- Só tem um jeito de saber se você confia realmente em mim.
- Eu não confio em você. Menos ainda, quando você começa um diálogo com uma frase dessas. Nesses casos, eu realmente desconfio de você.
- É que eu estava pensando em fazer uma experiência e queria contar com sua ajuda, para descobrir no que dá.
- Você quer que eu seja sua cobaia?
- Não é isso. É que eu queria saber se uma pessoa consegue sobreviver por mais de um mês consumindo itens vendidos em farmácias.
- Como assim?
- Eu vejo que há pílulas ricas em zinco, em vitaminas em geral, como A, B, B12, e assim por diante. Sei que há remédios com potássio e ferro. Então, eu queria saber se é possível substituir refeições tradicionais por consumo dessas pílulas, que oferecem em vitaminas e outros elementos da tabela periódica exatamente o que o corpo necessita para suas atividades diárias.
- Que eu saiba, não há vitaminas na tabela periódica.
- Não importa. Você entendeu o espírito da coisa.
- Nesse seu experimento, está valendo beber água?
- Claro. Ou como você faria para engolir essas pílulas? E aí, topas?
- Eu fico um mês sem comer, somente tomando remédios. E você me observa, tira minha pressão, minha temperatura, vê se eu não vou morrer. Daí, no fim do mês, você tira suas conclusões e beleza?
- Eu não tinha pensado em tirar pressão nem em ficar te avaliando. Mas, se você insiste, beleza, possso fazer isso. E aí, topa?
- Você não vai fazer um documentário, não vai fazer anotações e publicar suas conclusões em alguma revista médica, nada do tipo? É só para matar sua curiosidade?
- Isso.
- Nem publicar em um blog?
- Nem.
- Tampouco escrever no twitter ou criar uma comunidade "Já sei o que acontece se as pessoas substituírem comida por remédio" no Orkut?
- Não, não. É só para saciar minha curiosidade mesmo.
- Você paga as pílulas?
- Rachamos meio a meio. Afinal, você iria gastar dinheiro almoçando.
- Tá. Eu topo. Mas, antes, você precisa provar que confia mesmo em mim.
- O que eu tenho que fazer?
- Eu sempre quis saber o que aconteceria se um maluco saísse correndo sem calças pela rua. Se ele somente pararia quando tivesse exausto de correr ou se a população, com porretes e tochas, o alcançaria antes dele virar três esquinas. E aí, topas?
- Eu poderia morrer fazendo isso. Se a população não me matasse, eu morreria de cansaço.
- Eu sei. O que eu queria saber mesmo é se a pessoa sem calça consegue chegar à terceira esquina sem ser perturbado.
- Isso é fácil responder. Se for o Usain Bolt, chega. Se não for, é abatido antes. Pronto, respondido. Acabou sua curiosidade. Agora, podemos passar para a minha experiência. Vai almoçar o que amanhã? Pílulas de zinco e capsulas de vitamina A?
- Comecemos com muita vitamina C. Prefiro morrer de inanição, intoxicação ou qualquer outro "ão" do que de escorbuto.
Gostei! Confesso que já pensei nas duas hipóteses, se realmente dariam certo. Cabrero pensar que não podemos nem sair pelados nas ruas...
ResponderExcluir