os atuais jogadores?

- Não. É que estava com uma leve dor no fígado esse dia.

- E?

- Ué. Ele não é médico? Ia aproveitar para me consultar com ele. 

- Mas eu acho que ele é ortopedista.

- Bom, mesmo assim eu poderia ter pedido a opinião dele.

- Como médico?

- Como alcoolista, médico, ser humano, ex-jogador, sei lá.

- Só para saber a opinião dele?

- É. Imagina se ele diz "gruda um pedaço de bacon sobre a área dolorida e anda com ele por três dias sob a camisa". Seria muito legal.

- Por quê?

- Ué. As pessoas iam me perguntar porque eu estava fazendo essa sandice. E eu diria que foi uma simpatia indicada pelo Dr. Sócrates. Não é legal?

- Isso não faz o menor sentido. As pessoas iam começar a achar que você e o Dr. estão beirando a maluquice.

- Mas eu me defenderia dizendo que o Rivaldo é melhor que o Zidane e que o Sócrates jogou mais do que o Raí.

- Sim, você se defenderia. Mas e o Sócrates?

- Bom, ele acha o Raí e o Zidane melhores. Não teria mesmo como se defender, de qualquer maneira.

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Colaboração nos diálogos (e na foto cedida) do Juliano, que também pode ser encontrado aqui.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Injustiça! Injustiça!

- Por que você tá todo suado?

- Andei mais de uma hora e meia debaixo desse sol infernal.

- Ué, mas você não levava 40 minutos para chegar aqui?

- Levo, ainda. Mas hoje, no caminho, eu estava vindo para cá , numa boa. Aí veio uma loira e me deu uma foda dessas.

- Como é? Você conheceu uma loira no caminho e acabou comendo ela?

- Pelo contrário.

- Ela te comeu?

- Ai, ai. Não, não. Foi assim: virei uma esquina e logo à minha frente, uma loira de saia caminhava. De costas, era uma beleza. Aí, apressei o passo para ver se Deus era justo e havia dado uma frente tão bela quanto a retaguarda.

- Sei.

- Aí, você sabe, eu ando devagar. E tive que apressar o passo para ultrapassá-la, virar disfarçadamente para trás e ver se ela era um caso de justiça ou injustiça.

- Falando nisso, o que diabos fazem esses desocupados na frente do julgamento do Caso Nardoni?

- Esses que ficam gritando e ostentando faixas com os dizeres "justiça! justiça!"? Acho que nada mesmo. São desocupados.

- Me deu vontade de pintar lá na frente com uma placa dizendo "injustiça! injustiça!". Queria ver o que esse povo ia fazer. Pena que não sou tão desocupado assim.

- Acho que iam te arrastar para um prédio e te jogar de alguma janela. Mesmo porque esse povo não tem lógica. Eles pedem justiça, mas se absolverem os Nardoni, pelos olhos da justiça, será feita justiça. Mas esse povo vai achar que não. Logo, eles querem punição, não justiça.

- Interessante ponto de vista. Além de desocupados são umas belas bestas, é isso? 

- É isso. 

- Mas então, voltando à questão da justiça divina. Apressei o passo, mas nunca chegava nela. Ultrapassar, então, me parecia um dos 7 trabalhos de Hércules.

- 12 trabalho.

- Tá. Mas daí, quando estava quase chegano na...

- Chegando.

- Que seje. 

- Que seja.

- Tá, tá. Pascoal me deixa termina.

- Pasquale, terminar.

- Posso?

- Pode.

- Bom, quando estava quase a alcançando, percebi que me esforcei tanto em ultrapassá-la que desviei do caminho e não sabia mais onde estava. 

- Se perdeu?

- Sim. Mas daí, quando vi que a vaca tinha ido para o brejo, achei que era tarde demais para me preocupar com isso. Primeiro, veria o rosto dela. Você sabe que odeio injustiça, seja ela divina ou não. Então, a minha ideia era primeiro checar a frente da moça. Depois, me localizar.

- Seria justiça ou injustiça divina do ponto de vista do criacionismo. Se você acreditar na evolução, a injustiça é com os pais dela e com Darwin.

- Sim. Mas eu tinha um plano. Checaria o todo da moça. Conforme fosse, logo depois disso, eu ajoelharia e, fechando os olhos, faria uma prece. Na ocasião, aproveitaria para parabenizar Deus ou cornetá-lo. De quebra, por via das dúvidas, pediria a Ele para amaldiçoar ou parabenizar Darwin. Por fim, para cobrir todas as pontas, pediria à moça o endereço de seus pais e iria lá tocar a campainha e dar os parabéns ou esbofetear ambos.

- Tudo isso por conta do conjunto da obra da moça?

- Sim. Já que tinha ido longe demais, achei que era uma boa fazer o serviço completo.

- E, no final das contas, você a ultrapassou?

- Cheguei a um braço de distância, vi que minhas forças estavam se esvaindo e, aí, apelei.

- Correu?

- Não. A cutuquei. Ela se virou para mim e, para unir o útil ao agradável, puxei assunto perguntando como eu chegaria em uma rua X, já que estava realmente perdido.

- E ela?

- Estava de óculos escuros e uma máscara, provavelmente se protegendo da gripe suína.

- Rapaz, e aí?

- E aí que ela falou meia dúzia de palavras, se virou e foi embora.

- Eu já estava tão cansado que minha vista estava turva. Como ela estava de máscara, não só não consegui ver se era bonita como também não entendi a indicação que ela me deu. Aí fiquei zanzando perdido por quase uma hora até que cheguei aqui.

- Rapaz, que injustiça.

- Pois é. Odeio isso. 

terça-feira, 23 de março de 2010

Caso Nardoni: Metendo o Dedo na Ferida

- Há uma rua perto de casa que chama Raquel da Cunha. Mas eu sempre confundo o nome, achando que chama Queiroz da Cunha. Por que será isso, hein?

- Desculpa, não prestei atenção no começo. Chama como a rua? Raquel da Cunha ou Queiroz da Cunha?

- Ih. Agora não lembro. Sempre confundo.

- De qualquer forma, você quer saber por que confunde, certo?

- Certo.

- Deve ser por conta da Raquel de Queiroz. Você deve fazer uma associação bizarra subconsciente e acaba trocando o Raquel pelo Queiroz. Só mantém o Cunha. Ainda bem que você não associa também o Cunha ao Euclides. Dariam várias combinações. 

- É. Raquel da Cunha, Queiroz da Cunha, Raquel de Euclides e Queiroz de Euclides. 

- Isso.

- Merda. Por que você foi me falar isso? Agora já tenho munição para confundir mais. E isso me deixa puto.

- Falando em nomes, e o Caso Nardoni, hein?

- Como é o nome da rua mesmo?

- Sei lá.

- Euclides de Queiroz?

- Era Raquel ou Queiroz da Cunha.

- Ah. Tá. Vou tentar manter o Euclides fora. Se entrar, fodeu. Dizem que repetindo, ou ouvindo, algo 12 vezes, já fixa na cabeça. Quero evitar o Euclides. 

- Tá. Mas deixe-me repetir: falando em nomes, e o Caso Nardoni, hein?

- O que tem isso? Que assunto mais chato.

- Então, queria que eles ficassem em liberdade.

- Acha que são inocentes?

- Não sei É que queria fazer uma experiência.

- Fazer um teste para saber se são culpados ou inocentes? Deixá-los soltos e fazê-los adotar outra criança? Se em 5 anos ela caísse da janela, eles seriam culpados. Se ela passasse ilesa, eles seriam inocentes. É isso?

- De onde você tirou isso?

- Da minha cabeça.

- Vindo de um lugar que confunde um simples nome de rua, não esperava ideia melhor.

- Mas pensa bem, nunca ninguém vai saber o que realmente aocnteceu. O julgamento não provará nada. Mas minha experiência empírica seria a prova cabal de culpabilidade ou não.

- Bom, eu queria deixar o Alexandre Nardoni solto por outro motivo. Quanto à mulher, eu a queria presa.

- Para?

- Bom. É uma experiência.

- Depois fala de mim.

- Mas é uma experiência válida. A primeira mulher dele chama Ana Carolina. A segunda, Ana Carolina. Com ele solto e ela, presa, ele teria que arrumar outra namorada. 

- Ter, ter, ter, não teria.

- Não teria, é fato. Mas você sabe como é homem. Não aguenta um rabo de saia. 

- Sei.

- Daí, queria saber se a terceria namorada seria Ana Carolina.

- Você acha que ele ia namorar a Ana Carolina? A cantora? Acho que não, hein. Ela é lésba, eu acho.

- Bom, se ele arrumasse outra Ana Carolina, saciaria minha curiosidade. Mas se começasse a namorar uma moça que gosta de outras moças e ainda fosse cantora da MPB, aí saciaria a minha curiosidade e as manchetes da mídia por meses. Essa minha experiência faria todo mundo ganhar. 

- Bom, para sua experiência, ele não precisaria ser solto. Ouvi falar que presos recebem muitas cartas de interessadas. Era só ele escolher a moça pelo nome do remetente. E, ademais, nas prisões, sempre há travestis. Vai que algum deles não se chama, artística-detentamente falando, Ana Carolina.

- Sei não. A maior parte dos travestis que conheço chama Pamela, Ronalda e Rogéria.

- Você conhece travestis? E tantos assim, para separar por maior e menos parte?

- ...

- Hein?

- Quantas vezes mesmo a gente tem que falar ou ouvir algo para aquilo entrar na cabeça?

- 12. 

- Euclides da Cunha, Raquel de Queiroz, Cunha de Queiroz, Raquel de Euclides, Queiroz de Euclides, Euclides da Cunha, Raquel de Queiroz, Cunha de Queiroz, Raquel de Euclides, Queiroz de Euclides, Euclides da Cunha, Raquel de Queiroz.

- Deu 12?

- Deu.

- Chupa, agora você se confundiu inteiro. 

- Merda. 

quarta-feira, 17 de março de 2010

Um estranho ponto de vista etíope sobre o caso Adriano e Vágner Love

- Quem inventou o jogo da velha?

- Bom, pelo nome, desconfio que tenha sido uma velha. E, por ser um jogo tão debilóide, acredito que era uma velha senil, senil. Pô, uns nove quadrados para serem preenchidos com xis e bola e que dão poucas combinações não pode ser coisa de gente com 100% centrada.

- E esse tal de Chatroulette. Você sabe quem inventou? Ou melhor, o que é?

- É um site que você entra e aparece uma webcam. Você liga a sua e te colocam aleatoriamente pra bater papo com quem aparece.

- Que cousa!

- Mas a proporção é de 20 homens pra cada rapaz. E como é aleatorio, aparece nego pelado, traçando uma cabra ou uma melância, essas coisas.

- A putaria é liberada, então?

- Não precisa de cadastro, nada. Só acessar.

 - E essa coisa tá na moda, procede?

- Parece que sim. Tanto que li a respeito na Istoé. E se chegou na Istoé, até em Pirituba já chegou.

- Até em Perus, se bobear.

- Na Febem de Franco da Rocha não se fala em outra coisa.

- Até em Ermelino Matarazzo a rapeize tá na área, aposto.

- Tudo com a piroca de fora, esperando as chuchucas.

- Nem preciso dizer que em Perus, o peru fica o tempo todo aparecendo no Chatoulette.

- Não precisaria dizer. Mas já que disse...

- Se o Adriano fica sabendo do esquema, aí acabaram as festas com Jumento e Anão. Só Chatroulette daqui para a frente.

- Você viu ele no Fantástico, no domingo?

- Não. Eu estou acompanhando mais de perto o caso Vagner Love.

- Esse negócio do Vagner Love ainda não vi, preciso ir atrás

- Não me interessou o fato dele ser escoltado por nego armado. E, nem tanto, por ter neguinho com uma bazuca na favela. Mas o que me chamou a atenção mesmo foi que, pelas fotos, deram a bazuca pro rapaz mais fraco. Ele sofre pra carregar aquilo. 

- Porra, favela!

- Ou melhor, porra, comunidade menos favorecida! 

- Quer dizer que deram a bazuca pro único traficante que veio da Etiópia na favela? 

- Exato. Deviam dar prum cara mais bem alimentado. A dificuldade com que ele carrega aquilo da dó. E eu achei que nunca fosse ficar com dó de um cara com uma bazuca.

- Aposto que os lança-chamas deles dão pra um cego operar.

- Porra, mas, pensando bem, bem feito pra esse filho da puta. Ninguém é obrigado a carregar bazuca.

- Não fala bobagem. Ele é etíope. Não sabe que tem escolha.

- Quem te falou que os etíopes são burros a esse ponto? Tem no YouTube?

- Eu não disse que são burros. É que na Etiópia o pessoal vive ao sabor do vento, sem escolher nada. Quando deram a bazuca na mao dele, ele pegou e ficou com ela.

- Esse é o estudo antropológico mais profundo que já ouvi sobre a Etiópia.

- É como seu sempre digo, quer saber sobre a Etiópia, vem comigo. 

- Hahahaha.

- Não parece, mas sou letrado em certas coisas. Agora, com licença que vou ali rezar para São Patrício e só volto na sexta.

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Como já está virando tradição, colaboração, de novo, da @vannmarques.


segunda-feira, 15 de março de 2010

Probabilidade, Pombos, Pombagira e Armero

- Já ouviu falar no Problema de Monty Hall?

- Não me lembro.

- É uma questão de probabilidade meio que simples. 

- Não tem matriz, determinante, log e nem multiplicação?

- Não muito.

- Me fale mais a respeito.

- O problema surgiu em um programa americano, uma espécie de Porta dos Desesperados, do Sérgio Mallandro. 

- Ou da Porta da Esperança, do Silvio Santos?

- Não. Está mais para a Porta dos Desesperados mesmo. Imagine que há três portas. Dentro delas, há um prêmio de valor alto, como um carro. Nas outras duas, porcarias, como uma cabra e um sujeito fantasiado de gorila. Você deve acertar a porta que tem o melhor prêmio. Só que, ao escolher uma porta, o apresentador vai em uma que ele sabe que não tem o prêmio e não é a que você escolheu e a abre, mostrando que o prêmio não está lá. E pergunta se você quer mudar sua escolha. Agora, são só duas portas. Você mudaria?

- Não.

- Mas aí é que está. Pela probabilidade, agora você teria mais chance de ganhar o carro se mudasse de porta.

- Mas eu não quero um carro. Esqueceu que minha carteira foi cassada? Eu queria mesmo era a fantasia de gorila.

- Eu não sei se eles liberam a fantasia de gorila.

- Eu me contentaria com a cabra.

- Mas mesmo assim. Supondo que eles liberem os outros prêmios, eu acho que a cabra, tudo bem, você pode levar para casa. No caso da fantasia, teria que levar o cidadão vestido de gorila. O prêmio é o cara de gorila. Nem uma ocisa nem outra. E, uma vez em casa, você que o convencesse a tirar a roupa.

- Ah, mas isso seria fácil. Se eu o ganhei, ele é meu. Meu escravo. Bastaria ordenar a tirar a roupa.

- Não sei. Pensando bem, você ganhou um cidadão vestido de gorila. A partir do momento que pedisse para tirar a roupa, ele não seria mais um cidadão vestido de gorila e você perderia o poder sobre ele. Ele estaria livre para partir. 

- E deixaria a fantasia para trás?

- Duvido. Essa gente que se fantasia profissionalmente e se esconde atrás de portas se apega muito às vestes. Você ia ficar com uma mão na frente e outra atrás.

- Será que se eu fizer um café e usar água com gás no lugar de água torneiral, a coisa fica boa?

- Sei lá. Mas deixe-me voltar ao problema do Monty Hall. Acabo de ler que fizeram um pesquisa com pombos e eles são melhores nesse jogo do que a gente. Eles sempre mudam de opção, quando das opções, de três, mudam para duas. A cada 10 jogos no estilo Monty Hall, oito vezes quem muda de porta ganha. E os pombos fazem isso sabe Deus como.

- Aí, sim, fomos surpreendidos novamente.

- E não é?

- A porra dos pombos são foda. E pensar que uma vez atropelei um. Mas foi sem querer, obviamente. É certeza que matei um pequeno Einstein.

- Ele deve ter calculado erroneamente as probabilidades de atravessar a rua sem ser atropelado. Ou calculou bem demais e era um suicida. 

- Deve ter pensando "chance de ser atropelado se atravessar voando: 0%. Chance de ser atropelado de ser atropelado se atravessar andando: 100%. Agora, preciso provar minha teoria."

- Exato. Foi voando. Ok. Voltou andando, morreu. Se sacrificou pela sua ciência. 

- Os pombos são mesmo uns abnegados. 

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De novo, colaboração da @vannmarques.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Uma conversa. Nenhum assunto.

- Você acredita que Belle & Sebastian seja a banda mais nada a ver do mundo?

- Não considero, não. Ronaldo e os Impedidos está na frente.

-  E o que dizer do Sigue Sigue Sputinik?

- Não lembro das músicas deles. Só dos moicanos que usavam.

- Isso é um bom resumo da banda. De tão nada a ver que eles eram, usavam moicano e tocavam coisa que nem o Shaquille O´Neil teria coragem.

- Mudando de assunto, preciso de confessar uma coisa. Tem um cabelo que cresce dentro da minha orelha que é comprido, bem comprido, e isso me dá uma aflição dos infernos.

- Arranque. Nem precisa de pinça, se é tão grande.

- Ele é quase transparente. Isso faz com que a tarefa de arrancá-lo se torne uma grande dificuldade. E, o pior, ele é branco. 

- Mudando de assunto de novo, hoje de manha estava vendo Ana Maria Braga. Fiquei puto com o desafio de charadas entre ela e Louro.

- Eu acompanho isso na medida do possível. São charadas horríveis.

- Exato. "O que é um ponto verde andando pelo calçadão de copacabana? Um greengo." 

- Sei bem. "Como se prende um ponto rosa voador? Numa gayola."

- Chega a ser ofensivo. Porra, Ana Maria! Porra, Louro José!

- Ofensivo mesmo foi o que passei outro dia. Estava na padaria da esquina de casa e resolvi acender um cigarro. O dono pediu educadamente que eu apagasse o cigarro ou fosse fumar lá fora.

- O que tem de ofensivo nisso? É lei.

- Eu sei. Mas na mesma padaria tem máquina de videopoker. Eles também apontam o jogo do bicho, lá. Achei que contravenção por contravenção, eu poderia fumar sem ser incomodado.

- E você apagou o cigarro ou foi fumar fora?

- Apaguei. Não queria largar a máquina de videopoker. Eu estava indo bem.

- Olha só isso. 

- Manda.

- "Você sabia que na esquizofrenia catatônica pode haver o fenômeno 'Obediência Automática' onde qualquer comando é obedecido mesmo que danoso?" Só faltou chamar esquizofrenia acrumbática maluco 

- Isso sim é uma doença do inferno. Imagina ficar catônico na frente da TV e obedecer tudo o que o Gene Hackman fala. Seria um inferno.

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Colaborou involuntariamente: @vannmarques


quarta-feira, 10 de março de 2010

Prostitutas, Jornalistas, Essas Coisas

- Vai, Corinthians!

- Saravá, São Jorge.

- Uma dúvida me ocorreu agora.

- O time ideal? Essa é fácil: sacamos o Tcheco e o Willian. Colocamos o Dentinho e o Leandro Castan e pronto. Não tem como dar errado.

- É... Mas não era isso.

- Ah.

- Queria saber o seguinte: se eu encontro uma prostituta na rua, mas à paisana.

- Defina paisana.

- Ah, em horário não comercial dela. Fora do expediente de trabalho e vestida com sobretudo.

- Sei.

- E ofereço uma grana para transar com ela. Ela aceita? 

- Hummm. Pensemos. 

- Sim.

- Se eu te encontrar na rua. Você é jornalista, mas está fora do seu expediente. 

- Certo.

- E eu te pedir um texto. Você escreve?

- Depende de qual for o assunto. Depende de quem pedir, do jeito que pedir. Depende também o quanto eu vou ganhar com isso. Mas considerando que seja um assunto que eu entenda, que seja você quem peça e que me pague um valor justo, acho que escreveria, sim. 

- Eu não escreveria se você me pedisse, não importa o jeito ou a grana. Logo, acho que, se eu pedisse, a prostituta transaria. Se você pedisse, não. E pior: ela poderia te processar por assédio sexual.

- Nossa. Aí, sim, eu ia me dar mal.

- Mas, por outro lado, se você estivesse andando na rua e uma prostituta te abordasse, você poderia processá-la por assédio também.

- E se ela me pedisse um texto, eu poderia processá-la por assédio?

- Poder processar, você pode processar quem você bem entender. O duro é ganhar a causa.

- Rapaz. Estou achando que é melhor, então, eu não me envolver com prostitutas.

- É. Você só tem a perder. 

- Mas, me diga, se eu estou andando na rua e um travesti me aborda, pedindo um texto. Eu posso processá-lo por assédio?

- Olha, como eu disse, você pode processar quem você quiser. O duro é ganhar.

- Mas e se ele fosse muito insistente. Me segurasse pelo braço e não me deixasse ir até escrever?

- Mesmo assim, acho difícil. 

- E se ele estiver com a piroca para fora, enquanto pede encarecidamente o texto?

- Nesse caso, acho que aí sim, você pode processar.

- Ah, que bom. Não vejo a hora de um travesti com o pinto para fora me agarrar e exigir um texto.

- É sério isso?

- Então... eu acho que...

- Por favor, não responda. Vamos mudar de assunto. Se não, vou acabar de processando por assédio moral.



terça-feira, 2 de março de 2010

Ajudante de Ambulante

- Preciso fazer alguma coisa para me animar.

- Como?

- É que eu estava analisando minha vida.

- Lá vem...

- É sério. E reparei que sempre que vou em algum lugar, acabo de envolvendo com as pessoas mais escumalhentas do local.

- Regras da atração, sabe? Porcaria atrai porcaria.

- Sei, sei. Mas a coisa já passou do limite.

- Como assim?

- De uns tempos para cá, nem mesmo essas meninas que ficam na porta da lojas oferecendo crediário, empréstimos, cursos de inglês e de informática me chamam. Já estou um nível abaixo desse povo aí.

- Você queria fazer crediário? Tá precisando de grana ou coisa assim?

- Não. Mas percebo que, pelos olhos dessas moças, estou num grau de vida sub-necessitado. Aquele necessitado que não pode nem pagar por essas coisas.

- Ou um nível acima. Do bem sucedido. Se bem que, olhando para você, ninguém diz.

- Exatamente. E repare: sempre que estou na rua, na padaria, ou onde quer que seja, quem vem conversar comigo?

- Não são as mocinhas do crediário.

- Não são. Não mendigos, pedintes, pungistas e lelés da cuca em geral.

- E isso te incomoda.

- Não muito. Mas andaei reparando que é frequente. Se vou a casamentos, já me junto logo à turminha do funil e sou o último a ir embora. Se vou a batizados, quase não me deixam entrar na igreja, mesmo que eu seja o padrinho. Aliás, muitos amigos meus me chamaram para ser padrinhos de casamento deles porque disseram que seria a única chance de me verem bem vestido na cerimônia.

- Hahahaaha.

- Nesse carnaval, por exemplo. Fui muito humilhado.

- Você me contou. Te tiraram de traficante e outras coisas, não?

- Sim. Mas agora, remexendo na minha mente, vi que além de tudo, me prestei a um papel de ambulante.

- Como assim?

- Lembrei que no meio de um bloco, me envolvi com um vendedor de "tequila" e acabei vendendo a bebida dele para terceiros, sem qualquer pudor.

- Por que tem essas aspas na palavra tequila?

- Porque desconfio que não era tequila. Parecia conhaque com água. Mas como tava quente, já que eu estava vendendo a um sol de 40 graus, podia ser qualquer outra coisa, como metanol. Mas tequila não era.

- Você vendeu ou bebeu?

- Vendi e bebi. Comecei bebendo. Daí, resolvi vender. E ganhava comissão: a cada 3 doses vendidas, podia beber uma. Foi uma maravilha.

- E o dono da garrafa?

- Ele só ficava com a grana. Eu vendia, servia, oferecia, negociava. O rapaz só ficava com a grana.

- Cara, então acho que realmente você atingiu um nível inferior na escala profissional. Ajudante de vendedor de falsa tequila é demais, hein.

- É. Mas foi pior.

-Por que?

- Já te falei que eu estava vestido de Minnie?

- A rata?

- É. Olha as fotos.




segunda-feira, 1 de março de 2010

A Patada do Sul

- Vai vendo.

- Vou.

- Outro dia, uma amiga estava participando de um quiz. E pediu ajuda: perguntou qual era o nome do golpe de esquerda que o Rocky dava. 

- Rocky do Stallone?

- É.

- Seria "canhotinha de ouro"?

- Não seria.

- "Canhotinha de prata"?

- Nops.

- "Esquerdosa mortal garanhosamente italiana"?

- Duvido que você repita isso.

- Eu também.

- Me deixe continuar a história. Daí, eu não sabia. E encasquetei. Procurei no Google que nem um débil mental por umas quatro horas.

- Compreendo. 

- Não achei. Mas horas depois, saiu o resultado do quiz.

- E qual era a resposta? "Esquerdosa mortal garanhosamente italiana"?

- Caraca, parabéns!

- Era isso?

- Não. Mas você conseguiu repetir a mesma expressão estúpida duas vezes.

- Repeti? Achei que fosse outra.

- De qualquer forma. O nome do diabo do golpe é "patada do sul".

- Nunca ouvi falar.

- Nem eu. Mas vai vendo. Além do Google, perguntei a todos que conhecia. No MSN, no Google Talk, por telefone, SMS. Fiquei meio paranóico com isso, até descobrir.

- E não teve jeito.

- Não teve. Aparentemente, só poucas pessoas na Terra sabiam esse nome. Daí, depois que veio a resposta, e por nunca ter ouvido falar nela, resolvi beber para esquecer. Fui até um boteco com essa minha amiga e resolvemos logo enxugar as mágoas. 

- E os copos.

- Precisamente. Então, como queríamos esquecer, evitamos falar no assunto Rocky. Na verdade, não falamos sobre nenhum filme do Stallone, para evitar completamente o assunto.

- Difícil ir para o bar e não falar de Rambo III. 

- Também achei. Mas conversamos sobre amenidades, como casamento de padres, legalização do aborto e outros clichês estúpidos.

- An ran.

- Sim. Mas lá pelas tantas, não aguentei. Tive que comentar, em meia voz, até. Disse "era patada do sul!". Ela assentiu.

- E?

- E aí tinha um bêbado, desmaiado no fundo do bar. Ao ouvir "patada do sul", ele levantou rapidamente. De desmaiado na mesa, virou outra pessoa. Elétrico, ficou esperto na hora.

- E vocês não falaram mais nada? Ou algo sobre Rocky ou Stallone, antes?

- Nada. Ele ouviu somente "patada do sul" e se levantou. Disse "Rocky II" e começou a golpear o ar com a mão esquerda. Impressionante. 

- Olha aí. Quer dizer que uma das únicas pessoas do mundo que sabiam sobre a "patada do sul" era um bêbado de fundo de bar?

- Exato. E mais: desconfio que ele ficou assim porque participou de um quiz sobre o assunto. Não adivinhou e acabou exagerando na cachaça. 

- E era exatamente isso que você e sua amiga estava fazendo naquele momento, procede?

- Procede. Mas daí, depois da atuação do bêbado, pedimos dois cafés e fomos embora. Resolvemos assistir Rocky II, para saber se era "patada do sul" mesmo o apelido.

- E era mesmo?

- ...

- Era?

- Merda. Vou beber. Com licença.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Jogos de Inverno e Nicorete

- Hoje cedo tive a pior experiência da minha vida.

- Começou a acompanhar as Olimpíadas de Inverno também?

- Como?

- Porque, pior do que esses Jogos Invernais, não existe nada. Ou melhor, existe: a programação da ESPN. Toda vez que ligo lá, em vez de futebol, eles estão passando concurso de salsa ou caça à raposa, mas com um fantoche no lugar da raposa, para a coisa ficar politicamente correta. Uma desgraça.

- Não, nada disso, seu debilóide. Masquei nicorete.

- Você quer parar de fumar?

- Não. Mas um camarada meu estava com uma cartela e resolvi experimentar um. Só para tirar onda, sabe?

- E eu que sou o debilóide aqui?

- Foi a pior coisa que já meti na boca em toda a minha vida. E olha que já comi pão com açúcar e pipoca. 

- É tão ruim assim o nicorete?

- Bom, nas primeiras mastigadas, ele é ok. Até meio bom. Mas depois de uns minutos, dá um pigarro danado.

- Sei.

- Aí, logo depois, você já está com um mau hálito de fumante. 

- Hum.

- E, depois, vem a ânsia de vômito, o suador e a tontura.

- Exatamente nessa ordem?

- Não. Tudo ao mesmo tempo. Aí você acha que vai morrer e tenta cuspir o diabo do nicorete.

- E cuspindo resolve?

- Não conseguia abrir a boca para cuspí-lo. Foram mais alguns minutos de sofrimento até que consegui me desfazer do bicho. 

- Aí passou o mal estar?

- Não. Ainda foram mais uns 5, 10 ou 37 minutos de medo e delírio. Depois disso, melhorei. Mas não fiquei 100%. Até agora, ainda estou meio tonto e ouvindo um zunido estranho que vem de trás da minha cabeça.

- Ainda bem que você não quer parar de fumar, não é?

- Pois é. E mesmo se eu quisesse, já teria desistido, graças à essa experiência traumática. 

- No final das contas, o nicorete o encoraja a fumar, não o contrário. Irônico, não?

- Será que se a pessoa for viciada em nicorete, para curar o vício, fumar ajuda?

- Pelo que você relatou, se há alguém no mundo viciado em nicorete, aposto que ele não anda, fala, enxerga, ouve, sente. Só masca. E, obviamente, não deve querer se curado. Só tem um desejo.

- Qual?

- Outro nicorete. Bem nicotinadinho.

 


quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Ressaca Pós-Carnaval

- Olha aí quem apareceu... depois de 10 dias sumido. 

- O carnaval foi longo, sabe?

- E dolorido, pelo jeito. Você está mancando.

- Mancando é o de menos. Olha esses roxos no meu braço. E repare nessas chagas aqui. 

- Jesus!

- É o que penso. Ou sou a reencarnação de Jesus ou apanhei tanto quanto ele nos últimos dia. 

- Mas o que você fez para estar assim?

- Pulei carnaval, ué.

- Ou caiu no carnaval? Porque pela situação do seu supercílio...

- Ah, isso? Nem doeu tanto. Acho que desmaiei antes de dar de cara nos peitos de uma senhora desconhecida, que passava pela minha frente em certo bloco. 

- O peito de uma senhora abriu seu supercílio.

- Acho que ela usava silicone industrial.

- Era uma senhora ou um travesti?

- Não sei. Acabo de dizer que desmaiei antes de dar de cara nela. Ou nele.

- Por acaso ou vocês estavam se conhecendo?

- Ao acaso. Eu estava me envolvendo com umas pessoas estranhas, vestidas de oncinha. Quando me libertei, tropecei, bambeei e quando vi que ia cair, um mecanismo de defesa interno resolveu me desmaiar. Aí, dei de cara nesses peitos mais duros que o diabo.

- Que horror. E essa tatuagem aí, é nova?

- Isso? Não é tatuagem. É sujeira. Parece que ficou tão encrustada que não consegui tirar ainda. Nem com 7 banhos. Semana passada, na quarta-feira de cinzas, estava pior, bem maior. E parecia uma imagem de Nossa Senhora. Tive até que fugir de uma multidão que achava que era uma aparição voluntária dela e que eu era uma espécie de iluminado ou coisa assim.

- Pensaram isso porque não te viram engalfinhado com oncinhas e travestis.

- Pois é. Mas isso não foi o pior. Ouvi frases bem humilhantes neste carnaval. Foi de mendigo para baixo.

- Defina "mendigo para baixo".

- Um cara que eu nunca tinha visto perguntou se eu era traficante. Outra, de pudim de cachaça. Uma terceira moça disse "vou ali me despedir das minhas amigas e você vem comigo. Mas não abre a boca, porque não quero que elas me vejam saindo daqui sabendo que estou com um bêbado." Teve também banana, boboca e vadia.

- Vadia?

- É. Teve um dia que fui para a folia vestida de Geisy Arruda.

- Meu deus! E você ainda gosta de carnaval, depois de tudo isso?

- Não muito. Mas já estou pensando em, ano que vem, sair fantasiado de Dilma Roussef.